Casamento Gay


Será que estamos preparados para o casamento entre gays?
O casamento gay agora é um direito

Meus amigos gays comemoravam no Facebook o direito pelo casamento. O próprio nome já diz: direito. Perante a sociedade, temos as mesmas possibilidades de qualquer casal, quando o assunto é casamento. Não posso negar que fiquei feliz pela notícia. Já morei junto durante três anos e hoje tenho um relacionamento bastante estável há um ano e meio, relacionamento que é namoro e que, se mantiver a sintonia, pode se tornar um casamento mais tarde.

Há mais de dez anos sai do armário e pude, em 2009, viver intensamente minha “crise dos 30 anos”. Nesse período, tive a oportunidade de conhecer muita gente da noite, nomes, figuras e semblantes carimbados no meio GLS. O universo gay, ou parte do universo que frequenta festas, encontros e baladas tem muitas coisas em comum. As pessoas são bem vestidas, “limpas e cheirosas” e o apelo estético está sempre em evidência: raros são os gays que frequentam o meio e que não são preocupados com a pele, com os músculos ou com o estilo. Todos nós, gays ou não, vivemos uma época de exaltação da estética e, no meio GLS, isso as vezes parece se intensificar. Estar bem consigo é fundamental, apesar de as vezes parecer dependência.

Em muitos momentos, nas rodas de colegas mais próximos, pude perceber que o grande dilema era a dificuldade de relacionamento. Curioso como aquelas mesmas pessoas, que reclamavam pela ausência de um namoro sério ou da qualidade das relações, eram as mesmas que, durante a noite, precisavam esbanjar autoafirmação e estavam lá, ficando com um por noite (ou mais).

O gay, na realidade, tem grande dificuldade de se relacionar. Ou melhor, tem dificuldade de criar vínculos mais duradouros e construir uma relação de intimidade. Sabemos que construir relações íntimas exige tempo, exige uma mínima afinidade e exige uma vontade de ser próximo a determinada pessoa. Uma pitada de naturalidade é também definitiva, e isso independe da sexualidade. É tão comum ver um gay muito íntimo da melhor amiga, mas tão difícil ver o mesmo gay, com uma relação próxima a um parceiro.

Imagine então conceber um casamento?

Durante esse período passei a notar que os “namoros”, na maioria das vezes, não passavam de seis meses. Seis meses?! Seis meses não é tempo suficiente nem de conhecer direito uma pessoa!

Acontece, sim, que o gay – talvez pelas dificuldades de se aceitar como tal – não consegue formar vínculos duradouros. Frequentar o meio, ser chamado pelo nome por muitos nas festas e estar nos lugares mais badalados, pasmem, não quer dizer ser bem resolvido quanto a sexualidade!

O ponto é o seguinte: um indivíduo bem resolvido que se permite vivenciar experências, teme menos a entrega para um relacionamento e se predispõe a criar vínculos duradouros com pessoas, no caso de amizade, ou com uma indivíduo, no caso de um envolvimento afetivo. Relacionamento é algo que se constrói. Mas o que se vê por aí, no meio gay, são relações superficiais. Muitos justificam como desapego, mas me soa muito mais como insegurança. Muitos justificam como relacionamentos curtos mas intensos. Intenso, só ser for na cama!

De fato, o buraco é mais em baixo. Precisamos sim do apoio governamental para os direitos perante a sociedade. O que é justo não se contesta. Mas mais do que isso, como indivíduos, precisamos rever um pouco a nossa postura. A questão é a superficialidade. Por que é tão comum no meio gay essas relações voláteis? Existem bloqueios? Quais são as dificuldades?

Antes eu diria que relacionamentos são todos iguais. Hoje, afirmo que em relacionamentos gays existem algumas nuances. É mais simples o gay se afirmar perante a sociedade do que se afirmar perante a si mesmo, é mais fácil nos omitir de nossas dificuldades do que responsabilizar o outro. Os gays parecem estar sempre felizes. Mas muitas vezes devem se sentir vazios. Para suprir o vazio, vivem nesse frenesi de diversões, festas e baladas. Até uma hora que se deparam com as mesmas caras e as mesmas pessoas. Modus operandi.

2 comentários Adicione o seu

  1. Nox disse:

    “Frequentar o meio, ser chamado pelo nome por muitos nas festas, e estar nos lugares mais badalados, pasmem, não quer dizer ser bem resolvido quanto a sexualidade!”

    Essa, de fato, é uma grande verdade. Eu mesmo badalei muito no meio gay durante uns cinco anos e nesse meio tempo não era nem um pouco resolvido quanto à minha sexualidade/afetividade.

  2. Felipe disse:

    Acho que atualmente os gays usam a palavra casamento indiscriminadamente. Relacionamentos que ainda não se aprofundaram nem se estabeleceram já são chamados de “casamento” só porque o namoro durou mais do que o esperado ou porque passou o chamado “prazo de validade”. Acredito que um casamento é algo muito mais duradouro e sólido e só depois de um assumir um profundo comprometimento com o parceiro que o relacionamento pode ser chamado de casamento.

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