Mitos e verdades sobre a vida gay


Conversando com meu namorado, sobre o blog “Minha Vida Gay” e como o número de leitores anda crescendo, falamos das questões e aflições mais comuns dos gays enrustidos, dos medos, fantasias e receios em assumirem a homossexualidade. Buscamos em nossas lembranças como era pra gente tudo isso de ser gay antes de assumirmos. As inseguranças são diversas e relatadas parcialmente aqui, no MVG. Alguns casos são de leitores que cedem seus depoimentos, outros comentam diretamente e, por fim, alguns enviam suas histórias para o e-mail oficial do MVG.

Esse público de gays enrustidos (para quem não sabe do que se trata pode conhecer melhor sobre o assunto no post O gay enrustido) é bem amplo aqui no MVG, pelo que notamos em depoimentos e na pesquisa realizada aqui no blog. Em outras palavras, o público gay é muito maior do que a frequência comum no meio GLS. Com exceção de um ou outro que deve dar um escapadinha para uma balada gay, a grande maioria tem, se posso dizer, um estilo de vida assexuado já que não tem muito acesso a outros indivíduos gays. São apenas algumas informações que vou compilando aqui e ali, em cima de informações, depoimentos e pesquisa.

Esse post vai em especial para esse público gay e enrustido, com mitos e verdades que a nossa cabeça fantasia por não haver muitos acessos a esses tipos de informação:

1 – Tenho medo de assumir a minha homossexualidade e virar bicha!

Antes de mais nada, vamos dar nomes aos bois: “Bicha” é um dos termos mais pejorativos para caracterizar gays. “Gay” também soa de maneira ruim para alguns homossexuais. E “homossexual” é maneira mais formal de descrever aquelas pessoas que se sentem atraídas por outras do mesmo sexo. E isso serve para meninos e meninas também! Existem homens homossexuais e mulheres homossexuais. Tem muito gay hoje que não se importa em ser chamado de “Bicha”. O povo até brinca com o termo: “Ai, bicha, fala logo!”, “Vem cá, travesti!” e assim vai, numa toada cada vez menos tensa no que diz respeito ao preconceito.

Porém, muito gay enrustido tem medo de virar bicha, no sentido da “munheca frouxa”, de ficar feminino e usar roupas “diferentes”. Meu namorado tinha essa impressão antes de se assumir e, quando ele comentou sobre isso, cavoquei da minha memória esse receio e, sim, ele também existia!

Então, vem agora o toque para o gay enrustido que tem medo de virar florzinha: isso é um mito. Heterossexuais mais femininos existem assim como gays afeminados. Os homens que vemos por aí com trejeitos, maneiras de falar “mais mole” são naturalmente assim na maioria das vezes. Obviamente encontramos por aí também aqueles que excedem, que exageram e que, por ser tão radicais em suas maneiras, acabam virando um personagem. Mas isso é coisa para Freud (ou não). Os gays afeminados não são mais delicados para “forçar a barra” e merecem respeito! Em outras palavras, quem não é afeminado, é gay enrustido, e tem medo de ficar mais “soltinho” pode tirar a bobagem da cabeça. Mesmo porque, se você passar a ter referências, se identificar com esse ou aquele padrão e adotar é porque você está se encontrando. E o objetivo deve ser esse mesmo: se encontrar!

2 – Sou enrustido e sinto que tenho um perfil mais passivo na hora da cama. Isso é possível?

Totalmente possível! Os gays podem ser afeminados ou masculinizados e terem vontade de dar! Os gêneros “masculino” e “feminino” no meio gay nem sempre tem relação lógica ou direta com atividade ou passividade na hora do sexo. Muitos gays afeminados sonham em ficar com o mocinho da balada que tem jeito de homem, mas que na hora H, o moço quer dar. Tem gay afeminado que faz o papel ativo na hora da cama. A gente precisa acabar com o mito de achar que o gay “macho” é ativo e o gay “feminino” é passivo. Gênero e sexo nem sempre têm uma correspondência óbvia.

3 – É verdade que no meio gay tem essa coisa de ser ativo ou passivo?

Infelizmente, na sociedade brasileira gay isso está muito em evidência ainda. Parece, as vezes, até uma obrigação ter que se definir como ativo ou passivo e, consequentemente, ir mais a fundo somente com o correspondente. A verdade é que “ser ativo ou ser passivo” é uma questão que os gays no geral acabam se cobrando para classificar. É ainda algo necessário para se enquadrar socialmente. Vemos isso em apelidos em salas de bate papo, em sites de relacionamento e em sites de pegação. E, na realidade, é uma besteira ter que ficar preso a esses dois modelos. Fisiologicamente, por trás, todos os homens têm a possibilidade de sentir prazer.

4 – E o gay versátil? Existe?

O gay versátil deveria ser a regra no meio gay. O gay versátil ou popularmente conhecido como “FLEX” é aquele que é ativo e passivo, ou melhor, se permite sentir os prazeres de maneira ampla. Essa coisa de ser ativo ou passivo tem muito a ver com fatores psicológicos e, sim, impostos muitas vezes pela sociedade. O Flex é aquele que aproveita muito bem, no meu sincero ponto de vista!

5 – Existe preconceito entre os gays?

Existe preconceito entre os seres humanos, entre irmãos e primos. Por que não haveria preconceito entre gays? O preconceito entre gays é uma grande limitação mas é uma realidade. Tenho amigos masculinizados que abominam a ideia de se relacionar com outros gays afeminados e já ouvi na balada a afirmação: “Ah, você não parece gay. É tão masculino” (no sentido de que não me enquadrava nos requisitos da pessoa por não parecer gay – RS). No meio gay existe preconceito de raças, credos e nível cultural. Ser gay não quer dizer ser mais evoluído e, TOSCO, é o gay que se acha melhor por ser gay!

Fiz aqui uma breve compilação de posts anteriores, com algumas informações novas. Estou bastante satisfeito porque esse mês o MVG deve atingir mais de 4 mil page views e, hoje, especialmente, será o dia de maior audiência registrado até agora. Tudo isso em menos de um ano de existência. Achei bastante válido fazer um “resumão” de alguns dos posts mais lidos.

E assim, amigos e amigas, ninguém vira borboleta se não quiser! E quem vira, faz porque quer!

Felicidades para todos! ;)

PS: Tem mais dúvidas? Só escrever um comentário ou enviar e-mail para queroumtoque@gmail.com

4 comentários Adicione o seu

  1. Peter disse:

    Excelente post! Nós, armariados e assexuados, agradecemos as dicas! Espero que tenha novas edições!

    Eu tenho uma dúvida… na verdade, meio boba, mas gostaria da sua opinião (e do seu namorado também). Beleza física, entre os gays, é importante? Eu sei que um contato começa com a atração exterior, mas e quando começa “por dentro”? Um exemplo, via Internet… é possível depois de tempos e tempos com tantas afinidades, tudo acabar por uma das partes não ser fisicamente atraente?

    Acho que é isso, rs!

    Obrigado!

    1. minhavidagay disse:

      Oi Peter!
      Falo por nós dois: beleza física tem a sua importância sim. É necessário ter alguma atração.

      Mas cada um coloca a beleza em um patamar. Para alguns é muito importante, para outros, menos.

      No geral, fora e dentro do meio, vivemos numa sociedade apegada a estética. O modelo “Big Brother” é um exemplo disso, as propagandas que normalmente enaltecem a estética, os atores de novelas, os filmes.

      Mas é obvio que numa cidade com milhões de habitantes há todos os tipos de gosto. Gosto sim é relativo, beleza é relativa e faz parte da diversidade.

      Abraços!

    2. minhavidagay disse:

      Complementando, o despojamento de uma pessoa pode torná-la bela, o bom gosto para se vestir, a capacidade de interagir com as pessoas, o sentido de estar bem consigo.

      Um exemplo bacana: tenho um cliente que é do tipo da beleza Gianecchini. Mas tenho referências de outros clientes, do comportamento, do modo de entender negócios e como agem. No final ele acaba ficando feio por ser tão confuso, inseguro e dependente. Um caso para mim óbvio de que beleza é relativa. Quando o vejo já não dá para notar só o shape, mas o conjunto todo.

  2. Léo disse:

    Olha MVG, para mim, chega ser insuportável a banalização e até mesmo a ridicularização que os próprios gays geram em torno dos termos “ativo e passivo”.
    Já desencanei há muito sobre isso. Vc tem razão das diferenças de gênero e sexo, mas a maioria não.
    Ainda confundem passivo com pintosa, ou melhor, os passivos de hoje em dia, no prórpio meio gay, têm ligação com “pintosas”… Enfim, meio ridículo, conheci várias pintosas (rs) que eram ativos de seus parceiros mamanjões.
    O fator atv e pass na minha relação, foi tabu quando nos conhecemos exatamente por isso, pela comparação do passivo às bixinhas qua-quá, penei, mas fiz meu parceiro entender que não tem nada a ver.
    Sentíamos imenso prazer na cama, mas sentia que o pós sexo, ele sentia algo como vergonha, asco, sei lá, algo ruim sobre aquilo que tivemos, parece que caia a ficha daquilo que ele tinha sido na cama naquele momento para mim era anormal, era inaceitável.
    Quando caiam as fichas das fantasias que haviamos relizado na cama, ele se sentia o pior do mundo, até pq na verdade temos uma rotina e um cotidiano que não nos permitem sair por aí como pintosas pela rua, e tampouco temos jeito para isso, tudo são personagens que vivemos, fazemos brincadeira em sermos pintosas, mas não levamos jeito algum.
    Como disse, levei tempo, mas as coisas mudaram , e para melhores.
    Consegui colocar na cabeça dele, que não existe uma diferença entre passivo e ativo que menospreze ou engrandeça um ou outro, existe o prazer na cama e nós desempenhamos bem da maneira “tal”. Assim, fui quebrando alguns paradigmas e mostrando a ele, que ele podia ser livre, podia inclusive ser livre comigo.
    Resultado, hj grita pros quatro cantos que é a “passiva” da relação”kkkkkkkkk.
    Bjs, Léo

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