Transexuais ou transgêneros? (Errata)


No post dedicado ao cartunista Laerte, cometi um deslize sobre o significado das coisas. Acabei me esclarecendo com o próprio Laerte que, gentilmente, respondeu a um e-mail.

Feita uma reflexão sobre os temas da transexualidade e da transgeneridade, vamos a errata:

O transexual é aquele que desde pequeno ou até mesmo já quando nasce se sente totalmente avesso ao seu corpo e a sua “alma”. Em outras palavras é aquele menino que na verdade se sente uma menina e, isso, inclui fundamentalmente a psique e não somente o desejo físico de ter um outro corpo. O exemplo dado com a Roberta Close caiu corretamente. Ela nasceu homem mas tinha o desejo de ser mulher. Já cresceu pensando como mulher e, por fim, acabou transformando seu corpo para assumir de maneira resolvida e completa a figura feminina.

Existe também o transgênero que não foi citado no post em questão! O transgênero é aquele que transita entre o gênero masculino e feminino e vive, cada um a sua medida, um tipo de conflito para se colocar e se definir: parte homem, parte mulher. O transgênero é o travesti. Só que o termo travesti vem com uma carga cultural pejorativa, da prostituição, dos excessos, das agressões. Travesti, culturalmente, carrega a energia do preconceito. E daí, o contraponto para esse negativo é a utilização do termo cross-dresser. Que também é transgênero, que também é travesti, mas não carrega culturalmente os valores “chocantes” ou “radicais”. O cross-dresser poderia ser a boa moça travesti.

O conflito de gênero e as questões que envolvem a transgeneridade não estão sempre relacionados a uma sexualidade óbvia. Ou seja, tem travesti que é gay mas tem também aquelas que transam mulheres. No momento que o travesti transita, hora mais para o gênero masculino, hora mais para o gênero feminino é até normal um perfil mais bissexual.

Porém, para concluir, vem o meu pensamento: bissexualidade é processo, é transição e não um estado definido. Esse processo pode durar anos ou semanas. Bissexualidade deve ser uma tendência geral para mais alguns anos, no momento que ser homossexual ou heterossexual não será mais uma questão social.

A sexualidade, sim, não vai depender de gênero. Enquanto isso, enquanto existe o preconceito e os tabus sexuais, poderemos conceituar perfis, dividi-los em categorias e subdividir as próprias categorias. Tudo isso, numa busca intensa para podermos nos encaixar socialmente, para darmos um sentido a nós mesmos.

Assisti depois o Laerte na Gabi, no Jô Soares, no Abujamra. Gente, o Laerte é a personificação brasileira do travesti fora da profunda carga do preconceito. Sei que até mesmo no nosso meio GLS os travestis são vistos com olhos cerrados. São vistos com aquela carga da contradição, dos excessos, do ultrapassar os limites. Quero dizer, sem euforia nenhuma, que o Laerte pode ser um representante midiático que vai ajudar bastante a quebrar com esses preconceitos, seja no meio heterossexual, seja no meio gay também. Por que eu penso assim? Porque o Laerte convence sendo a Laerte. E isso tem a ver com naturalidade de ser como é.

Fica ai a sensação para ver o que acontece.

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