Gays das metrópoles e gays de cidades pequenas

Gays na Bahia, gays em Manaus, Pernambuco, Recife, Florianópolis, Alagoas ou Minas Gerais. Existem gays em todos os lugares do Brasil. E como será a vida dos homossexuais que vivem em pequenas cidades e têm menos acesso à informações e referências, como os que vivem em metrópoles como São Paulo, Rio de Janeiro ou outras grandes capitais?

Na Internet a gente não encontra somente pessoas para paquerar ou fazer um sexo. Tive a oportunidade de “teclar” (será que esse termo ainda se usa?) com gays de outros cantos de São Paulo, de realidades diversas, e manter algum tipo de contato pelo messenger.

Além das minhas referências, imagino que o gay que está fora do circuito das metrópoles tem algumas limitações de informação e referência. O “mundo gay” nessas cidades é pequeno ou minúsculo e, as poucas baladas ou “cantinhos” GLS, se reduzem ao público máximo esteriótipo, aquele que é O GAY da cidade, alvo de piadas, preconceitos e de comentários.

Uma vez fiz uma viagem para Silvianópolis: eu e mais uns 4 amigos da faculdade elegemos um feriado prolongado, fomos até o terminal e escolhemos uma cidade as cegas. Mochila nas costas, disposição e chegamos nessa pequena cidade do sul de Minas. Naquela época eu não estava assumido nem para mim mesmo, mas não pude deixar de notar na “bicha” da cidade, completamente, ultramente, excessivamente notável! rs.

E quando o assunto é balada, mesmo nas grandes capitais que não São Paulo ou Rio, são uma ou duas e todo mundo acaba se conhecendo nem que seja de vista.

Gays do Brasil

No final, tudo fica repetitivo, monótono, de rotina.

Falo por São Paulo: temos mais opções, certamente. Tem mais gente? Muito mais. Têm estilos diferentes? Sim! Mas, depois de dois meses saindo todos os finais de semana, você vai notar que, talvez, o lado intimista dos “cantinhos” da sua cidade fazem a diferença! Não quero supervalorizar os hábitos mais amistosos das pessoas que vivem fora de São Paulo. Mas, assim como todas ou quase todas grandes capitais, São Paulo acaba formando pessoas mais individualistas, menos acessíveis e mais “carão” como costumamos dizer aqui, ali e em qualquer lugar. E isso acontece, muito provavelmente, porque aqui somos apenas mais um!

O grande barato de ser gay em São Paulo não são as opções de baladas e bares. Baladas e bares são apenas uma “pontinha”, que inclui cinema, teatro, restaurantes, shows, museus, parques, ruas e lojas, negócios e diversidade de pessoas. Aqui tem gay loiro, negro, japonês, chinês, moreno e estrangeiro. Aqui tem guetos de todos os estilos, bonitos de se ver, mas nem sempre acessíveis para se conhecer.

Aqui, em São Paulo, é muito fácil ir para a cama. Os motéis e hotéis-lixão por aqui são tantos e cada vez mais abertos ao público gay. Mas gay paulista, normalmente, prefere curtir mais uma amizade do que um namoro!

Estou fazendo um tipo de crítica, mas adoro essa cidade. É óbvio que a tranquilidade e o aspecto amistoso que a gente encontra fora daqui fazem falta. Mas quem é paulista ou aprende a ser descobre os caminhos.

Muitos gays idealizam São Paulo e fantasiam com uma cidade cheia de possibilidades. Nem sempre é assim, quando o assunto é ser gay nessa cidade grande. A variedade de estilos, pensamentos e forma de agir são muitos, o que acaba dificultando você se encontrar ou se identificar.

Mas o objetivo desse post não é acabar com um sonho. Se você acredita na São Paulo que você imagina, aqui, talvez, você possa encontrar. Ou melhor: fazer!

Aqui você pode encontra pessoas parecidas com você. Ter acesso a elas, no sentido de perpetuar um relacionamento duradouro de fidelidade, seja para amizade ou namoro, são outros quinhentos. Quinhentos que qualquer um pode aprender se aventurando em São Paulo!

Como a cidade é um turbilhão de tudo, não seria muito diferente disso. Não é a toa que os jovens gays que se atiram em São Paulo, quando mais velhos, experientes e resolvidos, sentem falta das raízes. Piegas falar “raízes”. Mas é bem por aí…

2 comentários Adicione o seu

  1. éder disse:

    Mas vc não está tratando muito a realidade, Em quase todos os estados brasileiros suas capitais são grandes cidades que encontramos muitas opções, moro em Salvador uma cidade com 3 milhões de habitantes, a Terceira maior cidade do país e encontramos uma vida noturna muita agitada assim como em Sampa e o Rio , lembre-se o Brasil não é só Estas duas maiores cidades, existem outras metrópoles!!!

    1. minhavidagay disse:

      Oi Éder!
      Certamente existe e a ideia do post não é gerar polêmica de qual capital é a mais dinâmica e que oferece mais entretenimento, cultura, etc! Só que sempre, em todos os campos ou assuntos as capitais São Paulo e Rio de Janeiro sempre se destacam como as mais “preparadas”, o que não quer desqualificar nem a terceira, nem quarta, nem a décima capital.

      O ponto do post foi mostrar que existe um grande contraste de quem vive nas metrópoles e quem vive em cidades menores, espalhadas em todo o Brasil – que são muitas. E como referência é claro que São Paulo, por exemplo, é de conhecimento geral que é o “coração gerador de negócios do Brasil”. E isso é um dado estatístico.

      O objetivo não foi menosprezar outras grandes metrópoles. Mas tornar didático que existe um contraste nas referências de quem vive em metrópoles e quem vive em cidades pequenas.

      Abs!

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