Mudança de sexo forçada


Um excelente programa de final de semana gay (mas nem tanto assim) é ir ao cinema para assistir “A pele que habito” de Almodóvar – gay assumido e diretor de filmes memoráveis que costumam levar o espectador à “emoção a flor da pele” .

Sai do cinema ontem com meu namorado e a sensação imediata depois da sessão de “A pele que habito” foi de “Impressionante”, como a gente costuma ver nas críticas de filmes.

Almodóvar é aquele tipo de diretor que faz filme de arte, longe dos blockbusters comerciais, e que vomita ao espectador diversas e diferentes interpretações. “A pele que habito” conta a história de um cirurgião plástico (Antonio Bandeiras) que sentiu a perda de sua esposa e filha, e as consequências psicológicas que essas situações podem trazer. Trágico, num estilo próprio do diretor, o filme nos leva a encarar uma realidade mais ampla do que imaginamos, dos desejos humanos, da diversidade e da loucura. A realidade de que “de louco, todo mundo tem um pouco”.

Pedro Almodóvar - Gay assumido

Passado a impressão inicial, pós filme, as personagens e o enredo me remeteram ao filme “Silêncio dos Inocentes”, um clássico que colocou Anthony Hopkins como um dos vilões mais terríveis e requintados do cinema. A relação mudança de sexo, desejos e loucura é revista no novo filme de Almodóvar e vale a pena conferir.

Para o “Minha Vida Gay”, quanto uma mudança de sexo forçada faz com que realmente uma pessoa mude de atração? Em outras palavras, é possível ser gay forçadamente, pelas influências ou pela pressão? O filme mostra que não. Mostra que a nossa sexualidade “vem escrita” e nem numa situação imagiária (ou não), como no filme, é possível mudar gostos.

Por um lado vemos o médico, cirurgião plástico, sendo um ícone almejado por muitos, de poder, inteligência e riqueza. Representa a parcela tradicional, topo da pirâmide que tem um status invejado por muitos. Por outro lado, vemos Vera, cria mutante, bela, representante forçada de nossa comunidade mas que carrega “dentro da pele” a pessoa que sempre foi.

Uma das possíveis interpretações do filme é um cuspe de Almodóvar dizendo: “você, que representa o status na sociedade é um louco. Normal somos nós”.

Casca é casca, conteúdo é conteúdo. De fato, ser gay não quer dizer nada ou muito pouco.

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