Por que é difícil os pais aceitarem a homossexualidade dos filhos?


Definir todas as razões dos pais terem dificuldade para aceitar o filho gay é o mesmo que tentar racionalizar as relações humanas. A intenção não é fazer isso, mas sim, apresentar algumas questões em comum.

A sociedade brasileira é predominantemente católica e machista. Nos princípios do catolicismo a sodomia é proibida e no contexto de uma sociedade machista, o homem viril, cujo “sexo frágil” tende a ser submisso a ele, enxerga a homossexualidade com dificuldade. Bem ou mal é nessa sociedade que estamos inseridos. Portanto, pais de filhos gays e filhos gays precisam ter essa consciência e buscar maneiras amigáveis de abordar a questão dentro da família, superando as imposições e regras.

Nesse contexto, muitas vezes os pais temem pelos filhos. O receio da discriminação, da agressão e do preconceito passa a ser realidade para os pais. Nessas circunstâncias de sociedade machista, os pais temem pela a aparência: “o que os outros vão pensar?, ” como fica a minha reputação perante meus amigos sabendo que meu filho é gay?”.

Meu filho é gay

Esses paradigmas devem ser quebrados. Não existe controle, muito menos um fator que faça um indivíduo orientar-se pela homossexualidade. O que está definido cientificamente é que não é doença. E, independentemente da origem, crenças e opiniões, a homossexualidade é uma realidade social.

Partindo desse pressuposto, a família deve tratar desse caso com consciência. Sabemos que omissão ou repressão não são remédios. A boa educação fala em diálogo. A primeira coisa que os pais de filhos gays devem fazer é buscar informação. A intransigência não leva a nada, muito menos fingir que nada está acontecendo. Os pais devem se esforçar, se desprender do esteriótipos e das próprias limitações sobre o tema. Uma atitude severa ou a falta de atitude não correspondem à maturidade. E maturidade é o que os pais devem buscar, se o objetivo é chegar na harmonia dentro de casa. Em outras palavras, pais podem ser imaturos sim, e precisam rever!

Ao mesmo tempo, devem se livrar do sentimento de culpa. O que efetivamente faz o filho ser gay? Não há respostas, mas a realidade está aí, diante dos olhos, no núcleo familiar. Se livrar da culpa é elevar essa situação a uma esfera mais esclarecida, um patamar na qual entendemos que homossexualidade faz parte da realidade humana também, e é apenas uma variante, que não temos controle e não nos cabe julgar ou moldar.

Como gay, há 10 anos assumido para pais e amigos, posso afirmar que sou realizado não exclusivamente por ser gay, mas por ser um indivíduo autônomo, que não coloca a minha sexualidade a frente de meus valores como indivíduo. E a realidade é essa: nós, filhos gays, antes da homossexualidade, somos pessoas com princípios, valores e responsabilidades. São nesses temas que os pais de filhos gays devem ter o foco: o valor está na base da educação, e não na sexualidade.

Focar toda a angústia em um único ponto é desumano e frágil. Claro que não é fácil, pois temos o contexto social ou o pensamento que vai contra a essa maré, e idealizamos as nossas expectativas nos filhos, o que é um pouco egoísta, já que filho – gay ou não – é criado para o mundo e não para os pais.

A angústia, a repressão ou a omissão podem ser o começo de tudo mas não deve ser o fim.

Tudo isso é um exercício de evolução e evoluir é preciso.

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