Seriado Gay – Queer as Folk

“Queer as Folk”, uma de minhas referências logo que iniciei a minha vida gay, vale a pena ser relembrada aqui no MVG. Não me refiro a versão americana, que foi produzida posteriormente à versão inglesa. Me refiro sim a versão British.

A versão americana conseguiu trazer atores belíssimos, corpos incríveis, ganhou audiência com cenas homeróticas muito quentes e, consequentemente fez mais sucesso. Acontece que, um sucesso baseado em conceitos apelativos e nos esteriótipos, tiram a gente do foco. E como o Minha Vida Gay tem uma tendência a querer colocar os leitores no foco, não vai ajudar a promover a versão pop americana!

A produção inglesa de Queer as Folk, original e com atores com aparência mais “normal” (e bons atores) vale o destaque por aqui, como mais uma referência de entretenimento e conhecimento para os leitores que ainda não sabem ou sabem muito pouco da realidade mais “in” da vida gay. “In”, no sentido daqueles que frequentam mais os pontos gays das capitais.

Assisti a esse seriado no final dos anos 90 pela Euro Channel. Euro Channel nunca se popularizou muito, na mesma proporção que a TV Cultura não é um canal para o Pânico na TV. Canal de filmes cults, europeus, tive a satisfação de “enxergar de fora” a vida de gay, sob um ponto de vista que faz sentido para a nossa vida em terra brasilis.

O seriado na versão original inglesa trata a vida gay de uma maneira bem próxima da realidade, daqueles que buscam viver respirando a atmosfera GLS a todo momento. Stuart Alan Jones é o personagem principal. Publicitário bem resolvido profissionalmente, individualista e voraz quando o assunto é sexo ou a falta de comprometimento com um relacionamento mais sério, tem Vince como companheiro e amigo de longa data. Vince, numa antítese de Stuart, tem a personalidade mais tranquila, mais da família, até inibida ou inocente. Ambos formam uma dupla quase inseparável e um modelo até comum de se encontrar por aí na vida real, daquele que quando o assunto é amizade entre dois gays, não se sabe muito bem onde começa a amizade e onde termina o interesse do “algo mais”.

Queer as Folk trata das descobertas, do tipo de status que o meio gay proporciona, das relações familiares, das possibilidades de paternidade, das drogas, da noite GLS, dos encontros e desencontros, e, de maneira bastante natural trata dos relacionamentos mesmo que muitas vezes pautado pelo individualismo do protagonista.

Não é um filme que aborda o “estar dentro do armário” como foco. Em um contexto britânico mais avançado – da aceitação da diversidade – a homossexualidade já assunta outros temas que não o conflito social. Fala de gays bem resolvidos ou, pelo menos, de gays assumidos vivendo seus estilos no meio GLS e, em momentos mais curtos, fora dele. De uma maneira que pode ser até leviana, Queer as Folk é quando o Kevin Arnold dos “Anos Incríveis” é gay na vida adulta e tem um amigo chamado Stuart.

Deixo aqui as minhas impressões sobre uma produção que me instigou num período, nos primeiros anos da minha vida fora do armário e, sim, funcionou como referência para despertar minha curiosidade de respirar mais do meio.

7 comentários Adicione o seu

  1. Peter disse:

    Eu conheci QAF pela versão americana. Assisti a primeira temporada e até que no começo achei bacana… Mas depois vi que meio destorcia um pouco da realidade e resolvi pular pro último episódio. Vou tentar encontrar a versão inglesa, todos falam que é bem melhor!

    E boas lembranças de “Anos Incríveis”… assisti do começo ao fim, e lembro cada episódio até hoje!

    Abraços!

  2. Bruno disse:

    Ahh… a versão americana é muito boa também, acho que é mais voltada pro público adolescente. Assisti todos os episódios e me emocionei bastante com a série. Vou dar uma olhada na versão britânica… Quem sabe eu goste!

    1. minhavidagay disse:

      Oi Bruno!
      A versão americana foi uma adaptação da versão original e tem outro propósito. Aliás, tem bem jeitão de coisas de americano! rs

      Espero que goste da versão britânica!

      Abs!

  3. João Vitor disse:

    gostei muito da serie em ambas versões, eu já tinha lido sobre ela quando eu tinha 15, aqui nesse blog mesmo, só que na época não tive tempo de assistir, só agora eu tive depois de do nada lembrar da serie, e acho que se eu tivesse assistido dois anos atrás, eu teria amadurecido meu modo de pensar há mais tempo, porque assistindo ela eu só reafirmei o que eu aprendi nesses dois anos. Obrigado pela maravilhosa indicação.

    1. minhavidagay disse:

      Oi João Vitor!

      Há dois anos você lê o MVG?

      De nada, pela indicação :)

      Um abraço,
      MVG

  4. lebeadle disse:

    Cada vez que leio os posts me sinto menos só. Conheço a versão americana de QAF que é de fato muito voltada para estereótipos e deixa os grandes temas em segundo plano. A TV Cultura já deveria ter colocado a versão original inglesa na grade até porque tem convênio com BBC. Esse negócio da amizade novamente, hein ? Começo a pensar que conceitos como esse são um para héteros e outro para gays, meio como aquela cena de O Banquete, em que Sócrates é bruscamente interrompido por um Alcebíades ébrio que reclama sua atenção e chega a dizer que dormiu com o filósofo e se ardeu por ele mas Sócrates no entanto ignorou seus apelos e indiferente ao seu belo corpo manteve-se no leito estático, voltado ao plano das idéias distante dos apetites de sua natureza. A amizade gay deve ser um conceito mais pra Alcebíades que pra Sócrates.

  5. Ana disse:

    OMG eu já acho totalmente o contrário, a versão americana dá uma rasteira na tendência de se apresentar o mundo LGBT de forma estereotipada e unilateral. A questão é que a genialidade dos autores é tão grande que eles estão sempre tentando enganar o público e só durante a série vemos o que eles fazem conosco. No inicio da QAF americana pensamos que se trata de mais uma série de gays estereotipados e com os capítulos percebemos como fomos enganados, pq nos são apresentados personagens extremamente complexos, movidos por medos, angústias, traumas, paixões,etc. QAF americana é tão genial que no episódio piloto imaginamos que sexo será o principal tema e com o tempo, nos surpreendemos com uma infinidade de temas interessantes que envolvem o mundo LGBT, como homofobia, prevenção, política, relacionamentos,etc..Para entender essa série, lembrem-se, assistam sempre desconfiando do discurso inicial.O tempo todo ela critica o convencional, fingindo estar apresentando o convencional.Isso é genial.

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