Vida gay em 2042. Como será?

101 posts, relatos, casos e histórias sobre gays, sobre pontos de vista sobre a homossexualidade e sobre a diversidade. Na realidade, quando o MVG não tiver mais audiência é porque parte da minha missão foi cumprida. Isso tem um cheiro de utopia, de achar que em algum momento os gays finalmente estarão socialmente incluídos com a mesma naturalidade dos heterossexuais e que a bissexualidade será uma regra, regra na qual o jovem quando está se descobrindo sexualmente possa experimentar aqui e ali sem restrições, traumas, crises ou repressões.

O primeiro post + 100 será uma tentativa de descrição (ou previsão) de como será a vida gay na sociedade brasileira para 30 anos a frente, intuindo um cenário mais privilegiado e evoluído, numa brincadeira de dizer o que eu considero ideal para a humanidade. Incorporando um Nostra Damus Cor-de-Rosa, lá vou eu! rs

Gays em 2042

Sobre a bissexualidade
Daqui há 30 anos a bissexualidade, ou o nome que se der para pessoas que sentem atração pelo sexo masculino e feminino, passará a ser uma realidade mais comum no processo de descoberta sexual de um adolescente. Obviamente haverá uma frente mais tradicional e religiosa que considerará um absurdo esse tipo de permissividade! Mas, no geral, um menino ou uma menina poderá vivenciar experiências diferentes e ter alternativas. O foco não mais estará na classificação sexual ou no gênero, mas sim no indivíduo. Haverá sempre aquele adolescente que sinta em seu íntimo suas questões sexuais mais definidas e não vai se aventurar em experiências. De qualquer forma, no processo das descobertas esse tipo de barreira que enfrentamos hoje estará menor. Consequentemente, com o fim desse paradigma, os indivíduos estarão aptos para aceitar com mais tolerância outros tipos de diferenças, como de raça e crenças, e o machismo ou o feminismo não fará mais nenhum sentido. No geral, a sociedade em alguns aspectos ficará menos bipolar e a unificação desses pólos revelará uma sociedade mais humana e evoluída.

Sobre a homossexualidade
Em 2042 a medicina, a sociologia e a antropologia, em comunhão com a psicologia, definirão que a homossexualidade pode ser uma predisposição genética mas também pode vir das referências sociais, principalmente nos modelos de educação que se estabelecem entre pais e filhos. Por um lado, ou por outro, a sociedade terá mais esclarecimentos sobre o assunto e deixará de tratar de maneira polêmica, entendendo que a homossexualidade não é algo para se ter controle. A igreja católica (ou o que restar dela) e as vertentes mais radicais vão protestar, vão criar atritos e tumultos. Mas depois de um tempo e sem força para combater uma realidade social de inclusão acabarão deixando seus manifestos. Consequentemente os nichos dos transexuais e transgêneros estarão livres para se expressar com mais autonomia. Essa segmentação de “G”, “L”, “S” “B” “T” e “T” perderá um pouco do sentido e a tendência será de homogeneizar esses conceitos. Teremos alguns poucos focos, restos, de não simpatizantes e, por consequência, o termo “simpatizante” não fará mais tanto sentido para um jovem que nascer em 2042. Ele nascerá num contexto onde a expressiva maioria já será naturalmente simpatizante e, quando a sociedade absorver, esse nome não terá mais sentido.

Consequentemente os gays deixarão de viver de tanta auto-afirmação, dos excessos do ego, da valorização da estética em demasia e poderão, de uma maneira geral, ser gay sem precisar ser personagens de si mesmo e para os outros.

Sobre a sociedade
Nas escolas as crianças aprenderão que a bipolaridade das percepções (ou a dualidade) em alguns casos não se aplica. A sociedade estará mais apta para absorver novas realidades. Estará muito mais preparada para romper com paradigmas e enxergar o novo com menos receio. Grandes invenções, grandes produções humanas e artifícios tecnológicos terão cada vez menos impacto porque tudo que será criado será cada vez mais rapidamente absorvido. Assim, a humanidade em sua natureza de buscar desafios e avanços descobrirá outras maneiras de se suprir.

Quem sabe se a busca da espiritualidade – que nada tem a ver com religião, hábitos alimentares e rituais de desapego – não seja o futuro desafio para daqui 30 anos? Não custa acreditar numa consciência mais plena.

4 comentários Adicione o seu

  1. Caraca, voce ta indo muito longe, mesmo sendo uma previsão muito legal e na qual eu acho que a maioria dos gays simpatizantes e bis sonham. Eu tenho otimismo em achar que esta realidade está mais proxima. Com a legalização do casamento gay e a grande repreensão aos homofobicos que a midia tem divulgado(mesmo que a midia divulgue o ser gay baseado em hestéreotipos ultrapassados do gay feito para rirem dele e escandaloso). As pessoas ja estão aceitando as diferentes sexualidades com mais facilidade, se compararmos com o nivel de aceitação de 5 anos atrás com o nivel de 2012 vamos tomar um susto com as conquistas que temos alcançado. Os gays hoje estão se sentindo mais seguros sim e isso tem feito que muitas pessoas “saiam do seu armario” com mais facilidade e isso tem feito com que a sociedade aceite e respeite, mesmo ainda tendo algumas limitações. As pessoas que eram do contra agora ja começaram a digerir a ideia, os resquicios de preconceito que encontramos na sociedade são apenas sequelas de um passado recente. Vamos ser otimistas! Tudo depende de nós mesmos, eu digo (ou talvez até profetizo) que mais ou menos daqui a 7 ou 10 anos todas as pessoas ja estaram aceitando as diferentes sexualidades. A igreja vai alegar um inicio do apocalipse e criar frentes quase “militares” contra o modelo de sociedade moderna. Como muitos de nós ja estamos percebendo, as igrejas em geral, estão se mantendo de pé com mentiras e manipulações fajutas. Já não tem mais tanta força e influencia como antes e alguns religiosos do contra estão sendo rejeitados por mais da metade da sociedade que ja esta percebendo as contradições ditas pelos lideres religiosos “faça ao outro somente aquilo que queres que te façam”.

    Até mvg desculpa se falei demais, só quis demnstrar minha visão da sociedade. Vou continuar acompanhando!!!!

    1. minhavidagay disse:

      Oi Rick,
      na verdade esse post é uma ficção, de um cenário totalmente ideal, quando não haverá mais homossexualidade, nem bissexualidade. Haverá indivíduos que se relacionam por afinidade, independentemente de sexo ou gênero. Esse cenário pleno não creio que aconteça em 10 anos.
      Daqui para 10 anos teremos sim mais autonomia, mais liberdade, mas a naturalidade de ser gays e heterossexuais sem distinções leva ainda um tempo, um bom tempo.

      Bom, é isso ai!

      Abraço!

  2. mirella disse:

    Ola, acabei de ler seu post e amei,eu espero que seja ate antes,pode ser que daqui a 20 anos no maximo,metade da populacao ta aceitando os lgbt, eu sou bissexual,nao sei se no futuro a maioria sera bissexual pois daqui a 30 anos como os cientistas dizem pode ser que seja, voce falou da igreja,esta comecando agora uma guerra forte da igreja… eu quero ter filhos daqui a 10 anos, entao em 2042 vou ter 48 anos,tenho 20 hoje, meu filhos terao 18 anos eu acho,mais acredito 100% que ate la a tolerancia e respeito sera melhor, vejo na internet que o povo ta dividido,50% por 50% um cientista italiano em 2007 disse que daqui a 30 anos a maioria das pessoas sera bissexual essa é a teoria dele, entao pode ser que meus filhos nascem bissexuais como eu sou, voce escreveu esse post em 2012 e ja conquistamos muitas coisas nesses 3 anos,que voce faca mais textos sobre o futuro lgbt pq eu amei hahaha

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