Relato gay: Pedro e João, caso de bullying

Gentilmente um leitor do Minha Vida Gay deixou um relato interessante, não de um caso pessoal, mas de algo que leu na globo.com, sobre a história de “Pedro e João” e as questões de bullying que existem em ambientes escolares e que anda na moda no mundo todo.

Obviamente, diante da sociedade brasileira com barreiras e preconceitos, bullying com ou contra gays é quase que uma lógica, apesar de nos elevar a mediocridade.

Acontece que o bullying sempre existiu. Mania do ser humano de criar nomes e conceitos para as coisas, que acaba facilitando a compreensão e a divulgação. Bullying – crianças de modo geral, a medida que vão descobrindo noções de sociedade, respeito e limites até a pré-adolescência (e alguns até a fase adulta) tem algo de perverso. Uma perversidade natural, humana ou animal de perceber o diferente e tratar com repulsa e estupidez. Obviamente que os pais não pensam, nem querem isso dos filhos. Mas qual grupinho de crianças ou adolescentes não abusam da discriminação de raça, porte físico, comportamento, classe social e sexualidade? Sempre teve e creio que sempre existirá o incômodo pelo o que é diferente: o “ruivo e branquelo da sala de aula”, o “gordinho que não consegue jogar futebol”, a “japonesa nerd que só tira nota 10”, “o menino que tem jeito de menina”, “o magricela e alto que destoa da turma pelo tamanho”, “o sujinho”, “o neguinho”. E nos deparamos com esse conceito, do bloqueio, da rejeição ou crítica ao que é diferente logo no começo da vida, na sala de aula, quando crianças e jovens de todos os tipos e estilos passam a ter noção de sociedade, de coletividade e de diversidade. Conceitos que para alguns não fazem diferença, para outros tem cheiro de curiosidade e para alguns é motivo de taxar e agir ou reagir com dureza mediante a diferença. A noção de crueldade ou maldade também começa a ser apreendida nesses períodos escolares.

E são nesses momentos, quando a criança começa a ter a visão de mundo até a pós-adolescência, que nós podemos notar o quanto o ser humano evoca sua natureza do julgamento e da grande dureza de taxar ou recriminar aquilo que é diferente, até com a agressividade. Daí, bullying, palavra criada (claro) por americanos para conceituar a situação em que jovens tratam as diferenças com agressividade física e/ou moral.

É essa mesma sociedade, maníaca por dar nome as coisas, que mostra o lado “bom” dessa moeda. Conceitos e ideias se pulverizam rapidamente. Consequentemente, jovens que sofrem bullying encontram informações, seja na Internet ou por meio de outra mídia, que ajudam a confortar e a entender a realidade que vive. A compreensão muitas vezes traz a paz de espírito.

De qualquer forma, o buraco é mais em baixo: a agressividade é umas das características humanas que, na vida em sociedade, aprendemos a controlar. Assim como a necessidade natural de viver em grupos, pela proteção e segurança. Porém, ter a consciência dessa ou daquela característica são outros quinhentos. Quinhentos, mil ou dez mil anos de existência para o ser humano entender que a agressividade gratuita não é algo evoluído. Mas também penso que, em muitas situações narradas na história, a manifestação de agressividade como processo as vezes se tornou ou torna-se necessária para fixar com firmeza a estaca entre os limites entre as pessoas. O ser humano também tem a natureza territorialista física e moral. Por exemplo: quando falamos em lutar e batalhar para conquistar nosso espaço, fazer valer o respeito de nossos limites, subentende-se um tipo de agressividade. Uma agressividade que vem da ideologia, verbalizada, contundentemente expressada no sentido da força que uma ideia tem em diluir conceitos retrógrados.

De qualquer forma, não vou devanear mais nesse post. Deixemos a compreensão da agressividade como processo ou como finalidade para outro dia.

Eis o link para a reportagem sobre o caso de bullying “Pedro e João”. Achei o conteúdo um pouco dramático demais, no momento que a ideia para as nossas vidas é sair do drama e viver algo mais prático e resolvido. Sou eterno partidário do “bola pra frente” e do “vamos fazer diferente”. De qualquer forma é uma boa referência de um caso que certamente acontece por aí, a todo momento.

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