Dilema de um relacionamento gay (ou de qualquer relacionamento)


Tantos casos narrados por aqui, num ar de positivismo (que tem que ser!) e agora, a minha vida entra num momento dilemático. Eu e meu namorado, depois de quatro meses vivendo questões relacionadas ao descompasso no sexo, chegamos num momento de definir se seguimos assim, como um casal ou se não.

Busco sempre ser positivo e otimista em meus posts, afinal, uma das coisas que mais precisamos nesse meio é de apoio. Ou melhor, precisamos sempre de apoio. Porém, como um reles mortal, também tenho minhas dificuldades, dilemas e crises que, embora tento sempre superar, surgem no momento que também definimos por compartilhar parte da nossa vida com outros reles mortais: família, amigos e namorado! Felicidade só faz sentido se é compartilhada. Mas crises também! rs

Tenho vivido um período bastante intenso de trabalho e de cuidados especiais com minhas duas dog’s que estão doentes. Uma delas, com sete anos, está com as patas de trás paralisadas faz uns 3 meses e a outra, filhote de 11 meses, tem crises de convulsão faz 5 meses. Agora são 21h e ainda estou no trabalho, concluindo meu dia nesse “desabafo” no MVG.

Por conta das crises convulsivas da filhote sou invariavelmente obrigado a acordar as oito da manhã todos os dias para dar um remédio específico para evitar os ataques. Faça sol ou chuva, seja domingo ou segunda-feira, estar de pé nesse horário para medica-la é uma regra. Segunda-feira passada e há duas semanas atrás foram sequências de convulsão, internações, passagens no veterinário particular, na HOVET (USP) e num outro hospital particular para internação.

Em outras palavras, faz uns 3 meses que durmo 5 horas por dia e, não quero me fazer de vítima nessas condições, mas a barra é grande! Gigante! Pesada!

Quem gosta de cachorro como eu, e conhece o verdadeiro amor incondicional que eles nos oferecem saudáveis ou até mesmo doentes, sente a responsabilidade chamar nessas situações de doenças graves.

Tenho assim trabalhado até as 21h e, quando as “minhas filhas” não me trazem problemas inesperados, sigo nesse ritmo numa necessidade grande de crescer com a empresa e, não menos importante, garantir as parcelas das prestações do financiamento da minha casa própria, recém adquirida no final do ano passado.

Mesmo com todos esses relatos, sou gente grande e, como um “bom cidadão”, busco superar os imprevistos, incorporar e seguir em frente. “Ninguém carrega a pedra maior do que pode lever”. Não tenho deixado de ver amigos, amigos do meu namorado e reservar meu tempo nos finais da noite e nos finais de semana para estar com meu namorado, o cara que eu amo e que me proporcionou o relacionamento mais franco e claro até hoje.

Mas nessa rotina que começou no ano passado com o trabalho e com a mudança de casa, tudo ficou mais intenso com essas crises na minha “família canina” e, a ponta da minha vida que balançou foi no sexo. BOOM!

Minha libido anda baixa, para não dizer baixíssima. Tenho uma vontade imensa de estar com meu namorado, abraçar, fazer carinho, trocar conversas mas transar, não!

E faz alguns meses que essa situação está virando uma cobrança por parte dele que firmemente tenta não reclamar, mas que nem sempre consegue. Daí vem patadas, caras, mal humor, indiferença, num ritmo pouco constante, mas em conta gotas. Ele entende a minha parte, eu entendo a parte dele mas a questão fica sempre latente, com o status “não concluído” e não sei mais o que fazer. O sexo tem sido uma vez por semana e, nessas últimas duas semanas, são 15 dias que não fazemos.

Já falei em relação “semi-aberta”. Eu estou tranquilo nessa situação pois minha libido não tem gritado, nem mesmo cochichado. Esse é o primeiro namoro dele e, além da situação que estamos vivendo, deve ter fantasias com outros corpos, e que é totalmente normal. Sugeri que experimentasse esse “semi-aberto”, sabendo que o que já construímos nesses 2 anos são extremamente importantes para mim (falo por mim): boas relações entre amigos, ótimas relações familiares e o simples bem estar de fazermos tudo ou quase tudo juntos sem cansar da companhia. Conquistamos um relacionamento com intimidade e amizade, que é raro e difícil de se alcançar. Só quem tenta realmente namorar sabe o que é chegar num namoro regado a amizade.

Por outro lado, sensato, ele não acha certo abrir a relação. Não precisa de outra pessoa e me quer para realizar seus desejos libidinosos. Só que para mim está claro: não posso deixar de trabalhar com afinco pois agora além da responsabilidade de manter minha casa, tenho gastos altos com duas cachorras. E quanto as próprias cachorras, não posso deixar de cuidar, levar uma na acupuntura todas as semanas, ajudar a fazer xixi 4 vezes ao dia e, a outra, fazer os devidos exames, correr atrás de socorro nas crises convulsivas até o momento que os médicos descubram o que realmente ocorre com a filhota.

Situação dilemática. Ele tem sido um ótimo companheiro nessas horas que as responsabilidades me chamam. Mas, ao mesmo tempo, humano como é, sente falta de situações básicas como viagens, passeios sem hora para voltar e, obviamente, sexo. E tem toda razão… assim como eu.

Suas cobranças, como comentado acima, vêm em conta-gotas e, na situação atual da minha vida, começam a me dar bode. E quando vem o bode da pessoa…

Superamos as crises que costumam vir com a paixão, superamos ciúmes e inseguranças, superamos inveja de “amigos” e superamos juntos a sua família que passou a compartilhar de sua sexualidade no mesmo momento que entrei em sua vida. Mas parece que agora, a ponta do sexo que não está funcionando direito, que ele quer e para mim não faz muita diferença, pode ser fator definitivo para seguirmos caminhos separadamente.

Cruel. Bastante cruel. Não sei se é mais humano ou desumano…

9 comentários Adicione o seu

  1. donato disse:

    Importante esta questão, principalmente pelo texto não ter uma observação mais forte em relação ao seu parceiro.
    O tema se trata e se volta muito em relação a sua vida, suas responsabilidades, cachorros, preocupações, contas, etc…
    Vale ressaltar que para qualquer leitor, o seu parceiro deveria ser mais citado afim de podermos ajuda-lo.
    Minha opinião é estabelecer qual sentimento é maior em relação as suas preocupações ou o amor pelo seu parceiro.
    Sexo é a forma mais bonita e concreta de praticar e estar conectado com quem amamos.
    Se vc escolhe se preocupar com suas responsabilidades e se desligar do sexo que “sim” é importante no relacionamento, então dê espaço para ele encontrar alguém que possa ter responsabilidades individuais e possa ter relações sexuais como qualquer casal que se ama e se quer.
    É isso!

  2. Thiago disse:

    Esta tarde, a fim de aliviar a minha inquietação e ansiedade, busquei pelo Google alguns depoimentos que pudessem me ajudar no entendimento de uma relação homo afetiva com ausência de relação sexual.E eis que surge o seu blog, no qual a sua situação possui algumas semelhanças com a minha.
    Desde de pequeno, senti atração por rapazes, por influência do destino e pelas questões tradicionais, terminei seguindo um caminho digamos “heterossexual”, namorei algumas mulheres até quando conheci este rapaz em 2011 no shopping onde eu trabalhava.
    Nos relacionamos algumas vezes durante alguns eventuais encontros pelos corredores e banheiros do Shopping.
    Aos poucos fui sentindo uma forte atração e desse sentimento, aos 24 anos, assumi a minha condição bissexual, foi quando resolvi investir neste rapaz de 36 anos ao assumir um relacionamento sério.
    Como todo começo de namoro, a paixão foi um elemento que nos inspirava a fazer loucuras, a ter cenas constantes de ciumes, declarações e juras de amor, até quando o relacionamento foi amadurecendo e todos estes elementos foram se esvaecendo.
    Como ele sempre trabalhou na área de varejo, tinha muita responsabilidade na área de gerência de loja em uma marca conceituada do mercado, sempre foi muito focado no seu trabalho, tipico de capricorniano.
    Aos poucos, as relações sexuais foram diminuindo na nossa relação, chegando ao ponto de ocorrer apenas 1 vez por mês, como vem ocorrendo há quase 1 ano.
    Durante várias brigas que tivemos, este assunto têm sido amplamente discutido, sem solução, há varias promessas de melhorias, mas sem sucesso.
    Creio que o sentimento de amor como ele diz que sente por mim, não se perdeu, sei que os medicamentos psiquiátricos que ele toma, mexe com a sua libido, entretanto, não sei se este é o maior motivo.
    Como o amo, venho me controlando para não cometer nenhuma ação de desrespeito, porém, sou um jovem ser humano e sei que uma hora, isso vai pesar, como vem pesando.
    Observei que esta postagem foi em 2013, por isso, gostaria de saber qual caminho a sua história tomou? o que sua experiência pode me auxiliar pra que eu consiga superar este obstaculo?Será que há traição, falta de desejo e ele tem medo de me falar?

    1. minhavidagay disse:

      Oi Thiago!
      Tal post foi no começo de 2012. Este namoro durou até novembro de 2013 e, sim, acabou porque o tesão – principalmente da minha parte – havia esfriado muito. Esse foi o principal motivo. Tentamos abrir a relação, mas ambos (embora ele possa dizer o contrário – rs) não conseguimos tirar a ideia do papel. A relação durou 3 anos e 11 meses. Mantemos uma leal amizade hoje.

      De lá para cá, eu namorei mais duas vezes, relações bem curtas a se comparar com esta com o “Beto”. Estou iniciando um outro relacionamento, coincidentemente, com alguém que se chama Beto. O tempo me ajudou a virar páginas com o namorado do post em questão. A gente nunca começa um namoro pensando no término, mas quando o mesmo vem, precisamos aprender a amadurecer e crescer com isso.

      Superamos uma relação bem sucedida que durou 3 anos e 11 meses. Como dizer que não deu certo? Deu sim, muito e continua hoje com uma amizade muito sincera.

      Três anos se passaram depois que eu terminei com o Beto. Namorei o Japinha e o Rafa, que foram bons companheiros, apesar de relações tão curtas. E hoje, posso te afirmar que o encantamento da paixão pelo “novo” Beto tem me preenchido dos pés a cabeça. Não imaginava que isso era possível de acontecer de novo. Pois bem, me enganei.

      Enfim, o destino da sua história com seu namorado depende apenas de vocês dois. Complicado eu dizer para fazer isso ou aquilo. A única coisa que eu posso dizer é que você aprenda e cresça com cada experiência. Viva o hoje sem pensar muito no amanhã.

      Abraço,
      Flávio.

  3. Thiago disse:

    Flávio, boa noite!

    Agradeço por me passar um pouco de sua experiência, acredito que na vida nada é por um acaso.
    Nesta história que estou vivendo ainda existem algumas entrelinhas que estou tendo que aprender a lidar, estar em um primeiro relacionamento homoafetivo com alguém mais experiente tém sido uma aprendizado e um exemplo de maturidade, pois estou tendo que vencer as barreiras que criei ao longo de outros relacionamentos sem sucesso, decepções amorosas, falta de confiança e, principalmente neste assunto tão delicado, sexo.
    Como você disse que o amava muito, não consegui compreender ao certo porque a perca de tesao da sua parte foi se perdendo desta forma, sei que os problemas que passamos influenciam, mas o amor não é maior? Será que isso aconteceu porque houve uma perda de “encanto”, paixão??

    1. minhavidagay disse:

      Sim… creio que o encanto vai acabando. As brigas, as diferenças e fundamentalmente as decepções mexeram com a minha libido por ele. Não comprometeu a amizade nem o carinho, mas certas frustrações e decepções mexeram diretamente com meu desejo por ele. É um funcionamento particular, que pode acontecer com outras pessoas, mas acontecem comigo.

      Minha lua é em Câncer rs. Pode parecer besteira, mas apesar de eu parecer forte, provedor, sou bastante sensível. E essa sensibilidade influência bastante a minha parte sexual.

  4. Dann disse:

    Adorei seu post e todos os comentários foram de grande ajuda. Vivo uma situação parecida e gostaria da opinião de vcs. Estamos juntos a 2 anos, porém no ultimo ano tivemos muitos problemas e brigas e tentamos nos separar algumas vezes. Pois bem acabei recebendo uma proposta de trabalho na europa e após conversarmos ele quis vir comigo e acabamos casando. Acreditei que isso seria algo bom pois estariamos totalmente dependente um do outro e que talvez o novo país reacende se a libido dele. No final piorou. Chegamos a bater o recorde de 2 meses sem contato sexual. Ele insiste em me dizer que nunca gostou mto de sexo porém no inicio faziamos feito coelho o tempo todo. Já houve tanta discussão que as vezes chego desistir de ter relações com ele pelo trabalho. Mas tb acho cruel a atitude dele de dizer que me ama e quer ficar cmg mas não deixa eu ter relações c outras pessoas e tb não as faz cmg. O que fica mais difícil é q se ele se separar de mim terá que sair do país e outra depende totalmente financeiramente de mim. Não me entanda mal não sou um monstro pagaria tudo caso nos separassemos mas realmente o amo e quero estar c ele além de q sinto um tesão enorme por ele mas acho q ele já não senti mais por mim. Não sei mais o que fazer. Se nos separamos ou se ele pode descobrir o que apagou a chama dele.

    1. minhavidagay disse:

      Dann, tudo bom?
      Existem muitas possibilidades e nenhuma apontam para o que é certo entre vocês. Mas como Coach, diante desses impasses vocês primeiro precisam determinar o que querem: continuar ou terminar. A pergunta ideal é a seguinte: por que vocês estão juntos hoje, ou melhor, quais são as importâncias íntimas que fazem vocês continuarem?

      Depois, quais seriam as diversas possibilidades, variações e opções que vocês – juntos – podem consensualmente estabelecer para que a relação saia dos padrões e rotinas?

      Algo que achei curiosa em sua relação é a dependência emocional e material por parte dele em relação a você. A questão é: o quanto essa dependência emocional e material pode influenciar em diversos aspectos da relação, incluindo o sexo?

      Abraços, Flávio

  5. Fefe disse:

    Estou passando por um situação semelhante. Sempre namorei garotas e estou na minha primeira relação homo. Quando estávamos apaixonados éramos bem intensos, mas depois de um ano e meio, as coisas esfriaram. Há três meses somente EU procuro, não há desejo da parte dele e eu vejo-o sempre tentando fugir da transa. Depois de colocá-lo na parede, ele alegou que tacanha demais e não tem o mesmo tesão que eu. Que ele não se opunha em ter mais relações, mas que eu deveria tentar outras abordagens… Entretanto a nossa cabeça pensa em 1001 coisas… Ele me disse que não funciona sem estar no clima, mas a sua ex relação tinha dia e hora marcada. Tenho a sensação que ele não sente qlq tesão em mim e isso é péssimo. Tudo isso gera um desconforto e uma revolta muito grande, pois acredito que o sexo é a maneira mais verdadeira de se amar, que não cabe disfarces…
    Se possível, me ajude a entender o que passa do outro lado. Devo procurá-lo novamente ou dou um tempo no sexo?
    O sexo pra mim é super importante, tem uma dosagem bem maior que pra ele, talvez por viver muito tempo no armário. Esta situação está bem difícil e corrói minha mente diariamente…
    Muito Obrigado!

    1. minhavidagay disse:

      Oi Fefe! Por gentileza, me escreva no flavio@lifecoachmvg.com.br. Obrigado!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s