Relacionamento gay as vezes é tão confuso!


Relacionamento gay as vezes é confuso. Mas isso tem muito mais a ver com ser humano do que ser gay.

Estivemos eu e meu namorado num festival de música em São Paulo e encontramos alguns amigos por lá. Um deles, o “Crânio” é um amigo gay que se aproximou bastante em 2009. Foi companheiro de muitas baladas, algumas viagens e de muitas e muitas conversas sobre a vida e “tudo mais sobre a nossa realidade de ser gay”. Foi uma surpresa boa ver o amigo. Fazia um tempo que não nos encontrávamos. Nos atualizamos rapidamente e num momento ele exclama: “não estou mais namorando. Essa coisa de morar com a mãe não dá certo” – referindo-se ao ex-namorado.

Depois que vimos o Crânio, meu namorado fez um comentário bastante pertinente que só me dei conta depois: “Estranho o Crânio falar daquele jeito do ex-namorado. Parecia que estava comemorando (…)”. Não tinha notado essa maneira, mas depois que meu namorado colocou, realmente, foi de um jeito que eu chamaria de “orgulhoso”: está bom assim porque o problema é o ex-namorado.

O Crânio é do interior de São Paulo e mora na capital há alguns anos. Tem a vida emancipada faz algum tempo e costuma sublocar o apê para outras pessoas. Já vi alguns estrangeiros passarem por lá, e quando o conheci morava com a “Gianina”, uma argentina comuncativa, intensa e que, por sorte, simpatizou bastante comigo.

Sorte porque, depois de um tempo de convívio na casa do Crânio, percebi que a relação que ele tinha com a Gianina era mais envolvida que uma simples amizade. Só não havia sexo entre os dois. Apesar do Crânio ser inteligentíssimo, existia uma dependência emocional por Gianina, o que fazia a moça apontar quem poderia se aproximar do Crânio e quem não. E, até mesmo sem querer, o meu amigo permitia esse certo controle.

Durante um ano que frequentei aquela casa, pude perceber a Gianina classificando os potenciais parceiros para o Crânio. Não só os parceiros, como quem deveriam ser os outros sublocadores. O amigo é bonito, inteligente e emancipado. “Prato cheio” para os rapazes solteiros que são muitos! A minha sorte, como comentado, foi eu não me sentir envolvido pelo Crânio. A Gianina perceberia. Notando a amizade mais autêntica, rapidamente a amiga me acolheu.

O Crânio estava totalmente acomodado na relação. A Gianina supria de certa maneira suas necessidades emocionais, era a companhia certa nas horas de solidão, a parte da relação que ouvia, aconselhava e preenchia. Vez ou outra, quando o Crânio precisava de sexo, se atracava por aí com um bonitinho, mas não desenvolvia mais nada.

A princípio essa minha percepção poderia estar equivocada. Mas, um dia, Crânio e Gianina brigaram, evidentemente numa situação de desgaste da relação, e Gianina não mais morava com o amigo. Conversei com o Crânio, expus –  na intimidade de nossa relação – meu ponto de vista e ele concordou em partes.

Algumas semanas se passaram e o Crânio entrava em um novo momento: “estou querendo namorar, estou querendo encontrar alguém”. Curioso essa vontade vir semanas seguintes à partida de Gianina. Rapidamente já haviam candidatos e cheguei a conhecer o ex-namorado, do começo desse texto. Antes dele teve uma tentativa, que durou um pouco mais de um mês e esse último relacionamento, se não falho com as contas, deve ter durado 3 meses.

Esse caso real, entre outros que vou postar por aqui, ilustram algumas situações de nossa realidade. O Crânio não é o primeiro nem o último amigo gay que acaba se nutrindo emocionalmente de amizades e, muitas vezes, femininas. Já postei aqui sobre a dificuldade de relacionamentos no univeros gay e esse é um exemplo.

O buraco acaba sendo mais em baixo: qualquer relacionamento afetivo é difícil. Expor a intimidade é delicado, e deve ser um dos maiores desafios que a vida nos coloca. Supera que quiser!

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