Que coisa é essa de estupro BBB 2012?!

A gente pára para assistir o Big Brother Brasil 2012. Ok, tem os gostosões negros, morenos e loiros que estimulam a nossa fantasia. Já teve bichinhas, bichonas e discretos que serviram como referência ou nenhuma. E essa coisa continua a dar audiência para além dos 11 anos. Dá audiência porque tem uma fórmula esperta que seduz a massa: você fica por dentro da vida alheia, dos contornos dos belos corpos fora e dentro de roupas, dá um tipo de poder de julgamento sobre a vida do outro que, inclusive, adoramos exercer quando podemos e, assim como num ringue ou no estádio de futebol, vemos “gladiadores” em alguma micro estratégia para vencer a batalha do Big Brother, ou “O Grande Irmão”, quase que numa alusão ao “Laranja Mecânica”, para quem souber do que estou falando.

No segundo BBB, inclusive, me peguei ligando e votando, só para constar que eu já fui mané! Passado, passado.

Essa política de pão e circo já existe há séculos e o modelo parece estar preso a nossa sociedade ocidental. Mudam as caras, embute-se poesias, mas a fórmula continua a mesma.

Bigo Brother Gay
A verdade é que sempre estão de olho em você

Só que a gente é ignorante ou alienado. A gente dá audiência para estimular nossa libido, ou para ter algum assunto corriqueiro entre amigos. E ao mesmo tempo, dando audiência, só colaboramos para alimentar esteriótipos, idealizados e o preconceito. Em outras palavras, entrar na moda Big Brother, que acontece todos os começos de ano há doze anos, é uma lástima. Lástima para qualquer um, o que se diga para indivíduos de nossa comunidade?!

As vezes é difícil nos desprender da sociedade, ou melhor, na grande maioria das vezes é difícil. Queremos a aceitação social, sua compreensão e sua benção. Nem que para sentirmos que temos um pouco de tudo isso nos tornemos alienados, parte integrante desse bolo gigante e tonto, longe, bem longe, do que realmente importa para sermos pessoas mais felizes e mais realizadas. Daí, Big Brother é quase que um bálsamo para esquecer momentaneamente de nossos problemas. Mas não seria melhor assistir um filme que não envolvesse uma sugestão de estupro real como aconteceu na semana passada?

Não! Claro que não. Teimamos em ser fiéis a essa moda, buscando vídeos no You Tube sobre o caso (e outros casos), que aguça nossa curiosidade e vira assunto no Facebook e no Twitter. Permitimos e diretamente colaboramos para a exposição alheia, da intimidade, do jogo que é o programa e, assim, panos quentes Globais se manifestam, como uma força divina cujo interlocutor é o Pedro Bial .

Até penso: para ver que não é só gay que faz baixaria. Mas esse não é o caso.

O caso é que estamos lá, atentos a essas notícias, no meio desse rolo todo, ajudando a perpetuar esse formato há mais de 12 anos. Formato que expõe o outro, sua intimidade. Mas espera aí: colaboramos com a exposição alheia, da intimidade. Mas não é exatamente isso que mais preservamos, a sete chaves?

Pois é um contra senso, não é mesmo? Queremos a nossa vida bem guardadinha. Mas se for a do outro dá para expiar, dá curiosidade, é divertido.

É por essas e outras, leitores do MVG e espectadores do BBB 2012, que eu digo: quer respeito e compreensão? Quer manifestar sua intimidade sem medo? Então, aprenda a sair desse rolo social, seja mais crítico e assuma que você sente prazer em expiar a vida alheia, oras bolas! É feio, não se leva a nada, mas não perdemos esse hábito humano, quase como um erro.

Qual é a sua moral, brother?

Moral. Moral na sociedade, hoje, é diferencial. BBB é um dos programas mais ruins que já foi produzido. Só que o brasileiro compra. Tolo, coitado, brasileiro e, no caso, gay.

A gente precisa viver menos dentro da tela e mais a vida real.

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