Caso gay: Dois anos de namoro


Enquanto a inspiração não vem com temas gerais sobre a nossa comunidade GLS, tem uma brechinha para falar um pouco mais de mim: falta um pulo para completar dois anos de namoro, o mais longo namoro, se não fosse um “casamento”. A ideia não é me auto-afirmar, nem querer dizer que o status namoro é mais bacana. Os pensamentos virão soltos dessa vez no final de um expediente de sexta-feira e vamos ver no que dá.

É a primeira vez que chego numa “marca” de namoro longo e não me sinto cansado ou inquieto, como se estivesse perdendo alguma coisa. Outrora não posso negar que existiu o cansaço, não da rotina, mas da pessoa. Esse cansaço poderia se traduzir nos desgastes, nas diferenças e, principalmente, na falta de maturidade de se levar um relacionamento. Namorar dá trabalho e isso é um fato. Vida de solteiro também dá, quem disser que não. Ambos podem nos levar a chatice se a gente não tiver a iniciativa de dinamizar as histórias. E daí, quando percebi que dois anos se passaram, parece que atingi a leveza que um namoro deve ter.

A maioria dos começos de namoro tem aquela coisa da paixão, que sufoca, que tira a gente de órbita, que faz a gente perder a razão. Parece que a pessoa é a única ou uma das únicas coisas que gente tem na vida. Fica um grude, com ciúmes e algo meio nas nuvens do descontrole. Paixão é bom, mas também é ruim porque as vezes a gente se perde da gente mesmo. E, depois dessa avalanche, o meu namoro finalmente vive uma fase de paz.

Namoro gay em paz
Paz no namoro. Uma conquista!

Talvez no meio gay isso seja bastante comum: dois homens começam a namorar e toda uma intensidade, para o bem ou para o mal, começam a aflorar do casal. A maioria não aguenta a tormenta, levanta a bandeira branca ou sai de fininho. Passamos por tudo isso e mais um pouco e, depois de dois anos, encontramos uma paz de espírito juntos. Juntos me soa como uma conquista. Conquista porque a maioria, nessa tormenta da paixão, não aguenta a bagunça porque tira a gente do nosso rumo individual. Ou, tem aqueles, que são viciados nesse modelo e preferem só viver dessa fase, da apaixonite aguda. Daí, chegar nessa fase, de calmaria, quando duas pessoas se permitiram finalmente a conhecer uma a outra e já entenderam onde se colocar na relação, é quando existe a maior oportunidade de viver a vida individual sabendo respeitar e encaixar o namoro. Passa a existir ordem, sabemos respeitar os limites e, acima de tudo, deixamos que a confiança prevaleça, colocando fantasias e inseguranças em níveis inferiores.

É a minha primeira vez que cheguei nesse status. Das outras vezes, um tipo de energia me impulsionava a terminar. Nunca houve pivô desse “crime”, sempre terminei “limpo”, sem uma marmitinha em vista. O que tinha era uma vontade de ver qual é de coisas que se é honesto ver de carreira solo. E assim foi algumas vezes.

Agora é diferente. Cheguei aqui sem comichão. É um tipo de calmaria. Os focos estão nas minhas responsabilidades e, quando sei que chega a noite ou os finais de semana vem uma paz de saber que existe uma cia certa, com gostos alinhados e que, juntos, poderemos nos aventurar em viagens, passeios, jantares, filmes, descanso no sofá, sexo, família, amigos, almoços e seriados sem uma inquietação inerente a vida gay assumida e solteira.

Alguns dizem que namoro deixa a vida morna, água com açúcar. Outros se sentem mais equilibrados numa relação. Alfinetada: me parece que quem sente que a vida fica morna é porque não sabe namorar. Não sabe virar para a página dois e, acima de tudo, não sabe se tornar íntimo de outra pessoa. Preferem a superficialidade.

E quem disse que o exercício da intimidade é fácil? Dificílimo, eu diria. E nem todo mundo banca.

Um bom final de semana MVG! ;)

2 comentários Adicione o seu

  1. Heverton disse:

    Cara! adorei o blog!
    estou no começo de um namoro, e sempre fui do tipo viver apenas a paixao, e largar depois disso!
    Uma puta sacanagem! E estou com muito medo de nao segurar a barra com o novo parceiro, depois que essa paixao se for!
    tomara que eu aprenda dessa vez, pois o cara é gente boa demais! =]
    abraços!

    1. minhavidagay disse:

      Fala Heverton!
      Tudo bem?

      Obrigado pela apreciação do blog! Torço para que você evolua com a relação, dando passos a mais no modelo de paixão que você mantinha.

      Boa sorte e sucesso! ;)

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