O gay masculinizado – Desmistificado!

Antes de mais nada, o tema desse post é definido para um estereótipo. Como vocês podem notar em outros, tratar de estereótipos, principalmente no meio gay, não é a coisa mais bacana a se fazer. Os rótulos nos “encaixotam”, nos “classificam” e acabam sendo mais prejudicial para alcançar nosso espaço social do que benéfico. Mas, vá bem, o ser humano precisa estabelecer “nomes” para entender melhor os conceitos. Assim, estou chamando esse post como “O gay masculinizado – Desmistificado!”, sem nenhuma intenção de chocar ou conflitar com o “oposto”, gay afeminado.

De qualquer forma, como o objetivo desse blog é trazer mais clareza em conceitos sobre o gay para ajudar a desmistificar nosso próprio meio, quem somos e “o que é ser gay”, vou me apropriar desse título e seguir com as minhas ideias sem receios de estar agindo preconceituosamente.

Como passei minhas férias em São Paulo pude ligar a tevê e assistir os canais abertos, coisa que não fazia há anos por achar que a tevê aberta aliena muito as pessoas. Já tinha ouvido que a Hebe estava na Rede TV! e pude comprovar numa noites dessas, quando passava a retrospectiva de seu programa com alguns convidados.

Foi aí que a chamada avisou da entrevista que viria com o Ney Matogrosso. Para quem não sabe, o Ney, que é um dos artistas mais importantes da música popular brasileira, de Secos & Molhados até hoje, sentou no banquinho junto com a Hebe e mais três mulheres e começou o falatório.

A certa altura, o Ney falava dos gays machos que existem por aí e que a primeira vez que viu dois homens, extremamente masculinizados se agarrando foi no quartel da aeronáutica quando tinha 17 anos. A Hebe de imediato lança sua ingenuidade ou limitação: “Como assim gay macho?! Gay é gay, macho é macho!”.

O Ney reintera: “Ué, Hebe, macho. Homem, masculino e gay (…)”.

O fato é que para a grande maioria da sociedade brasileira – que é bastante alheia ao universo gay – acaba acreditando no outro estereótipo: o gay feminino, do salão de beleza, do personagem engraçado da novela ou do Serginho do Big Brother. Em outras palavras, até a Hebe que teoricamente é da mídia e antenada no universo cultural geral, acaba dando uma gafe dessas e traduziu sua alienação numa saia meio justa em seu programa.

O “gay masculinizado” é aquele que tem todos atributos de um homem heterossexual: na fala, no jeito de andar, de se vestir, em seus hábitos e gostos não existem sinais que indiquem que é gay. Não quer dizer que o gay masculinizado é um rato de academia: pode ter um físico “normal” e, assim mesmo, ser gay.

Pelo que já vi muito pela Internet, é alvo de taxações dos gays afeminados que, na maioria das vezes, tratam o gay masculinizado como enrustido e parecem não atuar de uma maneira evidente pela causa gay.

Realmente, eu, como um “integrante entre os masculinizados” acho que muito do carnaval multi-colorido da causa acaba dificultando a nossa inclusão social e fortalecendo ainda mais a imagem do estereótipo “colorido” que não representa nossa comunidade inteira.

Não sei se posso dizer por todos, mas o gay masculinizado não tem a necessidade de chocar ou causar alguma impressão ao outro para marcar que é gay. Vive no meio social de maneira mais neutra, sem precisar de holofotes. Eu, particularmente, me sinto muito bem em ser assumido para minha família, amigos e para as pessoas do meu trabalho. Não tenho a necessidade de que, por exemplo, minha mãe agarre minha causa com unhas e dentes e erga a bandeira por mim. Busco por uma vida comum, cumprindo minhas responsabilidades e tendo uma liberdade natural de ir e vir para onde quiser, com ou sem meu namorado, sem precisar estar estampado a minha intimidade.

Talvez seja isso: o gay masculinizado precisa expor menos a sexualidade. Prefere deixar isso para o campo da intimidade e, como a própria palavra diz, intimidade é para quem é realmente próximo. Obviamente, muitos gays afeminados não gostam também de expor a intimidade! Digo isso, antes de soar preconceituoso. Assim, prefiro sugerir que o gay masculinizado, pela sua própria maneira natural de ser – parecido com um heterossexual – é mais discreto.

E a discrição, muitas vezes, incomoda os gays que precisam colocar a sexualidade como algo que dignifica a própria vida. No meu sincero ponto de vista, a minha sexualidade é para meu namorado e não para o mundo. Mas, diversos como somos, na prática, podemos ser como quisermos.

No passado já ouvi algumas vezes de amigos heterossexuais que eu iria acabar voltando, casando com uma mulher e tendo filhos! Afirmação esquisita, pero no mucho, já que é difícil entender como um “homem como eles” pode ser gay. Afirmo que o tempo passou e continuo gostando de homens! rs.

Só que essa coisa de “gay masculinizado” ou “gay afeminado” é um tanto superficial pois acaba nos medindo pela aparência, na forma que nos portamos para o outro. Não vai a fundo na questão dos indivíduos, que tem suas responsabilidades, cultura, alegrias, tristezas, relacionamentos familiares, amizades, estudos, obrigações e tudo que forma nossa vida, no dia-a-dia.

Então, se alguém tem dúvida sobre o assunto, aqui está um pouco do que penso sobre esse tema. Em breve posto meus pensamentos sobre o outro lado, o “gay afeminado”…

Para saber um pouco mais sobre a vida do Ney Matogrosso, gay assumido e grande representante da cultura brasileira, clique aqui!

10 comentários Adicione o seu

  1. Luan Salomão. disse:

    NA VERDADE…….,
    UMA DAS PIORES COISAS QUE HÁ NESSA SOCIEDADE É A HIPOCRISIA DAS PESSOAS…. E FALTA DE CONHECIMENTOS…..
    AS PESSOAS ACHAM QUE TODO HOME GAY SÓ É PASSIVO….
    QUE SÓ É GAY QUEM É PASSIVO,..,,, QUE TODO HOMEM GAY PAGA SEMPRE UM “CARA” PRA “COMÊ-LO” ( na linguagem vulgar)…….
    NEM IMAGINAM QUE EXISTE MUITO MAIS COISAS OCULTAS POR DEBAIXO DO TAPETE, RSRSRSRS DO OUTRA COISA……..
    NEM TODO GAY AFEMINADO / EFEMINADO É O PASSIVO DA RELAÇÃO SEXUAL…..
    EU POSSO AFIRMAR COMO CONHECEDOR E VIVENTE DA CAUSA QUE ESSE MUNDO “GAY” É MAIS COMPLICADO DO QUE OUTRA COISA…………

  2. Denis Gomesza disse:

    Eu sei que o autor do texto tentou ser suave quando a gays assumidos que têm estereótipo afeminado. Mas ainda assim existe uma discriminação generalizada dos gays afeminados. Meu nome é Denis, Sou Homossexual, tenho caracteristicas afeminadas e não as escondo. Ainda assim, não sou militante do orgulho Gay, não falo sobre minha intimidade muito menos me abro sobre sexo tão facil assim. Tem também o fato de existirem muitos rapazes “discretos” que accabam por tropeçar feio com toda a sua discrição em momentos inoportunos.
    Acredito que seja uma questão de se reconhecer e não se deixar levar pela curiosidade alheia.
    E quanto a discrição, eu também acho que não se trata de ser macho, fêmea, homo, bi ou transgênero. É discreto e pronto!
    Essa discrição vai depender da sua cultura e do meio social que você escolhe para si. Viva a sua vida! Orientação sexual não é qualidade! É um detalhe apenas.

  3. Herbert Fraga disse:

    Gostei muito do comentário do Denis, e é claro que os efeminados sofrem mais, pois são logo apontados, ridicularizados. Sou a favor de dizer para todo mundo quem sou, porque sei que um Hétero de uma forma ou de outra descobre até os discretos, então, não se tem para onde fugir, e a respeito do que o texto principal fala, isso não é uma questão de ´´dignificar´´ a vida-a sexualidade é um traço importante da nossa personalidade, por isso não deve ser escondida. Falem ao contrário, mas a verdade é esta.
    Outra coisa-isso não é uma questão de achar o que deve ser o modelo a ser seguido ou não, como o texto fala, sofremos o mesmo que as mulheres sofrem-o machismo, é preciso haver leis que nos deem suporte pra viver em sociedade, onde estes discretos, só terão acesso às leis, se saírem do armário (como já acontece nos EUA).
    O machismo é uma questão delicada, pois começa nas mulheres (se eu sou mulher e não fico com homem, não existe macho, pois não existe a fêmea) o problema é que neste país chamado Brasil,não existe feministas, por isso o machismo é tão mais presente.

  4. minhavidagay disse:

    Olá Herbert e Denis!
    Postei esse texto no facebook do Blog MVG e provavelmente retomaremos esse tema.

    O meu ponto de vista é o seguinte: não acho que masculinizados ou afeminados devem ficar duelando espaços. A fundo, somos todos gays e gostamos de outro do mesmo sexo.

    Acontece que existe esse tipo de rivalidade em nosso meio, gays masculinizados querendo mostrar vantagens por um lado e gays afeminados querendo mostrar vantagens por outro, buscando sempre algum “pêlo” para justificar as críticas que vem de um ou de outro.

    De maneira ampla, apesar de ser masculinizado, casei com um gay afeminado (quase três anos) e namorei com outro durante um ano e seis meses, assim como namorei com masculinizados e, hoje, namoro um assim. Pessoalmente não crio discriminação na prática. Tenho ótimos amigos afeminados e masculinizados.

    Mas é evidente que existe na sociedade gay um tipo de “mal estar” de um pelo outro. Talvez uma competição? Não sei. Quantas vezes não ouvi críticas de masculinizados do tipo: “se é afeminado eu respeito, mas não faz parte do meu grupo de amigos”. Quantas vezes não ouvi de afeminados: “não gosto desse jeito masculino de fulano”.

    A bem da verdade é que estamos todos no mesmo barco. Mas por um grupo de motivos a gente tem essa mania de criticar um ao outro, como se a existência de um ou de outro fosse um tipo de desrespeito ou agressão. No final, é isso que definitivamente me gera um grande incômodo.

    Nesse “barco gay”, ser afeminado ou masculinizado tem suas glórias mas também tem suas dificuldades. O problema, no final, é ficarmos reféns do esteriótipo que aparece na mídia. Os afeminados sofrem com isso e os masculinizados também. Os afeminados sofrem porque todo mundo acha que o afeminado é igual ao esteriótipo, basta ter um trejeito. Os masculinizados sofrem porque, se não bater com o esteriótipo, é confuso, enrustido, mal resolvido. E assim, duelando e não percebendo os problemas que essa rivalidade nos causam, permitimos uma sociedade alienada.

    Abs,
    MVG

  5. Odara T. disse:

    Ja me apaixonei por um gay masculinizado passivo e eu afeminado passivo! Me propus ser até ativo se ele quisesse…. mas ele disse que nao sentia tesao em mim, que gostava de homens do tipo dele e que ele era 100% passivo.

    meu mundo caiu, né? mas respeitei e sumi da vida dele!

  6. Josimar K. disse:

    Ola Bom Sou Gay Assumido, está com poucos dias vim de uma região e de uma família que não são muito receptivos quanto a esse tipo de assunto, sinto falta de seus apoios acreditava que não teria muitos preconceitos é sinto um pouco a falta de Apoio de Meus pais assim como Dito no texto não quero ninguém levantando bandeira Dos Homossexuais a meu favor.
    Não sou o tipo de Gay Afeminado pois o mesmo acredito no tipo de pessoa que sou é isso que forma meu caráter, Claro que não estou fazendo nem uma critica aos Gays Afeminados (na verdade essa distinção nem deveria existir, isso e apenas uma escolha de caráter pessoal, então gosto e tenho amigos Héteros, Gays, Trans… Tenho 23 anos 1,98 de altura e muita cara de Hétero quem vê nem consegue acreditar, estou aqui apenas fazendo um desabafo porque preconceito sempre foi algo que pessoas possuem nas mentes delas todos somos humanos merecemos respeito, gostei muito do texto a quanto ao assunto de intimidade já e uma parte mais de cada um.

    Acredito que o que Vale é simples o amor, Sinceridade, Lealdade, Verdade e amizade entre duas pessoas sendo Elas homem e Mulher, Mulher e Mulher, Homem e Homem e por ai vai.

    Me assumir da forma como fiz me fez e me tornou uma pessoa mais feliz.
    Agradeço ao texto gostei muito mesmo.

  7. Fernando disse:

    Cara, na verdade, achei o post problemático e peço licença para expressar minha opinião. Eu entendo o que tu disseste. Sou considerado por muitos um “gay masculinizado” e constantemente sou obrigado a ouvir coisas como “tu é um hétero enrustido”, “um dia vai descobrir” e tal. Mas, muito sinceramente, culpo apenas a sociedade pela sua tacanhice e incapacidade de reconhecer como o mundo é diiverso. De fato, alguns afeminados têm dificuldade em reconhecer a existência de gays masclinizados e nos considera “menos gays” (seja lá o que isso signifique), mas não me parece que essa seja a atitude geral. É minoritária.

    Porém, algo que sempre me incomodou entre muitos de nós, gays não-estereotipados, é o modo como rejeitam o dito “carnaval multi-colorido”, mas se esquecem de que foi esse carnaval (eu prefiro chamar de militância) que conquistou o nosso direito de existir. Basta olhar para as primeiras revoltas e passeatas em Nova York, em especial a de Stonewall. ‘A época, homossexualidade era crime no Ocidente quase inteiro e esses afeminados, que “sentiam necessidade de chocar”, foram vanguarda no movimento que começou a conquistar os direitos que temos hoje. Na verdade, o simples ato de andar de mãos dadas com o teu namorado (algo que os héteros fazem normalmente) já é um choque. E, sim, uma sociedade que não aceita algo tão natural não só pode, mas precisa ser chocada mais vezes. É verdade que a Parada LGBT mudou nos últimos anos e apresenta agora diversas contradições, mas a história já mostrou mais de uma vez que um grupo discriminado só é respeitado quando se faz ouvir, quando desafia o sistema e o força a enxergá-lo.

    Também não naturalizo. Acho, sinceramente, que, se os afeminados são maioria entre os militantes, é simplesmente porque não têm escolha. Como são mais facilmente identificados, sofrem muito mais preconceito e precisam ir ‘a luta. Mas, ainda assim, eu sinto falta de mais gays “não-estereotipados” tomando a dianteira e se envolvendo no movimento. Lado a lado com os afeminados, defendendo nosso direito de ser o que quisermos do jeito que quisermos. Simplemente porque aceitar viver pacificamente numa sociedade que apenas nos tolera (e não te enganes. Nós, não-afeminados, somos apenas tolerados pelo mundo hétero) não vai nos conquistar direito nenhum, apenas ajuda a manter o sistema injusto em que vivemos.

  8. Achei que o texto seria bom, nas não gostei. Cai no recorrente erro, determinado pelo mainstream, de associar expressão de gênero com orientação sexual. Gay masculinizado não é “aquele que se parece com o hétero”, pois não existe uma expressão correspondente a héteros e outra correspondente a gay. Ser mais masculino ou mais feminino não diz da orientação sexual. E está cheio de héteros que não são tão “machos” assim.

    E outro equívoco é associar expressão de gênero com discrição ou ausência dela. Além disso, associa expressão de gênero com estar dentro ou fora do armário. Ser masculino não é estar no armário e ser alheio a militância. Ser discreto também não é estar no armário. É tão somente ser menos expansivo do que a média das pessoas. E nisso, tanto masculinos quanto afeminados podem ser discretos e, sendo discretos ou não, ambos podem estar dentro ou fora do armário. Conheço muitos afeminados discretos. Ou seja, ser discreto é traço de personalidade; ser assumido ou não é postura política. E não confunda ser afeminado com ser espalhafatoso e escandaloso. Já vi também muitos masculinizados que irritantemente gostam de causar.

  9. Jordhan Ribeiro disse:

    Sou gay masculinizado e estou tendo muita dificuldade para encontrar um cara como eu(masculinizado). Estou sempre sozinho, nunca namorei, assisto filmes de romance para aliviar um pouco essa solidão. Meus pais são evangélicos, minha família inteira é muito tradicional e não me aceitariam se soubessem que sou gay me excluiriam e eu ficaria mais sozinho ainda. Tenho dificuldades de me aproximar das pessoas, sou calado e muito tímido, e já não sei mais oque eu faço para não me sentir tão sozinho, os filmes já não funcionam mais.

Deixe uma resposta