Não tem medo da AIDS? É bom se preocupar!


Começava a minha adolescência na década de 80 e pude presenciar nas capas da revista Veja a morte do Cazuza e do Renato Russo. O mote era esse: “A AIDS é uma doença dos gays. Cuidado!”. Até o começo dos anos 90 perdemos outros grandes artistas como o Freddie Mercury do Queen, e alguns galãs globais, marcos de beleza.

Quem viveu esse período perdeu amigos e sentiu o peso da analogia “AIDS e Gays”. A SIDA era a terrível enfermidade, “castigo de Deus”, que estava colocando um freio na humanidade, o freio nos gays.

Aos poucos a ciência foi trazendo o esclarecimento para os religiosos e para os desinformados. No começo, o preconceito tomou força e abraçar algum aidético era a certeza de contrair o vírus.

Hoje, a sociedade se esclareceu por um lado: de cada homem, duas mulheres tem AIDS e essa proporção se dá por conta da infidelidade do homem heterossexual que tem mais de uma parceira. Por outro lado, a mesma sociedade, após três décadas se esqueceu ou lembra muito pouco da doença. A tecnologia avançou e as “evoluções” do AZT garantem uma excelente sobrevida para quem é HIV Positivo. Todos já sabem que a AIDS não se transmite em um abraço e já não associam mais a doença aos homossexuais.

Porém, não existe mais a prevenção e as recomendações como na década de 80. O controle pelo medo e pela mídia trouxeram resultados. Mas os jovens de hoje andam descuidados novamente e, não raro, acontecem casos de morte no meio GLS, de algum colega que pegou uma “pneumonia fulminante”, típica dos portadores do HIV, entre outros casos.

O tempo passou, mas falar que o filho gay morreu de AIDS ainda é uma vergonha.

Não quero fazer a propaganda do uso da camisinha, muito menos da prevenção. Deixo aqui apenas a constatação de que tem muita gente que transa e não se dá conta que a AIDS sempre esteve no meio de nós. Eu, que vivi perdas de ídolos da música e convivi com uma mídia massiva apresentando a doença como algo terrível, guardei em mim um pouco dessa referência. E os jovens que nasceram depois desse período? Que tipo de orientação recebem?

Creio que pouca ou muito pouca. Conheço pessoas com seus quarenta e poucos anos que tem AIDS e que viveram aquela época do “surgimento” da doença.

Não gostaria de saber de um amigo de vinte! E se eu souber será uma “pneumonia fulminante”!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s