Parada GLBT. Qual o sentido?


A Parada GLBT, destinada para gays, lésbicas, simpatizantes, bissexuais e transgêneros, que acontece todos os anos em São Paulo e em outras capitais é um dos movimentos mais amplos, que expressa em quantidade nosso universo dentro do Brasil.

A cada ano, levantamos a bandeira de quantas pessoas se reúnem no Centro e na Avenida Paulista, para essa manifestação, e o objetivo é ter um número maior, ano após ano. Porém o conceito da Parada GLBT perdeu-se há algum tempo. Movimentações desse tipo teriam um sentido muito maior e uma reação mais eficiente se o valor de militância social estivesse presente. O que se tem hoje é um dia free pass para esse universo GLSBT se manifestar, algo que se assemelha muito mais ao Carnaval ou a uma grande festa popular, na qual gays, lésbicas, simpatizantes, bissexuais e transgêneros de todos os cantos do Brasil e do mundo aglutinam-se para expressar um pouco das vontades individuais.

No final, o que acontece é uma enorme balada de música eletrônica, de reunião de classes sociais distintas e muito diversão. Acabamos por mensurar pela quantidade e não pela qualidade.

Meu pai, que limita-se a não desenvolver a ideia de ter um representante gay na família, já sugeriu dar um pulo numa das paradas para ver “a festa”. Em outras palavras, meu pai possivelmente é reflexo de outras pessoas que vão até o evento mas que não necessariamente esperam, sem nenhuma resistência, um gay na família. Mas se buscamos quebrar esse bloqueio, qual o fundamento dessa festa toda?

A Parada GLBT é mais uma oportunidade mal utilizada. Talvez, pelo fato do brasileiro levar as coisas mais na brincadeira, numa “leveza” que em muitos momentos é saudável, mas que em outros nos tornam passivos e alienados, deixamos de expressar nossa militância com a seriedade e a objetividade de esclarecer a sociedade.

Já fui em duas paradas para registrar o movimento, que é um evento massivo de cores, formas e diversidade de pessoas. Porém é uma massa que mais brinca, beija (e transa) do que efetivamente se expressa quanto a direitos e sua representatividade. É um dia belo pela grandeza, mas vazio de propostas.

De fato, a Parada GLBT pouco instrui a sociedade quanto ao que somos. Se eu dependesse desse evento para esclarecer meus pais eu teria mais problemas!

Afirmo que um casal de namorados gays de mãos dadas na Rua Augusta, todos os dias, sem alardes e euforia, traz mais reflexão do que a Parada GLBT. É no contato do dia a dia, nas ruas e dentro de casa, que se forma a consciência.

Afirmar com frequência para meus pais e para os pais de meu namorado que a homossexualidade é uma realidade, que temos um relacionamento e que vivemos uma vida tão cheia de responsabilidades, anseios e objetivos como de qualquer outra pessoa é o que joga luz ao pequeno universo de cada um. Deixamos de priorizar uma imagem muitas vezes deturpada e passamos a nos embasar em conteúdo.

A Parada GLBT, dá forma que está, é uma ode aos esteriótipos. Eu quero quebrar paradigmas e não cultivá-los. O que não quer dizer que não irei outras vezes na Parada GLBT. Mas não vai ser lá que terei voz, muito menos pessoas para me ouvir.

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