Relato gay: uma noite entre amigos

Fazia um bom tempo que não via meus amigos gays. Com um final de 2011 agitado e começo de 2012 já na correria também, acabou não dando tempo de encontrar alguns amigos. Foi aí que ontem, numa oportunidade de open house da casa de um deles, pude rever meus camaradas mais velhos, da comunidade, e vivenciar situações que vêm como relatos aqui, no “Minha Vida Gay”.

Acontece que, quando a gente namora sério, é normal ficar mais sossegado. Como eu e meu namorado temos “livre acesso” as nossas famílias, é natural estar mais com parentes, primos, pais e irmãos e se distanciar um pouco dos amigos, heterossexuais ou não. O ano começou e surgiu aquela vontade coletiva de rever, ver como os amigos estavam e, daí, pintou a oportunidade de ir num open house ontem e reencontrar a parte mais “velha e madura” das turmas.

O anfitrião da casa deve ter uns 37 anos, o que fez eu e meu namorado sermos os convidados mais novos. Havia apenas dois casais: eu, meu namorado, o anfitrião e o namorado dele. Os demais, um com 38, outro com 41 e um terceiro amigo com 45 anos, solteiros. Ok, 50% namorando, 50% solteiro. Havia uma companheira da comunidade, recém separada que na realidade aumentava a porcentagem dos solteiros.

Estar com eles foi muito divertido! Costuma ser muito divertido quando, num ambiente só, reúnem um grupo de gays. Principalmente quando um deles, com 38 anos, trabalha com produção artística, é ator e contou com uns goles a mais de álcool no sangue. Tudo ficou muito hilário.

É muito comum amigos gays estarem boa parte do tempo só com outros amigos gays. Pude relembrar um pouco do que era isso.

Boas gargalhadas, comemos, bebemos, fumamos maconha e pudemos ter papos amenos, descompromissados, num ambiente novo, bonito e numa atmosfera descontraída.

Aquele momento, depois de alguns meses sem contato com o universo GLS, fora o meu e do meu namorado, trouxe inspiração para esse post.

Um dos aspectos do universo GLS assumido é essa naturalidade que existe em encontros somente entre gays. Apesar de ser um jantar com poucos convidados, todos eram gays, uma representante lésbica, e aquele algo em comum no meio: três gays solteiros, adultos, porém com uma vontade latente de sair pra rua para curtir. É interessante ver que, quando namoramos e realmente nos envolvemos nessa história de coisa séria, a tendência é puxar o freio para o frenesi da noite e pouco natural seria se fosse diferente. Não digo isso para relacionamentos de 2 ou 3 meses. Estou falando de um namoro de quase dois anos (o meu) e de um que passou dos três anos (o do amigo-anfitrião).

Estar solteiro e ser gay, no geral, deixa a gente com um tipo de comichão. E acho que essa característica se reflete para a maioria dos solteiros, gays ou não. Mesmo com 38, 41 e 45 anos, vem aquela vontade de estar na rua, buscar por alguma bagunça, paquera ou sexo. Um foi puxando o outro na ideia e, de repente, após o jantar, estavam todos se encaminhando para a rua. Citaram o Gourmet, a Dida ou o Bar Balcão. Um dos três lançou a The Week que, na realidade, teve a ideia retalhada de imediato! (rs)

Parece que estamos sempre buscando por alguém que nos complete, por mais que se fale que vamos para a rua para nos divertir. Diga-se de passagem, cair na rua, de fato, tem essa finalidade: encontrar alguém interessante para ir além.

Mas o “mercado” anda difícil. Esses amigos de 38, 41 e 45 anos são emancipados, bem formados, bem estruturados mas, quando o assunto é a “cara metade”, refletem um padrão de uma grande maioria: estão constantemente na busca mas tem dificuldades para encontrar. Ou melhor, para um caso rápido de cama é bem fácil, independentemente da idade. Basta ter disposição e a testosterona batendo na porta. Para ir além disso dá medo, é difícil, enche a cabeça de dúvidas e questões.

O reencontro com a turma foi excelente. Comemos muito bem, nos divertimos com as graças do amigo-humorista, e cultivamos um pouco mais da nossa amizade. E meu lado crítico não deixou de se antenar: estar solteiro nesse universo gay deve ser quase uma regra, que independentemente do nível cultural, social ou material das pessoas, acende na gente uma vontade de viver, viver e viver!

Pena que as vezes dá aquela sensação do ratinho correndo na roda. Mas ao mesmo tempo, há tantos fazendo a mesma coisa, não é verdade?

Por essas e por outras referências fico bem como o meu status: namorando.

Adoro meus amigos. Mas me cansa um pouco só de pensar no ritmo que é a vida gay sem par.

Deixe uma resposta