Relato gay: a emoção da primeira paixão

Um novo amigo, que tenho aprendido a estimar pelo intelecto e pelo grande talento profissional, me procurou para pedir alguns conselhos sobre uma situação nova que está passando: um sentimento de paixão nunca antes sentido!

O “Kota” tem seus 22 anos e, antes de desvendar os “mistérios da paixão e do envolvimento afetivo”, buscou se estabilizar como profissional em uma boa empresa, tornar-se requisitado pelo que faz e fez suas viagens de mundo, numa “fórmula” comum para a grande maioria da classe média e alta da geração Y quase Z. Nos últimos meses se deparou com a situação nova com um outro menino, aparentemente heterossexual e recém-terminado com uma namorada que tinha há 3 ou 4 anos.

Esse menino, trabalhando na mesma empresa e conhecendo o Kota pela reputação ou de vista, por algum motivo tem buscado se aproximar do meu amigo. Trocam SMS, conversam frequentemente pelo chat do Facebook, e têm saído para baladas mix, que não necessariamente são para gays, apesar de dar um público variado.

O menino em conversas de indiretas já lançou para o Kota: “Eu beijaria um menino para ver qual é”. Curioso, muito curioso, dizer isso para meu amigo que ele e mais alguns outros da empresa sabem que é gay!

Do outro lado da história, o meu amigo está sentindo uma emoção por tudo isso, como nunca sentiu até hoje. Talvez pelo fato da história vir como veio, pelo menino ser aparentemente heterossexual, pela aproximação inusitada fora dos ambientes da balada e por tudo que ambos têm trocado nos últimos meses. Hétero o menino ou não, história corriqueira ou encantadora, o meu amigo Kota está apaixonado! Estava nervoso ontem, fantasiando “barreiras” para um possível encontro a dois e, sim, de um jeito compulsivo que a paixão normalmente nos toca ou nos tira do chão.

Relato gay: Primeira paixão gay
A bomba atômica que é a paixão pode ser boa ou ruim. Depende da sincronia. Mas o mais importante é sempre se arrepender pelo que se faz e não pelo que deixou de fazer.

O que meu amigo acima de tudo precisa é de coragem. Para mim existem dois perfis básicos de pessoas: os amantes e os amados. O Kota tem tudo para ser o perfil mais do amado, daqueles que o amante corre atrás, embora ele seja muito esperto e ágil nos meios mais comuns das baladas, onde a fórmula básica e comum se manifesta em todos: trocou olhares, gostou, é só chegar beijando! Mas, para o meu amigo dessa vez, TUDO tem acontecido de jeito diferente. E, sinceramente, fico feliz que essas novas experiências, longe das formulinhas triviais das baladas aconteçam com todos, embora muitos gays, não saiam do disco riscado.

Eis que meu amigo Kota deve marcar um jantar amanhã com o “potencial candidato”. Tudo é novo, dá um certo medo e não se sabe o que fazer.

Mas o conselho que dei a Kota, nesse processo que se estende para um mês e meio é que tome cuidado para não perder o timming. De fato, não a nada a perder. O “não” para quem está compulsivo pode soar de maneira mais dolorida. Mas o “sim”, nessa situação diferente que fisgou meu amigo pode encher de cores essa história. Vale o risco do “chegar chegando”!

Outro fato é que se o menino for realmente gay, ele está começando a sua história agora. E isso pode ser bom ou ruim para um Kota apaixonado. Mas isso, definitivamente, é um outro capítulo que não vale fantasiar agora.

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