Relacionamento gay: referência do meu namoro


Estou completando quase dois anos de relacionamento e registro aqui um pouco dessa história, como referência para aqueles que buscam por um namoro ou aqueles que não fazem ainda ideia do que é um relacionamento gay. Primeiro ponto: é necessário uma disposição.

Sou da geração X, teoricamente marcada por jovens numa época sem referências e idelogias, vivendo transições sociais e tecnológicas evidentes e sem uma previsão segura do futuro. O meu namorado fez há pouco 27 anos, começo da geração Y, nascido dentro do universo da tecnologia, formada por jovens focados no trabalho e com perfis mais individualistas.

Com 25 anos, eu e a maioria dos meus amigos já namoravam e alguns caminhavam para o casamento. A geração de meu namorado, na sua grande maioria com 25 ou 26 anos, assumem um perfil de repúdio ao casamento, tratando esse conceito até como algo falido. Seus amigos ou amigas, com 25 ou 26 anos, heterossexuais, namoraram no máximo 2 ou 3 meses, que no meu sincero ponto de vista, não se configura como namoro. Fora aquelas amigas que nem se quer namoraram na vida…

Assumimos esse relacionamento com muita paixão e vontade: eu vinha de um período “cavernoso”, como descrevo no post “Do céu ao inferno (…)” e ele, ainda não assumido e tentando se encontrar no universo gay, conhecemos um ao outro e formamos uma boa amizade a princípio.

Nesse final de semana, enquanto almoçávamos na Vila Madalena, revimos algumas situações de nossas vidas e levantamos a questão de como a geração Y, a dele, tem todo um perfil individualista, que busca alavancar a carreira, é muito sintonizada com as novas tecnologias, mas que ao mesmo tempo, tem sede por um relacionamento mas não sabe por onde começar.

Comentei a ele que, num relacionamento, principalmente o relacionamento gay, pelo menos uma das partes “tem que puxar”. Puxar, no sentido de depositar energia na pessoa, correr atrás e mostrar interesse. Do contrário, duas pessoas da geração Y, no geral, tem uma tendência muito forte a desistir ao primeiro sinal de desinteresse. Ambas podem estar querendo algo, mas parece ser legal fazer-se de difícil ou não depositar energia…

“Parece que a geração Y está sempre esperando o outro lado mostrar um interesse maior como garantia” – comentei com meu namorado entre um sushi e outro.

Esse conceito, para a minha geração X não era evidente. Jovens da minha época, nesse cenário sem expectativas de futuro, teriam que batalhar e correr atrás, principalmente porque havia uma incerteza muito grande quanto ao que iria acontecer. Quem não correu atrás ainda está patinando. Quem correu, adquiriu um jeitão do tipo “no pain no gain” (sem dor, sem ganhos), de uma maneira geral.

Já essa nova turma da geração Y parece que precisa da coisa pronta, mastigada. E ao primeiro sinal de alguma ameaça ou exigência, muda de direção.

De fato, apesar de viver um ano anterior intenso, focando na minha individualidade, o ano que se seguiu e que conheci meu namorado, foi cenário para eu reviver a minha essência: uma pessoa namoradora, que investe esforços no que se interessa abrindo mão até de alguns prazeres. Aprendi que “sem esforços não há ganhos”.

Não fosse essa combinação de meu interesse pelo meu namorado, de correr atrás e “galantear”, com a vontade dele de descobrir a vida gay pelo companheirismo, muito provavelmente essa relação duraria um mês ou semanas, como a maioria das relações são hoje.

Acontece que a geração Y está assumindo cada vez mais seu espaço. A sensação que fica é que, como esses jovens nasceram em um contexto onde tudo vem pronto, onde existem mais oportunidades e escolhas, o envolvimento com profundidade acaba sendo penoso demais, muito trabalhoso. Geração Y é da “lei do mínimo esforço”, bem ou mal.

Assim, numa tentativa de relacionamento gay, as dificuldades se intensificam. Homem com homem, pela natureza do indivíduo masculino, no primeiro sinal de rejeição, a reação mais comum é da desistência, passar para outra. Afinal “a fila tem que andar e o importante é se divertir”, como ouvi muitas vezes de amigos gays mais jovens. Os mesmos amigos jovens que sofrem horrores, algumas vezes, pela relação com fulano que não passa da primeira página.

Por isso, amigos leitores, se o interesse é construir um relacionamento mais duradouro, é preciso rever conceitos. Os seus próprios conceitos.

Mais uma vez, a mudança vem de dentro para fora como mencionei em alguns posts. Se você esperar muito ou achar que não deve investir tempo e esforço numa pessoa, não pense que ela fará por você… a tendência da geração Y é se repelir quando o assunto é relacionamento.

7 comentários Adicione o seu

  1. Peter disse:

    Primeiramente parabéns pelos quase 2 anos de namoro! É sempre bom ouvir – e ler – que relações verdadeiras entre homens existem, e durem tanto tempo!

    Bom, eu sou da geração Y e concordo contigo. Queremos sempre atualizações, casamento só depois dos 40 (rsrs), e trabalhar sempre com novas ideias é nosso foco. Não considero essa geração de todo ruim, mas tem muitas desvantagens… e pensando num relacionamento, tudo indica mesmo que gerações diferentes combinem (já no trabalho…)

    1. minhavidagay disse:

      Fala Peter!
      Não quis ser negativo, me referindo a sua geração! Existem diferenças, claro, mas existem qualidades, como todas. E é aquela coisa: uma geração anterior sempre vai ter críticas a próxima…rs. É assim com os avós, depois os pais, filhos… e assim vai.

      E isso ae! Mantemos contato.

      Um abraço!

  2. caioferbh disse:

    Pra variar, mais um excelente post! Meu problema é que me inscrevi para receber via e-mail então comento só no fim de semana, rsrsrs…

    Sou da nova geração e enfrento essa situação constantemente… Chega a ser complicado essa “manutenção” do relacionamento, dada a diferença.

    Mas o importante é ter fé! Cedo ou tarde sempre se ajeita :) Claro, fazendo a nossa parte também.

    Abs!

    1. minhavidagay disse:

      Olá Caio!
      Sempre se ajeita sim. Tem gente que odeia otimismo. Mas acho que pessoas otimistas são mais felizes! Abs!

  3. William disse:

    Acho que sou uma EXCEÇÃO por aqui…sou na nova geração, tenho 23 anos e meu namorado da geração X com 33 anos ( apenas10 anos de diferença hehehe)!!
    O fato é que ele apareceu em um momento especial, nos conhecemos através da internet e logo quando nos conhecemos já rolou a química. Acreditem se quiser, apostamos tanto nesse relacionamento que demoramos 4 meses para fazer amor pela primeira vez, enquanto muitas pessoas pensam no sexo logo na primeira noite, p/ nós bastavam as conversas e trocas de carinho!!
    Estamos juntos à 4 anos e 8 meses, não nos arrependemos de nada, somos muito felizes!
    E uma coisa eu falo, não basta ter fé, ter um relacionamento é cair de cabeça se entregar e sentir o mesmo do seu companheiro. Não adianta um querer A e o outro B, p/ um relacionamento dar certo têm que ter companheirismo, amor e lealdade!!

    Abs!!

  4. minhavidagay disse:

    William, você acabou traduzindo as minhas plavras ao seu modo. Parabéns por esse relacionamento! Obrigado pelo exemplo de escolhas e de vidas.

  5. PITEL disse:

    Parabéns aos textos e comentários.Poie é William, eu também vivo uma relação com um cara mais novo que eu – ele 30, eu 40. Não sei o que se passa na cabeça do meu amor, acho que ele se sente adolescente ainda. Já flagrei ele no Bate papo da UOL várias vezes, inclusive lhe mostrei as conversas – perdi a confiança e percebo que ele não faz nada para resgatá-la. vive fazendo juras de amor. Perdi o encanto, mas lhe dei mais uma chance, chance essa que ele não deve estar acreditando tratar-se da última. Estou apenas separando o meu sapato mais velho, pois em breve ele vai perceber que só lhe restará vir com a bunda e eu com o pé – não vou estragar uma sapato novo, afinal precisarei jogá-lo fora, claro, não vou querer guardar nem poeira dessa história. Acreditem: estou falando do grande amor de minha vida, mas … depois de mim é lógico!

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