Vida Gay – Parte 1

Permita-se viver

A gente acha que vida gay se resume as baladas, festas, Skol Beats, shows de bandas eletrônicas, Shopping Center 3, Praça Benedito Calixto, Avenida Paulista, Rua Augusta e sauna. Nesses meios, realmente dá para se divertir bastante e viver o que somos. Mas são áreas que não se reciclam e você percebe isso depois de alguns meses. Você pode passar anos sem frequentar esses lugares que, cedo ou tarde, quando você volta, as mesmas personalidades estarão por lá, o mesmo som e a mesma batida. E, convenhamos: é a mesma batida.

A vida gay pode e deve ser mais do que Lôca, The Week ou Lyons. A vida gay deve ser mais do que as drogas, o excesso de bebida e a troca da noite pelo dia (a não ser que você trabalhe na noite). O glamour, a beleza das pessoas, sempre vão continuar por lá porque esse mercado sempre vai gerar lucratividade. Em outras palavras, os empresários da noite GLS estão inventando lugares de tempos em tempos e, no final, você não vai perder nada. Parte das pessoas se renovam, outras, continuam as mesmas.

Casal de namorados gays na praia

Precisamos nos dar oportunidades de viver outras experiências que nos levam para além do “quadradinho GLS”. Sair desse meio reduzido, encontrar turmas que respirem o ar do dia ou encontrar um namorado para fazer programas diferentes é fundamental para a nossa saúde. Hoje em dia, e por experência real e própria, o preconceito e as restrições são muito mais amenas. É totalmente possível alugar um chalé na praia ou no campo para uma viagem a dois. Antes de mais nada você é consumidor! Antes de mais nada, se a gente quer respeito a gente oferece respeito.

As famílias também devem ser incluídas no seu cotidiano. Dá para por pais e irmãos nos encontros de final de semana? Claro que dá. Se o seu pai não gosta, leve sua mãe e seu namorado para almoçar fora, por exemplo.

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Voltei de uma viagem recente a Monte Verde com meu namorado. Estivemos em Mar Del Plata ano passado e vamos esse ano para Ushuaya. Nos finais de semana constumamos ir para uma casa de praia e juntamos parte da família. Mãe, pai e primos estão sempre por lá. E, ao contrário do que o preconceito pode dizer, isso não é “vida de casado”. Isso faz parte da vida, vida simples, sem os limites pequenos do meio GLS.

É importante a gente ter em mente que ser gay não é um rótulo que nos exclui de lugares, pessoas e convívios. Essas barreiras ou restrições estão mais dentro da nossa cabeça. É aquela velha história: as coisas acontecem do jeito que gente acredita.

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