Relato gay – as sensações no final de ano


Dezembro chegou e o blog “Minha Vida Gay” está com 8 meses apenas. O ano de 2012 está dando sua cara e todo Brasil, gay ou não, está se preparando para as festividades do final de ano e o descanso. Ok, nem todos descansam nessa época, mas a tendência é que aquele clima de união, amizade, paz, alegria e amor repercuta na maioria dos lares. E para os gays? Como fica esse clima de final de ano?

Muita gente acha chato o clima de natal. Tem a coisa de reunir família, e a tia e a avó que vêm e perguntam: “Zezinho, você já tem 21 anos. Cadê a sua namorada?”. Para aqueles que já são assumidos, tudo flui bem ou parcialmente bem (rs). Para quem não é fica aquela sensação de pressão, do incômodo por quererem saber da intimidade.

Gay enrustido ou assumido tem que passar por essas coisas. No meu caso, que sou assumido, passo a virada de Natal com meus pais e depois vou para a casa de um dos parentes do meu namorado onde todos se juntam. A exposição não é pequena: somando todos os tios, primos e agregados, o número chega a 60 pessoas. E todos aceitam numa boa? Aparentemente sim. Nunca fui destratado pela minha “sexualidade diferente”. Mas é óbvio que, dentre as 60, uma ou outra pode achar tudo isso estranho.

De fato, o que devo pensar de uma tia que possa ter algum desagrado, ou de um primo mais novo que tira sarro com outro primo quando eu e meu namorado não estamos por perto? Sinceramente, o esforço é de não achar nada dessas pessoas. Não por desprezo, mas, se devo algum tipo de satisfação para alguém é para os pais do meu namorado e para aqueles da grande família que me tratam com reciprocidade. (Verdade seja dita: devo satisfação apenas para meu namorado!).

Gay enrustido ou gay assumido vai percebendo aos poucos que a reciprocidade, independentemente dos contextos, é o que vale. No meu caso, numa situação de Natal, festa junina, aniversários, que passo a interagir com tanta gente, naturalmente são as afinidades que vão aproximando as pessoas. A convivência vai filtrando e isso é inevitável (e saudável) num grupo tão grande.

Dia desses vieram em casa a prima e o namorado para fazer sushi pra gente. Vieram também a irmã, o namorado e minha “sogra”. O “sogro” não veio porque estava fora de SP. Tudo tão “normal” e familiar… mas sabe que tem muito gay que não gosta desse tipo de coisa? Tem sim. Tem muito gay que acha família uma coisa chata.

Sou daqueles que gosto. Talvez pelo fato de ter uma família pequena ou de pessoas distantes uma das outras, sempre admirei essa coisa de parentes próximos, da reunião familiar, mesa cheia e primos por todos os cantos. Claro que nem sempre essa muvucada é boa. Tem hora que é bom ficar no cantinho, tranquilo, fazendo coisas só entre casal. Muitas vezes não é boa porque a gente vai percebendo que família grande costuma ter um padrão: todo mundo acaba falando de todo mundo!

Daí, nessas horas, vejo como é bom ter uma família pequena: se tem algum desagrado não tem o “falar do outro”. Fala direto.

Gente! Gay ou não gay, o convívio social é necessário, mas nem sempre é fácil. Por outro lado, ficar sozinho, afastado dessas realidades “normais” também enche o saco, dá deprê. Ficar vivendo a “vidinha gay” também enjoa e, no final, pra coisa ficar boa o bacana é se dar a oportunidade de viver um pouco de tudo isso. Na maioria das vezes a gente reclama de barriga cheia e não dá valor as coisas boas que estão a nossa frente. Mudar esse jeito de ser é necessário!

O post de hoje nem é muito conclusivo. Ando meio cansado, não do blog, mas das responsabilidades e obrigações que parecem se intensificar todos os meus finais do ano. E pra mim, o barato fica assim: a gente passa o ano inteiro, de segunda a sexta cumprindo tarefas e responsabilidades. Chega essa época do ano que é um prazer ver a tia enchendo a cara! É um prazer ouvir meu pai relembrar dos natais que passávamos com determinadas pessoas e é uma delícia sentir aquela vibração do descompromisso, sem expectativas e ansiedades.

A gente precisa de tudo isso sim. Afinal, são mais 365 dias de vida, que pode rolar muita coisa. Que role então a felicidade de olhar para dentro e estar bem como somos, satisfeitos com o que temos, pelo menos nas festas de finais de ano! Se confortar as vezes é bom, principalmente para aqueles que vivem cada minuto.

Ano novo gay
O ícone do “Smile” tem um significado direto e que se deve praticar: felicidade.

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