Crises de um casamento (gay)

Durante 3 anos fui casado. Não no “papel passado” mas convivi diariamente e sob o mesmo teto com meu ex. Deixo um pouco dessas experiências de casamento entre dois homens, as boas lições e as situações que um casal gay deve tentar evitar!

Meu casamento foi muito bom nos dois primeiros anos quando a paixão predominava, mas no terceiro foi repleto de vícios de relacionamento, manias e inseguranças o que provocou a separação. Hoje, posso dizer com mais clareza que foi um amor às avessas (rs). E raros são os casais que hoje em dia conseguem descobrir o amor naquela fluidez desejada. Normalmente, vivemos bem com o outro enquanto existe a química da paixão, correndo em nosso sangue, alimentado a mente e alma. Quando acaba (e sempre acaba) a ideia é dar espaço para o amor. Amor é perceber o outro para além das qualidades. Enxergamos os defeitos, as divergências, os maus hábitos, as diferenças e, se não existe esforço e um desejo maior de estabelecer acordos, diálogos e, fundalmente concessões, o casamento gay (ou qualquer outro) termina pois, nos tempos atuais, se a gente está sofrendo a gente costuma a pular fora. Eis um parênteses importante no início desse post: viver de paixão é fácil porque não exige esforço, é como uma anestesia, uma droga que nos impulsiona ou vicia, e enche o parceiro de idealizações que as vezes nem correspondem à pessoa que realmente é. Podemos nos apaixonar facilmente, a toda hora, paixão que dura dias ou meses e, se existe uma magnetismo e permissão maiores, um ou dois anos.

Viver sob o mesmo teto depende de muita clareza nas escolhas, uma consciência sobre crescer junto, não idealizar e fazer concessões! Sim, dá trabalho! Mas sem empenho, não há amor.

Mas quando a paixão acaba, é aí que “a bicha” pega! E assim, pegou comigo…

A paixão, que foi intensa e que nos juntou num impulso, tinha acabado depois de dois anos. O terceiro foi de muita crise, ameaças de suicídio, envolvimento de terceiros que nada tinham a ver conosco e tudo de muito excesso. Afinal, bem ou mal, o lado “selvagem” do ser masculino é mais agressivo que o feminino. Logo, dois homens em pé de guerra costumam ser muito, mas muito intenso!

Nossas diferenças foram ficando claras a medida que a energia da paixão foi diminuindo. Questões relacionadas a diferença de educação, estilo de vida e princípios foram se estabelecendo e, sem o amor, sem a consciência de concessões e sem diálogo, qualquer movimento era motivo para estresse. Do meu lado uma intransigência muito grande. Do lado dele um ciúme fantasioso imenso. No meu caso, que sempre estive mais preocupado com as questões estruturais da vida, estudos, crescimento profissional, evolução pessoal e harmonia no lar, passei a ter um “rival” que, por conta da falta de confiança em si (ou dúvidas quanto aos seus desejos mais íntimos), começava a criar histórias fantásticas sobre a minha possível infidelidade e que, diante da situação em que duas pessoas vão deixando de se apaixonar, ao invés de buscar o diálogo e resoluções em comum acordo, entrava em desespero e me cobrava um tipo de acolhimento que não era mais possível oferecer.

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Da paixão para o amor a vida nos exige dar um tipo de salto. Exigência tem a ver com vontade e esforço. Nos prender aos hábitos viciosos e não ter força para romper com manias e pensamentos pré-concebidos sobre o outro acaba nos amarrando e, sem querer, acabamos por minar a própria relação. O outro nunca será um recheio para os buracos de nossas carências!

Apesar de toda intensidade e “capítulos” quase surreais de atitudes ou falta de atitudes, esse foi mais um relacionamento que acabou pela ausência de respeito e pelo desgaste.

Isso é o que todos dizem: “minha relação acabou pelo desgaste”. “A minha porque acabou o respeito”. Mas com mais clareza, posso afirmar que a minha relação acabou pela falta de maturidade e consciência, eu com 27 anos e ele com 25. Jovens, ainda buscando por outras emoções, que não deram mais valor para tudo que foi estruturado por ambos durante dois anos.

Para amar, precisamos ser capazes! Capazes de traçar diálogos constantemente, capazes de colocar a importância do companheirismo acima de desejos individuais, capazes de fazer as nossas concessões. Capazes, acima de tudo, de não projetar e esperar que o outro faça isso ou aquilo por você. Quando a gente espera muito do outro, assumimos uma dependência.

O amor só existe quando é de igual para igual. Do contrário, pode ser submissão, necessidade de controle ou qualquer outro desiquilíbrio que tende a romper relações. Culpamos o outro, ofendemos, lançamos adjetivos ao ar e empurramos responsabilidades. “Tiramos o corpo fora”, quando na realidade, para fazer virar, a mente e a alma precisam estar mais focadas. E essa disposição só é válida quando ambos compreendem essas “energias maiores”.

A maioria das vezes quando pronunciamos “eu te amo” é porque estamos apaixonados. Funciona bem por algum tempo, o tempo que a paixão determina. Só que, em muitas vezes, sobre o amor a gente ainda está aprendendo. Mas a gente tende a acreditar que foi amor…

26 comentários Adicione o seu

  1. 100teo disse:

    Que post sincero. Estava procurando pelo Google depoimentos sobre morar com um namorado e acabei achando seu blog.
    Atualmente, namoro um rapaz que, em termos, também é inseguro com alguns aspectos físicos nele, é um tantinho paranóico e pela vida que leva, um pouco solitário.
    Porém, isso nunca influenciou o fato de amá-lo e querer estar ao lado dele para apoiar e ajudá-lo sempre.
    E recentemente, ele me fez um pedido para morar com ele, ano que vem. E lendo seu texto pensei em tantas coisas que precisam, ainda, ser acertadas para que esse relacionamento dê certo.
    Gostei bastante do blog, abraço.

    1. minhavidagay disse:

      Olá “100teo”!
      Como o “Minha Vida Gay” tem sido um blog de referência para os usuários, busco ser o mais transparente e sincero possível! As vezes objetivo demais… mas entendo que muitas vezes a prática é que faz a diferença quando o assunto são as questões da homossexualidade.

      Não quero minar nenhuma possibilidade de casais morando juntos! (rs) Mas de fato, o convívio diário e íntimo exige bastante da gente. Relacionamento, no geral, já é um tema complexo. Imagine, nos tempos de hoje nos quais os valores andam tão individuais, dividir o mesmo teto? É necessário reflexão, diálogo e maturidade. Só desejo não sustenta o relacionamento de um casal em uma mesmo ninho.

      Bem, espero que retorne ao blog!

      Abraço!

  2. Ví a minha vida, minha atual situação no seu post, e assim como o rapaz que falou aí em cima, eu estava também procurando a ajuda do Google, para a minha atual – infelizmente – crise e foi exatamente em suas palavras, sem tirar uma única virgula, que minha vida se refletiu na tela do computador.
    Hoje, assim como você já viveu, vivo uma relação em crise, com acontecimentos absurdamente parecidos aos seus.
    Procuro coragem todos os dias para tentar terminar, mais meu coração acaba dando uma brecada na hora ‘H’, enfim, quem sabe ainda volto aqui pra falar o que “virou” disso tudo e quem sabe contar minha história… à você, e olha que daria um bom roteiro de filme, pois sofri abuso na infância, tenho digamos “um pênis anormal” desde a infancia, filho de pais separados, já passei muito aperto nessa vida, moro com um cara há 1 ano e meio, mais o famoso “desgaste” é como se já estivéssemos feito bodas de diamante!… e por aí vai…
    Preciso de ajuda e não sei o que faço.
    COMPLETAMENTE PERDIDO

    1. minhavidagay disse:

      Oi Willer!
      Bem, vamos lá: você parece um pouco angustiado! Primeiramente, tenha calma. A dica que posso dar, quanto a crise e o mal estar dentro de casa, é que você converse com tranquilidade com o seu companheiro. É importante definir os limites e, na base do diálogo, chegar num denominador comum. Se a situação estiver muito crítica, realmente sei como é desgastante estar sob o mesmo teto com alguém que não temos mais afinidades! E é ruim para ambos os lados!

      É fundamental paciência de qualquer forma. O mais importante é uma das partes, no caso você que está procurando por ajuda, não perder o controle, não se deixar levar pelas ameaças, se é que elas existem, e não cair nas provocações que possam existir. Uma das partes, mantendo o controle e não deixando-se levar pelo modelo ruim que se estabeleceu, é um bom começo. MAS BUSQUE A CONSCIÊNCIA DA PARTE QUE TE CABE TAMBÉM, porque numa crise de casal, AMBOS têm responsabilidades pela situação estar como está! Depois, não se ausentar nem enfrentar é o melhor caminho. Busque pela racionalidade e tente controlar as emoções. Uma das partes tem que fazer isso. E se você é quem está procurando ajuda, deve pensar sobre isso.

      Ao mesmo tempo, você freia na “hora H”. Por que será que isso acontece? Qual a insegurança? Reflita a respeito, com a mesma calma que deve se estabelecer e encontre em você os motivos que fazem você desistir (se é que você já não sabe). Será que ainda gosta do companheiro? Será que tem medo da solidão? Será que você acredita ainda na relação? Será que teme pelo tipo de vida que será sem ter o parceiro? Essas dúvidas devem ser esclarecidas por você e para você mesmo. Assumi-las e seguir em frente vai te ajudar bastante.

      Temos que aceitar nossas condições, independentemente dos outros. A maioria das pessoas não estão no mundo para cuidar das nossas vidas e para nos confortar. Quem cuida de nossas vidas somos nós mesmos e, as vezes, encontramos pessoas em nossa sintonia que vêm para crescer junto. Mas isso é raro. Na maioria das vezes temos que nos superar e nos desbloquear por nós mesmos. Confiar em nós mesmos é o passo principal para manter a felicidade predominantemente.

      Acredite: todos nós temos problemas, passamos por dificuldades, vivemos crises e inseguranças, mesmo tendo muito dinheiro! Depender de outros acreditando que vão resolver nossos problemas é uma ilusão que a gente mesmo cria.

      O esforço é de tentar não nos fazer como mártires e aprendermos o exercício de superação. Olhar para trás com mau gosto ou desespero não é saudável. Somos o que somos e temos que nos contentar como somos. E se estamos descontentes temos que lutar para melhorar, superar, evoluir, desencanar e não justificar a toda hora o que somos pela vida que temos ou tivemos. E tudo isso exige esforço. Esforço faz parte da vida, faz parte do crescimento.

      “Deus escreve certo por linhas tortas”. Ninguém carrega uma pedra maior do que pode carregar. Essas situações difíceis, complicadas, aparentemente sem saída, só nos fazem amadurecer. Tire proveito dessa situação nesse sentido: cresça com isso, amadureça seus atos e seja uma pessoa melhor com tudo isso!

      Tenho plena consciência de que é difícil já que passei por situação semelhante. Mas a gente sobrevive e, se formos espertos, nos tornamos pessoas melhores com isso. Mas nos tornar pessoas melhores é opção. Podemos crescer com isso ou justificar eternamente as dificuldades de nossas vidas pela própria vida que temos ou tivemos.

      O que você escolhe?

      Abraço!

  3. leo disse:

    Olá meu caro. Interessantíssimo esse post, add aos meus favoritos.
    Tente me dar a sua ótica para o meu caso então…
    Estou em um relacionamento de 2 anos, onde o começo como todos os relacionamentos, foi intenso, com muita paixão, muito tato, carícias, sexo e etc… o tempo passou muito rápido nesses dois anos e vivemos hj como se ja tivéssemos vivido 10 anos, o que não é muito bom no nosso caso.
    Sempre fiz de tudo pelo meu parceiro, tudo mesmo! sempre me doei por completo para ele, quase tudo que fiz na minha vida eu o cloquei em primeiro plano, e ele mais ou menos nõ reconhecia isso e não reconhece ate hoje.
    Tenho 29 e ele 35, até nos conhecermos ele vivia uma vida de ativo em suas relações anteriores e hj é só passivo comigo. Quando tínhamos 6 meses de namoro e ja mrando juntos ele descobriu varios contatos antigos em meu msn de supostos ex namorados e achou que eu tivesse sacaneando ele, resultado, peguei ele na porta do motel com outro.
    Papo vai papo vem, porrada p lá e pra cá e ele disse que se mataria e me pediu milhoes de perdões… enfim… perdoei e estamos juntos ate hoje, confesso que sou um pouco ciumento, gosto de saber onde ele está, com quem e fazendo o quê, mas ele não me dá a mínima, até fica o dia sem me ligar, chego em casa primeiro que ele e faço tudo para agradá-lo, cozinho bem, a roupa ta sempre passada, banco as contas dele, etc etc, modestia a parte sou um ótimo marido, e não traio e nem nunca senti vontade de traí-lo, mas ele, eu não sei, parece que não gosta mais de mim, eu levo e busco ele todos os dias no trabalho, sou louco e apaixonado por ele, de uns tempos para cá passamos a transar 2 ou 3 vezes por mês, beijos, não muitos, as vezes que transamos hj, nem nos beijamos, e ja conversei com ele sobre nossa vida sexual e ele sempre joga na minha cara que eu baseio nossa relação no sexo, eu digo que não e que não acredito em amor platonico, aí brigamoos sempre.
    Não me convida para sair para lugar algum, as vezes ficamos em casa sem fazer nada e só assistindo TV, e no fianl da noite ele vai dormir sem o minimo tesão.
    Não gosta mais de aparecer nu em minha frente ou entao dorme de bermuda para nao me estimular.
    Está sempre com dores nas costas e em todos os lugares, fala que precisa de tempo para se recuperar depois que transamos. Eu fico morrendo na mão e achando que ele tá me traindo por não conseguir ser ativo comigo e esta comigo pela amizade e dependencia finaceira.
    Com todas essas situações, eu fiquei meio bolado e resolvi largar de mão para ver quando ele me procuraria, resultado… ficamos 20 dias sem sexo, sem brigas e nos falando normalemte, aí então eu o procurei e ele cedeu.
    Não me faz caricias, nã toca no meu pau, não ousa mais na cama, não gosta que eu o acaricie a noite, enfim, estou sofrendo com essa rejeição, devo estar sendo um babaca por nao enxergar isso tudo.
    Esses dias recebi uma ótima proposta para mudar de emprego, só que para trabalhar de madrugada, o que se concretizasse eu só o veria uma noite na semana, pois este trabalho inclui sabados e domingos, logo, se mnha folga cair durante a semana eu só o veria uma noite por semana.
    Desisti da vaga e comentei com ele, sabe o que foi que ele me disse? “cara, vc é muito bobo, qual o problema de trabalhar de madrugada?, o que tem de errado nisso (como se ele ja nao tivesse historico de traidor, quando nao estava perto de mim)”
    Eu achei esse o maior absurdo, poxa, como eu aceitaria que meu parceiro trabalhasse de noite e eu de manhã e só nos vissemos uma vez a noite por semana?
    Eu gele na hora que ele me disse que nao era para rejeitar porpostas por causa dele, e fui fazer a entrevista com muito peso no meu coração sabendo que ele não deve mais me amar, e agora estou aqui tão triste, pois mesmo que eu nao aceite esta proposta, já está bem claro para mim que o ele não sente falta da minha presença, ah e digo mais, nesse novo emprego ainda corro o risco de ter de ir para outro estado ou entao fora do Brasil, e ele não tá nem aí…
    Enfim, gostaria muito da opnião de vcs ou de quem possa me ajudar a tomar uma decisão e entender o que está acontecendo com meu parceiro.
    Será que esqueci de me amar e só vivo para o próximo? será que ele ainda me ama?

    1. minhavidagay disse:

      Oi Leo,
      boa noite.

      Situação complicada a sua. Está certo que você baseia boa parte dos argumentos no sexo. Sobre o tema “sexo” no meio ponto de vista quando chegamos nos 35 anos, normalmente, a gente fica mais tranquilo mesmo. Você provavelmente vai saber do que estou falando quando chegar!

      Porém, no decorrer do seu relato, tudo indica que a sua presença física também incomoda. Fico na dúvida se existe diálogo, se existe jogo aberto e se existe carinho. Aparentemente, pelo que você relata não mais. Uma coisa é ficar o dia inteiro na frente da tevê, cada um num canto do sofá. Outra coisa é um deitar no colo do outro, rolar carícias de vez em quando, pegar na mão, essas coisas. Pelo contexto que você apresentou, parece que não tem mais disso.

      E se a relação está tão fria assim, alguma coisa está acontecendo.

      Não gosto da palavra culpa e prefiro usar responsabilidade. Pode ter certeza que tanto você quanto seu marido tem responsabilidade pelas coisas boas e ruins da sua relação atualmente. Pelo visto, você o serviu bastante nesse período e me parece que não o perdoou totalmente pela traição que aconteceu no começo da relação quando ele foi pego na porta do Motel.

      Por um lado, acho bastante válido o apoio que ele dá para o seu trabalho e seu crescimento. Mas também, não fica claro o quanto ele não se acomodou na parte financeira, você provendo inclusive a maior parte dos gastos dentro e fora de casa.

      É de se estranhar sim ele ser apático a realidade de vocês se verem uma vez por semana e não haver incômodo. Parece que está encostado e me parece também que você deixou essa situação acontecer!

      A questão que fica: é possível mudar? É certamente possível, mas é difícil. Se você tem interesse no seu marido, o ama e acha que vale a pena continuar, manter esse modelo possivelmente vai acabar te desgastando ainda mais. Para mudar e continuar você terá que ter bastante paciência, tirá-lo da zona de conforto aos poucos e construir com ele um novo modelo de relação. Mas isso só vai funcionar se ambas as partes tiverem interesse, sentirem que vale o esforço, porque sim, é ESFORÇO.

      Como narro na maioria dos posts sobre relacionamento, para construir uma relação não basta só as “mil maravilhas” da paixão. É necessário bastante força de vontade e esforço mútuo.

      Sei bem o que é acomodar o outro e isso sempre foi uma tendência nas minhas relações. Para mim, até um breve passado, era importante assegurar meu namorado ao máximo, deixá-lo totalmente a vontade e até mesmo criar uma dependência emocional e material para que eu me sentisse seguro, tranquilo. Normalmente, personalidades provedoras caem nesse tipo de “armadilha psicológica”. A gente conforta a pessoa ao extremo para achar que temos algum tipo de garantia, como a fidelidade. Confortamos ao extremo para criar um tipo de dependência e essa dependência gera um tipo de segurança, que é fantasiosa na verdade.

      Só que naturalmente a paixão esfria e saiba que existem estudos que garantem que a química dentro da gente e os sintomas da paixão duram em torno de dois anos! Quando a paixão acaba e a gente se dá conta das situações que nós mesmos nos colocamos, começam a surgir os desprazeres. A gente percebe que “adotou” uma pessoa na verdade. E, se alguém tem responsabilidade, somos nós mesmos. A pessoa que foi “adotada” passa a virar alvo de críticas, as posturas incomodam e o pouco que a gente quer dela, que pode ser sexo ou algum gesto simples de carinho, a pessoa não sabe fazer. Não sabe porque ajudamos a criar um modelo que tende a ficar rígido.

      Mostrar que precisa ser diferente, porque caiu a nossa ficha, é bastante difícil! Caiu só a nossa ficha. Se a outra pessoa está confortável e acomodada certamente não quer mudar.

      Seu caso é gay, mas é heterossexual também. É humano, das relações que rolam por aí e tem chances de se perder.

      Mas qualquer relação tem chance de se refazer. Mas depende dos dois e de MUITO esforço. Primeiro, para aquele que passa a ter a consciência, é necessário começar a mudar posturas. No seu caso, por exemplo, trabalhar melhor a questão da traição do passado e o quanto ainda te incomoda a ponto de provocar inseguranças é um primeiro passo. Ver também o que pode ir cortando aos poucos, desse estado cômodo que seu marido se encontra. E claro, fundamental agir e ter novos diálogos, novos pontos de vista e mostrar caminhos diferentes para a pessoa sem necessariamente dizer, mas agir! Se você ficar com muita conversa também, acabará sendo pai de novo. Mudanças de suas atitudes podem mudar as atitudes dos outros.

      Nesse planetinha Terra, meu amigo, ou pelo menos no Brasil que é a nossa referência próxima, as pessoas não estão querendo ter muita consciência das coisas. É melhor não saber para não sofrer, não pensar, whatever. Esse contexto pode trazer oportunidades mas ameaças também. Inteligente é aquele que busca a consciência dessa realidade e consegue articular em cima de tudo isso! No fundo não temos o controle de quase nada. E isso é algo que eu sinto que você precisa aprender! ;)

      Forte abraço e boa sorte!

    2. junior disse:

      Leo vivo uma relaçao parecida com a sua, o mesmo tempo de namoro, sempre me dediquei e pouco fui retribuido, temos a diferença de idade (eu 23, 44), falta de carinho, sexo, atençao, companhia, sinceramente nem sei se há amor da parte dele, tenho vontade de abandonar tudo e começar outra vida, só nao faço isso pq somos sócios numa empresa e eu nao tenho como comprar a parte dele. pessoal e emocionalmente vivo uma vida triste, a minha relaçao ao invés de amor foi dominada por trabalho, falta de interesse mutuo, atençao, dedicaçao do outro para comigo, cansei de correr atras, de me dedicar, de resgatar um amor, estou deixando rolar até onde der!

  4. Léo disse:

    Agradeço de coração a força, que vc, mesmo desconhecido me deu… Não sabe como pôde agregar na minha vida neste momento. grande abraço Léo. PS.: Lhe enviei um email para o contao do post, dá uma olhadinha lá!

    1. minhavidagay disse:

      Você mandou um e-mail no queroumtoque@gmail.com? Se sim, verei logo menos! Valeu!

  5. Léo disse:

    Terminei… Muito traumático, sem chão, perdido, vontade de voltar atrás, mas pra quê??
    Tentei e continuo com a sensação/desejo de continuar tentando, mas será em vão? Quanto tempo mais terei que perder ou sofrer com a desvalorização pelo parceiro, a falta de reconhecimento, rejeição, ou até mesmo minhas mazelas?
    Pode ser egoísta, ignorante da minha parte, mas pq que ele não faz nada para mudar? Pq que não deu um grito e jogou na minha cara que eu estou errado e tudo o que eu penso são argumentos sem fundamentos?
    Será mesmo que “quem cala consente”?
    No meu caso o silêncio parece que me conforta em todas as minhas “mazelas” e pensamentos medíocres, conforta e traz uma angústia que até hj não havia sentido.
    Dor pela perda, a frustração, o fracasso.
    Dois anos perdidos da minha vida na luta incesante em fazer o meu parceiro me enxergar e lutar por mim e pelo meu amor, não vejo mais o brilho nos olhos dele quando ele me vê, não vejo mais sorrisos voluntários para mim, brincar de casalzinho também não é comigo.
    Mas e agora, como suportar, o que fazer diante de todo o filme de tristeza que passa agora no telão da minha vida?
    Agora não tem ninguem pra voltar pra casa todos os dias, a cama está vazia, só um prato à mesa, só uma cadeira na varanda e ninguém para fumar um cigarro.
    E se voltasse atrás e fingisse que o erro e a responsabilidade é integralmente minha, faria efeito, ou seria sinal de covardia?
    Gente, tanta pergunta sem resposta, tanto o que aprender ainda, tanto o que ouvir nessa minha vida.
    Vida que segue…
    Léo.

    1. Daniel disse:

      Coitado… É assim mesmo. Tem horas que agente não deve seguir o coração. Vi seu post ali em cima, me compadeci com sua dor, sinto muito. Na verdade qualquer fim de relação é marcado como um facasso pessoal e íntimo, no seu caso não é diferente, mas passa, se for para crescimento passa, sofrer dói mas passa, se o amor passou, a dor tbm passa. sorte

  6. minhavidagay disse:

    Complentando o comentário do Daniel, esse sentimento de perda de tempo é totalmente normal. Mas tenha certeza que daqui um tempo, quando o vazio passar, você vai tirar boas lições, vai ver o quanto amadureceu e o quanto será mais capaz.

    Vi o post somente agora e, talvez, você já até tenha reconsiderado. De qualquer forma, no seu íntimo, sabe o que quer para você mesmo no momento.

    Boa sorte e lucidez nos seus atos!

    Abraço.

  7. Dan disse:

    Obrigado mais uma vez MVG! Sua frase salvou a minha semana: “O amor só existe quando é de igual para igual”. Eu relatei aqui no seu blog o meu processo de saida do armário há um mês atrás. Agora estou dando justamente o segundo passo de engatar uma relação… É minha primeira experiência neste “novo mundo” e suas análises maduras têm sido importantes em muitos momentos de reflexão… A frase que eu citei acima me causou um impacto muito grande, especialmente porque eu estava muito inseguro em minhas ações. Agora eu sei que somente segurança pode gerar segurança e isso tem me ajudado em meu totalmente novo relacionamento gay. Obrigado!

    1. minhavidagay disse:

      Que legal Dan!
      Boa sorte com essas novas possibilidades! ;D

  8. Darkbringer disse:

    Vou aproveitar e levantar uma questão: afinal, é muito mais difícil uma relação (seja ela sob o mesmo teto ou não) homossexual ou heterossexual? Creio que o homem tende a ser mais espaçoso, mais folgado, mais autoritário e quando se trata de uma relação homossexual entre homens, há essa competição. Claro que toda regra tem sua exceção, mas esses 2 tipos de relação (ou melhor, 3 tipos, incluindo a relação homossexual feminina) têm seus pontos fortes e fracos. 2 homens e 2 mulheres, juntos, se entendem melhor, talvez… Acho que o ponto fraco da relação heterossexual é justamente esse: o homem é diferente da mulher. Porém, a relação homossexual tem um fator bem negativo que inclusive foi citado em seu post: outras pessoas interferindo na relação, como também a exclusão pela própria sociedade, a aceitação da família e todos os problemas que um casamento nos proporciona. Quem dera tudo fosse flores… O ser humano ainda precisa evoluir. Não podemos continuar alimentando preconceitos e estereótipos, pois isso é uma barreira na evolução da sociedade e de nós mesmos. Se na natureza a diversidade é tão grande e tão bem aceita, por que conosco tem que ser diferente? Também fazemos parte da natureza! A sexualidade é algo muito íntimo para trazer consequências negativas como a exclusão do ser humano. Espero que todos aprendam a se amar cada vez mais. E quero estar vivo para ver homossexuais terem a chance de se beijarem em público sem qualquer tipo de preconceito. Para ver homossexuais se assumirem para a família sem qualquer tipo de dificuldade. Que o amor seja maior que valores fúteis sustentados por limitações. Devemos questionar o que consideramos normal e o que consideramos anormal para não nos atrelarmos a futilidades! Felicidade, paz e amor em primeiro lugar! Viva a diversidade!

    1. minhavidagay disse:

      Olá Darkbringer!

      Creio que não há uma regra para relacionamentos. Na realidade, o ato de se relacionar, construir uma relação de intimidade é um desafio para todos, homens, mulheres, heterossexuais e homossexuais.

      Talvez, realmente, homem com homem tragam algumas peculiaridades. Homens costumam ser mais territoriais e individualistas. Tendem a não querer discutir a relação e evitam diálogos que podem ser importantes para “acertar os ponteiros”.

      Mulheres com mulheres costumam ter uma tendência a querer morar junto, não é regra, mas no geral é comum ver um casal de mulheres que rapidamente estão sob o mesmo teto e, com altos e baixos normais de uma relação, conseguem preservar melhor esse modelo.

      Mas, como citei no começo, o aprendizado de um relacionamento pode durar a vida inteira. Exige bastante da gente e nos oferecem muita maturidade.

      Abraço!

  9. Daniel disse:

    Gostaria de lhe parabenizar pelo seu blog. Ele é maravilhoso, com relatos e experiências incríveis e, ao mesmo tempo, angustiantes. Estou começando a minha vida como gay assumido e fico muito preocupado com o meu futuro. Se no início tudo parecia ser somente liberdade, agora dou-me conta das barreiras e dos limites deste tipo de relacionamento. Sempre fico me perguntando o motivo de nós homens sermos tão escorregadios quando se trata de compromissos e a ter uma tendência horrível de deixar-se levar totalmente pela atração física não medindo as consequências emocionais disso (para ambos os lados)! Talvez eu seja a pessoa mais romântica e iludida do planeta, mas não quero que minha vida seja simplesmente uma sucessão de namorados sem a construção de uma relação estável durável. Será que não é possível envelhecer com a mesma pessoa ao seu lado sendo gay? Será que é um privilégio apenas dos heterossexuais celebrarem, por exemplo, bodas de prata e outras tantas? Muitas vezes me parece que as relações de amor entre gays possuem um prazo de validade que está diretamente relacionada a idade. Considero isso muito injusto e estranho. Eu não quero, por exemplo, chegar aos 60 anos de idade como um “solteirão”! Eu sei que existe no “meio gay” um discurso muito comovente enquanto se é novo de que o importante não é a duração mas sim a qualidade e o “momento”. Para mim, este discurso é uma prisão. É muito prático vive-lo enquanto se é novo e se possui família e diversos amigos ao seu lado, mas certamente, este discurso é muito distinto quando se pensa na realidade de gays idosos (acima dos 70, por exemplo). São muito poucos os casos, pelo menos que eu saiba, de pessoas que, nestas condições, não terminam sozinhas e solitárias. Tudo o que estou escrevendo pode soar como puro conservadorismo, mas eu me questiono se vale a pena “não sermos conservadores”, sabendo que o destino final de muitos dos não conservadores é a solidão. Peço desculpas pelas minhas palavras, mas achei necessário compartilhar esta minha impressão/angústia. Mais uma vez, parabéns ao MVG, um exemplo de maturidade neste meio!

    1. minhavidagay disse:

      Oi Daniel!
      Obrigado pelos comentários e pela apreciação do MVG.
      Realmente, vivemos num momento onde as pessoas tendem evitar relacionamentos mais firmes e acho que essa tendência é geral, não somente no meio gay.
      O meio em si proporciona uma vida mais desempedida e individual e muitas vezes esquecemos de nossa totalidade. Para alguns, parece que ser gay só funciona quando estamos no meio e para o âmbito da família, amigos heterossexuais e parentes, e trabalho não incluímos muito a nossa realidade sendo que, de fato, podemos exercer nossa totalidade em todos os âmbitos.

      Bem, vamos falando!

      Um abraço!

  10. Tom disse:

    Estou casado com meu parceiro há 12 anos. Tenho 31 e ele 48. Nos damos muito bem o sexo é sensacional e a minha dica é que haja sempre tranquilidadeb,diallogo e concessões de ambas as partes.

  11. Paulo disse:

    Muito legal, o blog!

  12. Rodrigo disse:

    Boa tarde, o meu relacionamento dura apenas 2 meses, temos pouco dialog ambas o de as partes. Gosto dele mas confesso que as vezes tenho pensado em terminar, e essa vontade de terminar piora quando saímos juntos, pois sempre que saímos nos estranhamos e acabamos discutindo por coisas bobas. Percebo que sinto mais vontade de fazer sexo que ele. Tenho 24 e ele 28. Procurei posts relacionados com com o seu justamente por me ver em apenas dois meses uma situaçao parecida. As vezes penso que o problema vem da minha parte, me indago muitasvezes, sou um rapaz muito bonito interessante tenho objetivos gosto de seo e me dou muito bem na cama, mas parece que nada disso adianta, porque não da certo? Percebo que quanto tento fazer caricias nele ele da um jeito de interromper. Tenho tido paciencia ate agora pois gosto dele. Realmente a falta de vontade de conversar um com o outro esta prejudicando, e vejo que ele não tem muito assunto comiggo, mas com as outras pessoas ele tem e bastante. Tenho ficado inseguro por causa dessas situaçoes e por consequente piorando. Ja conversei duas vezes com a amiga dele que é muito proxima e ela me diz que isso tudo coisa da minha cabeça que é p eu ter paciencia. Gostari que vc me mandasse uma resposta de sua opniao… rodrisilvei@live.com desde ja obrigado!

  13. rafa disse:

    Estou passando por tudo isso nesse momento . Sou casado a 10 anos , tenho 28 e ele 31 . Há dois anos nos casamos no papel com uma festa de casamento enorme com muitos amigos . Moramos juntos a 9 , temos uma boa situação financeira , no entanto parece q o amor está acabando, já ficamos uns 40 dias sem sexo , não por mim que particularmente gosto até demais mas por parte dele e eai vamos empurrando até qdo der . Muito obrigado pelo excelente tama tratado aqui .Abraços

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