Kit Gay para quê?

Muito tem se falado nos últimos dias a respeito do tal “Kit Gay”. A começar pelo nome, me questiono a necessidade desse kit.

Sou formado em propaganda em marketing há 10 anos e, primeiramente, devo me manifestar quanto a essa ideia de comunicação: Kit Gay? Não teria um nome mais eficiente para esse material? Vi um pouco do conteúdo e, manifestar a identidade gay com uma imagem de dois meninos se beijando, é um tremendo erro de comunicação.

O Kit Gay representa a falta de consistência de nossa cultura e educação. O material representa uma das piores maneiras de levar a realidade gay as escolas. Vivemos em um país machista e de cultura limitada. Desconsiderar esse fato e criar kits sem um plano de comunicação e sem um pensamento quanto a sua eficiência, nada mais é que uma representação da falta de tato de nossos líderes, que são responsáveis por disseminar ideiais e ideologias de maneira mais embasada. Pelo menos é assim que deveria ser.

O Kit Gay é um erro e aqui está um gay falando a respeito. Esses equívocos não devem acontecer. O assunto já é bastante polêmico e envolve a identidade de milhões de brasileiros gays para que esses conflitos com a sociedade aconteçam. Se a ideia foi chocar, existem maneiras mais inteligentes para isso!

Por essas e outras que digo que não devemos depender exclusivamente dos governantes para disseminar nossos ideais, muito menos de uma consciência maior de nossas famílias e amigos. É muito delicado colocar determinados tipos de responsabilidades nas mãos de quem não entende e não sente. E isso é um pensamento administrativo, de planejamento. Cada gay que lesse esse post deveria fazer a sua parte diante sua família e seu grupo mais próximo. Isso é um ideal.

Deveríamos sair do armário e nos apresentar, não só em quantidade uma vez por ano no “Carnaval” da Parada GLBT. Deveríamos, toda semana, orientar e esclarecer pessoas próximas da gente. Deveríamos assumir uma postura menos esteriotipada, passar a personificar menos o “melhor amigo divertido”, e revelarmos nossos valores e caráter. Sofremos, nos inconformamos, mas de fato, pouco fazemos.

É evidente que uma vida mais comprometida traz o peso da responsabilidade, que pode nos afastar do ar festivo e “leve” da vida que tanto valorizamos. Mas, como ideal, deveríamos assumir mais a nossa responsabilidade. Articular e expor para aquele que está próximo mas desconhece ou só conhece o superficial.

Enquanto isso não acontece, brindemos aos Kits Gays que tão bem nos representam!

2 comentários Adicione o seu

  1. Maykon disse:

    Antes de mais nada, devo admitir que não tenho um veredicto sobe o “kit-gay”, pelo fato de não ter lido as cartilhas e muito menos assistido os vídeos. Mas antes de nada, o mínimo que se deve saber é que o “kit-gay” não é o nome verdadeiro do projeto, mas sim kit-antihomofobia (Kit Gay foi o apelido dado a bancada evangélica e Bolsonaro e acho que no mínimo vc deveria ter essa informação).

    É inegável que há sim a necessidade de se combater a homofobia nas escolas, pois ela está fortemente ligada ao Bulling, tema da moda hoje. Creio que muitos homossexuais devem ter passado grandes constrangimentos pelo fato de serem piadas durante anos a fio, seja dos colegas, sejam dos professores preparados. Isso influi nas notas, nos rendimentos, na formação do caráter, da sensibilidade e até na mentalidade do jovem (ok, não vou tocar no caso extremo do rapaz do Realengo).
    O problema da mídia é que ela acaba colocando focos não tão importantes para se tentar “bombardear” o governo, isso é fato, afinal, “Kit-Gay”, Livro de Gramática (totalmente bombardeado, sem ter sido lido e discutido) e Marcha da maconha, estão mais em voga do que os inúmeros casos de corrupção partidária, assassinato de ativistas florestais, eleição do FMI e greves de professores, rodoviários e penitenciários…

    No dia em que a escola deixar de ser um lugar em que se discute cidadania, então paro a faculdade aqui:não há motivos para ser professor.

    1. minhavidagay disse:

      Olá Maykon,
      obrigado pelo seu ponto de vista, que aponta sim para questões mais profundas da relação dos homossexuais com a sociedade e governantes.
      Quanto ao nome “Kit Gay”, tenho a consciência do nome real. Acontece só que, no final, acaba valendo o que a sociedade absorve, o que se torna popular e comum na boca das pessoas.
      Tentar difundir a homossexualidade em “formato de kit” não resolve. Depender de governantes e de uma consciência da sociedade também não. Termino o post numa reflexão sobre a importância dos gays se manifestarem para os grupos sociais mais próximos e para a família. A conscientização mais efetiva deve começar a partir daí, do micro para o macro.

      Um abraço.

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