Gays e amigos heterossexuais

Apesar de comentar com frequência que a nossa sociedade é machista e retrógrada, percebo que hoje a homossexualidade é vista com muita mais naturalidade do que ontem. Pelos menos, em alguns pequenos grupos a homossexualidade não é mais alvo de fobias.

Das minhas turmas do colegial e da faculdade sou o único representante gay. Meus amigos mais íntimos, fora os amigos gays, são todos da geração do final da década de setenta, com hoje no mínimo 30 anos. Todos heterossexuais. As pessoas que trabalham comigo também e assim, a minha volta e diariamente, todos que tenho convívio mais intenso não são gays.

Fui assumindo para todas as turmas em 2001, época que ainda era mais difícil notar casais gays circulando mais livremente nos guetos, como a Rua Augusta. Hoje, essa tranquilidade foi conquistada e convivemos com alguns jovens, homens e mulheres, passeando por algumas regiões de São Paulo com mais liberdade.

Todo esse cenário, que é novo e tende a se estabelecer mais ainda, já aponta para uma sociedade que está absorvendo cada vez mais a nossa realidade. O caminho ainda é um pouco longo pois envolve princípios e valores nos núcleos familiares em cada lar, mas as mudanças começam a ser mais evidentes, mesmo que ainda parciais. (Digo parciais porque ao meu ver, ser um gay bem resolvido, é ser assumido para todos os níveis, principalmente para os pais).

Gays e heterossexuais podem conviver em hamornia. Podem levar com mais naturalidade as diferenças de hábitos e costumes. Os novos tempos apontam para isso.

Ainda fico em dúvida de como meus amigos vêem a possibilidade dos próprios filhos serem gays, quando tiverem. Creio que a fobia se intensifique nessa situação, mas, ao mesmo tempo, o fato deles conviverem comigo e com meus outros amigos gays, é uma referência mais nítida desse universo que, outrora, soava como obscuro, promíscuo e esteriotipado.

(Promiscuidade existe e permissividade também. Mas isso está menos relacionado ao gay e mais à formação de cada indivíduo. Casas de suingue heterossexuais estão na mesma proporção que saunas gays e existe sempre um público para isso).

Gays e amigos heterossexuais que convivem normalmente são aqueles que superaram preconceitos mutuamente. Existem muitos gays que ainda tem preconceito de heterossexuais também, principalmente de homens heterossexuais. O contrário nem preciso comentar aqui.

Viver bem é também acabar com esses tipos de barreiras. Dependemos da compreensão mútua em diversos níveis: em casa, na escola, no trabalho e com os amigos. A consciência dessa interdependência promove uma sociedade mais civilizada.

Pois bem, o convívio entre pessoas heterossexuais e homossexuais é um exercício de civilidade. E esse pensamento deve ser refletido por ambas as partes. Ou você acha que não tem gay que precisa ser mais educado? Ah, se tem!

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