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O dia de hoje acaba representativo para o Blog Minha Vida Gay. O MVG estabeleu hoje 1 milhão de visualizações e acho que, para um bom post dedicado a essa marca, nada mais justo do que fazer um breve resumo de minhas emoções que acontecem hoje, enquanto – no player – toca “Hakuna Matata” do filme “O Rei Leão”.

Ultimamente tenho sentido que os sábados e domingos andam muito curtos. É uma fase, quando eu gostaria que esse ano acabasse logo, contrariando um pouco meu lado work-a-holic. 2015 foi um período cheio de altos e baixos que consumiram um pouco do meu otimismo, mostrando que determinadas realidades nos tiram da zona de conforto e muitas vezes fogem do controle. Não duvido que esse ano ficará marcado como um tempo de mudanças significativas para uma grande maioria de pessoas que está próxima a mim, principalmente no que diz respeito a entrada e saídas de pessoas (e relacionamentos) das vidas.

Na viagem para NYC, de fato, eu acabei não desligando ou sossegando como eu gostaria. Fui “guia” para mamãe e para meu amigo, o que me colocou em certa função e, assim, aguardo com alguma ansiedade as férias coletivas de final de ano, quando libero todos, principalmente eu (que me libero de todos – rs). De fato, uma semana sem entrar em nenhuma grande função, foco, preocupação ou atenção já seria suficiente. Estou ainda decidindo se teremos 7 ou 15 dias para descansar. Vamos ver…

Assim, com essa introdução meio dispersa (rs), tocando agora “We built this city”, um clássico dos anos 80, chego no assunto principal do post: fiz as contas nos dedos agora e eu e Rafa vivemos um relacionamento faz 4 meses. Passamos sábado juntos e, apesar do tempo ameno propício, não dormimos de conchinha nesse final de semana. Assim, pude fazer um balanço da vida, o que o inclui.

Para alguns gays, 4 meses é tempo suficiente para se estabelecer um namoro (quando é que uma relação dura isso). Realmente: para mim até então, esse tempo já era para definir certas formalizações. Mas por enquanto, na vibe que acontece entre nós, tudo tem fluído muito bem assim. Talvez, pela primeira vez, eu tenha preferido viver os sentimentos do que ter certas “garantias” de um compromisso. Talvez porque as minhas próprias experiências em alguns namoros e um casamento tenham me provado que formalizações e compromissos não superam a qualidade dos próprios sentimentos e, muitas vezes, acreditamos que a conveção-namoro nos garanta alguma coisa, seja fidelidade, controle, os sentimentos do outro por nós, ou a própria pessoa em si. A vida vai ensinando que não é bem assim.

Estar com o Rafa tem sido a possibilidade de poder desligar das grandes responsabilidades das minhas semanas. Segurar empregos, segurar clientes, segurar a grana e segurar uma equipe focada em eficiência – no contexto econômico, político e social em que vivemos – só não é tarefa de alta responsabilidade hoje, no Brasil, para quem se faz de vítima, ou é alheio, ou é acomodado.

Estar com o Rafa tem sido eu tirar de foco qualquer pensamento mais elaborado, estratégico ou planejado com algum propósito. É deixar o sentimento ir e vir, é dizer “sim” e poder dizer “não” sem entrar em neuras, paranoias ou medos. Meu ex, o Beto, anda super curioso para conhecer o Rafa. Quase rolou no final de semana passada, mas o Rafa não quis e foi tudo bem. Nesse final de semana rolou a possibilidade de eu conhecer a mãe dele. Eu não quis e foi tudo bem. Ninguém fez cena ou bico por causa dessas negativas.

Estar com o Rafa é eu poder baixar a guarda, tirar as máscaras e ser mais inteiro. É deixar que ele, aos poucos, seja também ele mesmo. É lúdico.

É poder compartilhar de maneira natural e fluida a paixão por bichos. E vou te contar que isso faz uma tremenda diferença (mas entende apenas aquele que realmente curte animais de estimação). Dizem que muitos gays substituem, com as devidas proporções, os filhos por cães e gatos. Em termos é verdade: só ver o meu roncando no sofá, ao meu lado, nesse momento.

Estar com o Rafa é poder repetir nosso restaurante favorito (e por coincidência temos um favorito na Liberdade, o mesmo, há tempos) quantas as vezes a gente quiser.

Estar com o Rafa tem sido ele me apresentar o Naruto e este desenho me lembrar Dragon Ball Z (que eu era muito fã) e eu rever todos os capítulos de novo, sentindo as mesmas emoções que eu tinha quando eu era adolescente.

Estar com o Rafa tem sido mais uma tentativa de deixar uma relação leve ou, pelo menos, projetar as levezas da vida no próprio relacionamento, já que as durezas – inevitáveis – farão parte de outros campos da vida.

Estar com o Rafa não é uma obrigação do compromisso de se ver o final de semana todo. As vezes a gente precisa respirar ou cuidar de pequenas responsabilidades individuais no final de semana.

Estar com o Rafa não é um exercício autoafirmativo e social por sermos gays.

Estar com o Rafa tem sido a prática da lealdade, deixando um pouco de lado o peso de fidelidade.

Acabo o post e está tocando Hanson, “Weird”. Dá para “ser o MVG” e gostar de Hanson. E isso faz todo sentido pra mim e acaba fazendo sentido para o Rafa que tem conhecido – de fato – o Flávio. “MVG” e “dono de empresa” são apenas máscaras, imagens e rótulos que eu assumo e que me colocam em responsabilidades na base da seriedade, da vida adulta, para com uma ou mais pessoas. Máscaras que criam percepções aos outros, mas que são incompletas e fragmentadas, embora tenham certos propósitos e obrigações.

Legal é poder ser por inteiro. Ser inteiro, nada melhor para comemorar 1.000.000!

2 comentários Adicione o seu

  1. André Luz disse:

    Parabéns Flavio! Assim como essa meta de 1mi que outras metas você alcance com total exito, vc merece!

    1. minhavidagay disse:

      Agradecido, André! Embora o cenário econômico atual exigia um encolhimento das metas (rs) e muito cuidado com investimentos gerais, é sempre bom ter incentivo de pessoas que “estão” comigo faz tempo. :)

      Obrigado pelo carinho.

      Abraço,
      Flávio

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