Gay Glee!

Sabe quando alguém se expressa “nossa, que coisa gay!” ou “que viadagem”, ou simplesmente “que gay!”? O seriado Glee é assim: muito gay! Não é somente gay no contexto do Kurt e do Blaine. Mas o Glee tem toda uma atmosfera, cores e “trejeitos” que caracterizam parte do estilo homossexual. É um seriado feito essencialmente para adolescentes e para gays também!

Glee merece créditos por trazer à tona muitos clássicos da música pop e rock que foram hits nos anos 60, 70 e 80, e para mim, que fui adolescente na década de 80 me sinto muito satisfeito por perceber hits antigos sendo digeridos por gente nova. É música pop e rock de gabarito que não se resume nesse exercício de alcance vocal pós Gospel do pop americano atual. No começo do seriado era contestável se os novos arranjos eram realmente interessantes. Era contestável também a técnica e timbre vocais das personagens. Mas hoje, ouvindo uma música ou outra como a “Forget You” do Cee Lo Green nos arranjos “Gay Glee” posso afirmar que essa meninada está melhorando bastante (sou ex-sócio de uma produtora de áudio, sou consultor de uma escola de música e toco piano, o que valida um pouco meu conhecimento musical – acredito eu – RS)

Diante de um cenário musical que (penosamente) tenta tirar da cartola artistas novos como a Adele ou a Amy Winehouse, os revivals com novos arranjos de Glee têm seu valor. A música mundial, hoje, está cada vez mais processada e sem pegada, no sentindo do que tudo ou quase tudo que ouço parece releituras do que já ouvi no passado. Releituras até mesmo descaradas mas que o jovem não faz ideia porque nem sempre tem a referência.

Glee que é essencialmente música pop de Elton John, Queen, Creedence Clearwater Revival, Carly Simon, John Lennon, Cindy Lauper, Van Halen e até mesmo Charles Chaplin (sim ele também fazia música – não pensem que “Smile” é de Michael Jackson!), dentre outros figurões da música pop das antigas. Consegue levar essas sonoridades para o jovem que, se estivesse vendo um clip com um desses artistas originais certamente afirmariam: “Que coisa de velho! Que brega! Que antigo!”. Jovem se identifica com jovem. E dar cara nova para música pop (boa) com jovem cantando para jovem é um dos segredos do sucesso de Glee.

E o bacana é que toda atmosfera meio “cor-de-rosa” acaba aproximando os heterossexuais também.

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Gay afeminado e gay masculinizado

Kurt não é esteriótipo. É um menino delicado como muitos gays são. E é autêntico: não tem excessos, não busca se vestir para gerar choques e, sim, é naturalmente feminino como muitos gays. As vezes é um pouco difícil entender como um homem pode ser assim tão delicado. Para o heterossexual que não tem muita proximidade com gays, gay é ser como o Kurt. Mas o “tipo Kurt” representa apenas parte dos homossexuais. Existem gays como o Blaine (e muitos) e Kurt e Blaine como um casal é uma boa referência das possibilidades, que são reais e estão por aí. Mais um ponto para o Glee que reúne o gay afeminado, o masculinizado e apresenta essas duas realidades sem crises ou barreiras de preconceitos.

Essa situação poderia ser mais bem explorada. Mas Glee é assim, de uma atmosfera leve, de dramas mais suaves e não foca tanto nas questões psicológicas. Glee dá espaço para a boa música antiga, já que o mercado musical anda tão repetitivo.

Não sou fã de Glee porque não me identifico mais com as realidades adolescentes. Se assisti 10 capítulos ao lado do meu namorado foi muito (e ele nem é mais adolescente! rs). Mas foram essas boas percepções que trago para o MVG sobre o seriado, sobre ser gay, afeminado ou masculinizado.

Glee canta de um jeito adolescente sobre a diversidade.

Versão Glee de “Don’t Go Breaking My Heart”

Versão Original de “Don’t Go Breaking My Heart”

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