Ser gay | Amigos


Namoro gay: Até quanto vale idealizar uma relação do passado?

Hoje vou sair com um amigo. Meu namorado vai trabalhar até tarde e, numa sexta-feira friazinha, um bom jantar para matar as saudades, colocar os papos em dia e dar risadas é sempre bem-vindo. Conheço o amigo de hoje há 6 anos. Dizem que a amizade que vem do trabalho é fiel. Não posso duvidar.

Combinando o jantar por Skype, relembramos de um amigo em comum, o “Chico”. O Chico tem trinta e poucos anos, atlético, boa pinta, trilíngue e bastante inteligente. Não é uma pessoa que passa despercebida nos lugares públicos. A primeira vez que o conheci foi por esse amigo, esse que vou jantar hoje. Naquela época o Chico namorava, uma longa relacão de sete ou oito anos. Perdi o contato um tempo, até o dia que o reencontrei numa festa de aniversário. Tanto eu como ele tínhamos acabado de terminar os respectivos namoros e estavávamos na super disposição de encarar as diversões da noite.

Tive a oportunidade de me tornar mais íntimo do Chico. Ambos “recém-solteiros”, passamos a frequentar bares e baladas juntos. O Chico, a princípio, era uma pessoa entusiasmada, bom de papo, bom para sair junto. Com o tempo fui conhecendo melhor o amigo e percebi, como todos nós, que a intimidade vai diluindo aquele tipo de personagem que criamos para o mundo. Talvez em todos os meios, mas principalmente no meio gay que conheço, as pessoas da noite, da balada, são a maioria figuras impecáveis. Muitas vezes assépticas e, de tão alinhadas, parecem de mentira. E claro, na noite, o importante é ostentar!

Foi nesse contexto de novas percepções que fui reconhecendo o Chico. Papo vai, papo vem, o amigo ainda idealizava profundamente o ex-namorado. Parecia que se envolver com outra pessoa era uma batalha racional. O Chico chama atenção, sempre teve candidatos, mas esses candidatos tinham inúmeros defeitos as vistas do Chico. Curioso que quem terminou o namoro foi ele. Curioso como colocava bloqueios. Até determinado momento eu me identificava com o Chico. Términos de relação, por bem ou por mal, geram reações semelhantes em todos.

A relação com o Chico, que começou leve e descomprometida, passava a exigir da paciência.

Com a rotina na vida noturna não é difícil criar turmas. Quando as turmas se formavam, o Chico precisava ser o destaque. As vezes, o Chico tinha que opinar tanto e defender mais ainda suas opiniões que, a mim, beirava a falta de educação. Sair somente com ele era motivo de ouvir, quase que exclusivamente, suas lamúrias da relacão mal resolvida com seu ex-namorado, embora ele não assumisse que existia um idealizado.

Em determinado momento, comecei a pensar diferente do Chico.

Muitas e muitas vezes sai com o amigo para poder aconselhá-lo e motivá-lo para que quebrasse com aquele modelo. Eu tinha saído de uma relação na mesma época que ele, de alguém que gostei muito, mas busquei encarar os fatos olhando para frente e para o novo. O Chico exclamava as vezes: “Eu odeio essa sua positividade!”. Eu só dava risadas.

Tivemos horas de conversa na mesa de bar, em casa e em seu apartamento. Com esse jeito conselhereiro que tenho, acabávamos nos entendendo.

Acabávamos nos entendendo até o momento que alguma coisa ficou fora de sintonia. O Chico não aceitava mais conselhos e pontos de vista mas precisava expor suas angústias. Todos tinham que ouvir calados suas questões e desabafos. Qualquer intervenção era motivo para conflito. A questão passou a ser: ter ou não paciência com Chico. A paciência acabou quando o amigo revelou, entusiasmado: “Eu mantive um caso secreto com meu ex-namorado por todo esse tempo”.

Chico, cansei de você.

Faz mais de um ano que não o vejo. Muito pelo fato da minha vida corrida de trabalho, que se divide com o tempo livre com meu namorado. Mas não posso negar que o “peso” do Chico é algo que me deu preguiça e ainda me dá. Fiquei com essa impressão do amigo, essa coisa dele sempre “estar de chico”!

Hoje seria um momento para convidá-lo mas, sinceramente, hoje é sexta-feira!

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