E como veio, passou…


No último post fiz um tipo de alarde! rs. Mas foi importante registrar um pouco das minhas ideias, sobre uma questão íntima entre eu e meu namorado (sem vergonha nenhuma), para organizar a minha cabeça. Compartilhei uma situação que estamos vivendo hoje, uma “crise no namoro entre dois homens” mas que, como sempre comento por aqui, com o diálogo há o acordo.

Acordo não é a palavra mais pertinente para definir a resolução desse caso. No momento que nosso desejo sexual anda em descompasso, digamos que a situação será ainda revista e conversada por algum tempo. Mas isso é o que menos me incomoda, desde que haja conversa e vontade de se acertar.

Acontece que, o que realmente me incomodou não foi a cobrança em si. Bem ou mal, certo ou errado, quando se está namorando algum tipo de cobrança vem em um ou mais assuntos. A gente se esforça bastante para não criar situações de cobrança, idealizando um relacionamento mais maduro e em maior harmonia. Mas verdade seja dita: como somos humanos e temos tendência a achar que “controlamos” a vida de “quem nos pertence”, acabamos cobrando. Então, como falava, a cobrança não foi o problema. O problema foi a maneira: seca ou grosseira.

Foi como se meu namorado estivesse sendo grosseiro gratuitamente num fim de semana que eu estava exausto e não entendia que lhe faltava sexo. No dia seguinte foi explicado, mas a sensação de grosseria sem propósito ficou. E foi essa postura “seca sem causa” que me deu bode. Ninguém gosta de estupidez sem motivo. Mas o bode passou porque, hoje, veio o começo da conversa.

Conversa, gente. E conversa não é imposição ou um teste da capacidade de articulação. Conversa é neutralizar os sentimentos, que não é de raiva, nem de orgulho, nem de potência mas pronunciar frases de maneira tranquila, sem querer vender ideias, sem impor ou testar o nível de articulação próprio ou do outro.

Muitas vezes, quando acontecem crises entre casais – gays ou heterossexuais – normalmente a pessoa mais bem articulada, que tem mais lábia ou mais capacidade de transformar pensamentos em palavras acaba “vencendo”. Mas tem casos, muitos casos na rotina entre casais, que não é o “talento de falar” que garante a paz na relação. Pode dar uma falsa sensação de segurança para aquele que, no casal, articula melhor. Mas, como dito, é uma segurança falsa, é um tipo de controle.

Em relacionamentos longos, como é o nosso caso, depois de um tempo de convívio, a gente costuma colocar um ou outro em “caixinhas”. “Ah, porque fulano é desse jeito e não muda”. “Ah, porque o cicrano só pensa assim”. E “encaixotar o namorado” pode ser o pavio para detonar a relação.

Não é a toa que vemos nossos pais e nossas mães reclamando do jeito um do outro como se fossem assim, encaixotados, imutáveis. Ninguém é encaixotado na verdade, todos somos capazes de mudar ou rever mas, se acreditamos nas caixinhas, o jeito do outro passa a virar nossa maior desculpa por situações que nos desagradam. Encaixotar o outro acaba nos acomodando no modelo de relação e, daí, a gente vai reclamar da rotina? Claro que vai! Mas quem encaixota contribui para a chata rotina!

A gente busca relacionamentos bem sucedidos? Bom, a primeira ideia é sempre olhar antes para dentro para depois criticar o que está fora.

3 comentários Adicione o seu

  1. Rafael disse:

    Gostei muito do seu texto e me identifiquei bastante com ele tb!

  2. RAfa disse:

    gostei do texto porem passo por dificuldade
    Talvez eu esteja um tanto preocupado, pois não sei o que fazer se posso exigir algo, devo continuar sempre se flexibilizando sei que não estou muito feliz . Pois penso que ele também deve estar sofrendo muita pressão psicológica de sua família não sei se devo exigir que seja mais coerente ou se deixo como estar

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