Relato gay: meu amigo Beto


O “Beto” é um amigo que conheço há mais de 10 anos. Não o tenho visto ultimamente pois, sempre que eu namoro, prefere se distanciar. Mas é daqueles amigos que a gente sente: amizade entre gays e do tipo para a vida toda.

O Beto era esquisito no começo. O convidava para ir no cinema e nunca aceitava. Chamava para fazer algo mais tranquilo, dar uma volta na cidade, e ele recusava. Para o Beto só dava para se encontrar a noite, na balada.

Passou um tempo na Europa. Aliás, passou “dois tempos” na Europa e foram dois momentos longos. Beto é daqueles que para se encontrar precisa viajar; e sozinho. Viajou e, depois de anos, descobriu que está se encontrando aqui mesmo.

É também daqueles que desperta a atenção das pessoas. Beto sempre chamou atenção e nunca passou desapercebido nas baladas. Minto: na maioria do tempo está sozinho. Apesar de ser muito assediado, há 10 anos que o conheço se o vi beijar duas vezes foi muito.

Para quem não imagina como ele é, o Beto faz todo perfil “Robert Pattinson”. Tirando os esteriótipos do filme vampiresco, o físico é do naipe.

Relato Gay: meu amigo Beto
Meu amigo “Beto” tem um Q de Robert Pattinson

Beto é daqueles que se presta a ficar dois meses de rolo com alguém e tratar como namoro. Diz que o que vale é a intensidade! Não entendo muito essa coisa de intensidade passageira. Mas ele é assim, não foi além de 4 meses.

O meu amigo é de poucos amigos. Beto conhece muita gente, de cumprimentar na rua. Mas, de fato, para a intimidade tem a mim, uma amiga em comum e só.

Mesmo assim, o “baú” de dentro de Beto dificilmente está aberto.

Teve um tempo que achava que Beto não precisava tomar banho, não fazia necessidades, nem tinha flatulência. Parecia tão asséptico, tão “limpo e perfeito”, que dava a impressão de um boneco (rs).

Todavia, com o tempo da amizade e com a idade, Beto começou a se soltar mais e teve um ano que chegamos até a fazer duas viagens. Foi curioso ver meu amigo usando chinelo ou bermuda. Passamos a estar juntos a todo momento em 2009. Cinema, restaurantes, shows, mais viagens, passeios, visita na casa de amigos e, claro, balada. As pessoas achavam até que fôssemos um casal.

Casal de amigos sim. De namorados, não.

Ao contrário de “um mundo todo”, nunca me senti atraído fisicamente pelo Beto. Talvez, graças a esse fato, conseguimos alcançar uma amizade. A beleza evidente do meu amigo, por um lado traz o óbvio da atração, traz o status e alimenta seu ego. Por outro, traz aquele que quer usar “o boneco”. Boneco com boneco só dá sexo.

Impressionante essa capacidade. As vezes, até admiro.

Conheço o Beto de “chinelo e bermuda”. Mas o Beto prefere ser, na maioria das vezes e para a maioria das pessoas, asséptico.

3 comentários Adicione o seu

  1. Peter disse:

    Tenho saudade dos tempos onde as pessoas valorizavam mais a amizade do que o status… mais o conteúdo, do que a quantidade… bons tempos, que não voltam mais…

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