Gays e as importâncias do namoro

A gente não costuma parar para pensar nos “por quês” de um namoro. O básico é pelo sexo certo e a companhia. Mas afinal quais as representações de um namoro para um indivíduo? O que a gente ganha com isso, fora o trivial? Esse post de hoje no MVG acaba funcionando como referência (ou não) para gays e heterossexuais.

A verdade é que namorar hoje em dia anda difícil, pelas situações que passamos, pelas questão de concessões, pelos hábitos da sociedade, como já narrei em posts como “Relacionamento gay: o que fazer para dar certo?” e por outros motivos particulares que pessoas e casais passam no cotidiano, que não teria como mensurar todos. Mas a resposta, no final, é que namoro dá um certo trabalho e nem todos tem a manha.

Mas afinal de contas, por que então entrar em um relacionamento para ser trabalhoso? Não é mais fácil ficar sozinho?

Bem, se relacionamento fosse algo lógico, assim como dois e dois são quatro, a vida provavelmente perderia um de seus principais sentidos: o de aprender a se relacionar.

Existe todo um contexto social atual que nos impulsiona a ter uma auto suficiência ou perpetuar a dependência dos pais. Temos mais opções também, as pessoas estão mais disponíveis  para “trocas” e uma sensação geral que tudo, incluindo o companheiro, é mais descartável.

Assim, não se relacionando, ou se relacionando até a “página dois”, perdemos as oportunidades e experiências que um namoro nos proporciona. Não me refiro somente as possibilidades que o companheirismo nos oferece e o tipo de segurança que é ter alguém. Isso, no geral, é bastante óbvio.

Falo de patamares do crescimento humano que alcançamos quando, quase que exclusivamente, nos envolvemos em um namoro.

Afinal para que namorar se estou bem sozinho?

Namorar significa adquirir experiência de se expressar, aprender a se comunicar e falar sobre gostos e desgostos sem ter que omitir ou mentir. Uma coisa é comentar para um amigo ou escrever num blog. Outra coisa é olhar para a pessoa que você gosta e abrir o jogo na maioria das vezes.

Namoro significa também perceber que as pessoas são diferentes, dos hábitos mais corriqueiros aos valores mais profundos. Reconhecer a diferença do outro, com a profundidade que um relacionamento permite, é quase uma exclusividade do namoro e que nos traz como recompensa o conhecimento de si mesmo.

Namorar ajuda a exercitar a fidelidade que, convenhamos, hoje em dia é uma virtude. Ajuda também a identificar o peso da traição, o sentido do remorso quando nos arrependemos, ou o sentido do problema de caráter quando traímos e pouco importamos. Aparentemente, fluir esses sentimentos não é bom, mas mais uma vez confere o auto-conhecimento.

Namorar, muitas vezes, nos mostra que é possível ficar quieto, no sentido da paz com o silêncio. Sabe quando ficamos sozinhos em casa e a gente precisa deixar a tevê ligada ou algum som tocando no rádio para disfarçar a estranheza com o vazio? Com o namorado ao lado a gente pode estar em silêncio que não parece vazio. Com o namoro aprendemos a valorizar o silêncio.

O namoro ajuda a romper com a timidez, o medo do “pau pequeno”, “pau torto”, “pau que não fica muito duro” ou “pau muito grande”, ou a vergonha daquela pinta que a gente acha estranha, ou de um tabu sexual que a gente esconde. Desapegamos um pouco do excesso da estética e passamos a aprimorar o sentido do que é essencial e da ética para com o outro.

Namoros costumam ajudar a gente a perceber nossas qualidades como cozinhar, contar histórias ou simplesmente fazer uma outra pessoa sorrir.

Com o namoro a gente aprende que brochar é super humano e que ser super homem, solteiro, é desnecessário.

O namoro ajuda a entender o que é se anular perante uma outra pessoa ou o que é fazer uma pessoa submissa a si. Com isso aprendemos a nos colocar, a definir limites para preservar o que consideramos saudável. Namoro ajuda a gente a entender conscientemente o que é o amor próprio e o que é o amor pelo outro.

Namoro tem de tudo isso e mais um pouco.

Namoro é espelho.

Quem não namora, por medo, falta de jeito ou vaidade, antes tarde do que nunca acaba aprendendo tudo isso. Mas é uma pena que não é com namoro! Fica assim de consolo.

6 comentários Adicione o seu

  1. N.G. disse:

    Olá!

    Curti muito o MVG porque achei várias coisas legais aqui para me aprofundar e conhecer mais sobre minha própria sexualidade. Faz vários dias que venho lendo seu blog e estou feliz por ter achado um “refúgio gay” sério, por assim dizer. :P

    Bom, talvez como boa parte do pessoal que comenta, eu estou na casa dos 20~30, que na minha visão é justamente a fase onde os gays “nova geração” que não tiveram muitos problemas com autoaceitação procuram parceiros mais fixos para curtir menos e amar mais [não sei se estou precipitado ou se minha amostra é insuficiente, mas até o momento vejo a coisa assim]. Mas aí é que está: onde estão os gays que realmente querem relacionamentos sérios? Não sei onde procurar. Com certeza não os encontrarei em baladas, provavelmente não estarão na faculdade, menos ainda estarão em sites de namoro gay.

    Já tenho 21 anos e nunca namorei ninguém, mas não por falta de opções, mas por falta de “boas opções”. Entendo que não podemos exigir sempre que o outro seja perfeito, até mesmo porque nós provavelmente também não o seremos ao parceiro que tivermos, mas os gays que tenho encontrado por aí não me parecem muito do tipo que se manteriam num relacionamento sério por mais do que um ou dois meses. Não que isso necessariamente seja ruim, afinal, cada um que viva sua sexualidade e emotividade a seu modo, mas para quem curte aquela coisa de “amor eterno enquanto dure”, parece que a coisa está durando pouco, bem pouco.

    Enfim, help me! Tenho certeza de que essa dúvida não é só minha! Poderia nos dar uma palavra sobre isso?

    1. minhavidagay disse:

      Bom dia NG,
      tudo bem?

      Realmente percebo que o MVG conversa com dois públicos diferentes e principais: os gays que já se situaram como homossexuais e buscam por relacionamentos resolvidos e um parceiro mais amadurecido, e os gays que ainda são enrustidos, de 18 a 50 anos e que estão na “briga” para desvendar essa parte de suas vidas.
      A você, que procura por uma relação estável, dediquei um post chamado: “Relacionamento gay: o que fazer para dar certo“.

      Essa é uma questão que “assombra” muitos! E o “mercado” não anda fácil.

      NG, eu não excluiria as possibilidades da balada, embora quando se encontra alguém é bastante importante sair dela, não excluiria alguém da faculdade, embora a exposição nesse ambiente pode inibir as pessoas, e não excluiria pessoas que se cadastram em sites, mesmo no Manhunt, por exemplo, que a princípio é para pegação. Acho importante aproveitar todos os meios, sem barreiras. Fui casado com alguém que conheci na balada e moramos juntos por três anos. Tenho até um amigo que namora mais de três anos com alguém que se atracou na sauna! Claro que o contexto explica um pouco: eram amigos há mais de 10 anos!

      A gente não pode ver o outro achando se tem perfil ou não para um relacionamento mais sério. Importante deixar fluir e uma dica: se você tem interesse em alguém e essa pessoa tem interesse por você, o melhor a se fazer é se desprender um pouco do meio. Dinamizar a vida, fazer viagens, conhecer novos restaurantes, incluir a família e se desprender um pouco das ofertas do universo GLS.

      Temos também que ser capazes de completar alguém, a princípio, sem esperar algo em troca. Digo isso porque muitos gays nunca conceberam de maneira clara e consciente o que é “completar alguém”. Existe um tipo de “amadorismo”, uma falta de jeito. Então, se um dos indivíduos do par não tem a “pegada” para a relação, naturalmente prefere uma situação passiva de ser confortado (a confortar). E é muito comum, não somente entre gays, mas entre as pessoas no geral, uma tendência a esperar algo de outro ao invés de oferecer.

      Estamos lidando com um período na qual as pessoas estão deixando muito a coisa acontecer, esperando alguém tomar um partido, um tipo de despertar pelo outro. Mas digo, por experiência própria que se meus namoros acontecem e duram é porque tem muita pró-atividade!

      Um exemplo: no final de semana fomos eu e meu namorado na despedida de solteiro da prima. Tinham amigos e parentes por parte da prima e por parte do noivo. Acontece que, numa ocasião no passado, meu namorado teve um casinho com uma amiga da parte do noivo. Sabia desse fato, não sabia quem era a pessoa e nem imaginava que ela estaria na festa. O que se espera do namorado é que ele pelo menos contextualize, mas não aconteceu.

      Chegamos na festa e teve um momento que ele começou a conversar com uma menina. Alguma coisa na maneira que se falavam chamou a minha atenção. Depois de um tempo, questionei se ela era a tal menina do casinho e ele afirmou que sim. Imediatamente “briguei” com ele pela falta de tato por não me contextualizar. Cai de para-quedas e tive que presenciar algo “diferente” entre os dois. E continuei – “poderia amanhã sair com um ex-namorado e só te avisar: estou indo para bater um papo”. Não seria muito diferente, mas certamente o incomodaria.

      Uma dose de ciúmes, claro, mas uma falta de sensibilidade por parte dele. São por essas e outras que vão acontecendo durante um relacionamento que as pessoas se perdem e as relações se tornam frágeis. Como a geração atual está educada a ser independente, o individualismo é parte integrante. E com o individualismo não se tem a noção de um pequeno gesto como esse, de contextualizar antes porque, no caso, a surpresa por rever um casinho do passado ficou como prioridade no momento.

      Muito provavelmente, se meu namorado estivesse com alguém menos amadurecido, mais individualista e inserido nesse contexto de falta de experiência, esse pequeno caso poderia virar uma competição ou um jogo. Ou, muito provavelmente, não teria chegado em mais de dois anos de namoro.

      Namorar dá trabalho? Dá bastante trabalho e os homens no geral, gays ou heterossexuais, querem preservar um “cantinho de individualidade”, como se fosse uma brecha para o não-namoro. Claro que na maioria das vezes não é consciente. Mas é assim que acontece e, para que a coisa dê certo, alguém do casal precisa ter essa consciência. Do contrário são dois jovens que, no primeiro sinal de “ameaça”, desistem.

      Abraço!

  2. junior disse:

    oi sou junior tenho 31 anos queria tanto ter um relacionamento com um cara simpatico e discreto por que eu nao sou assumido sempre eu saio com gay mais escondido tem dois anos que eu nao transo com ninguem me ajuda arrumar um namora.

    1. minhavidagay disse:

      Oi Junior!
      O MVG não é um blog de relacionamento. Mas quem sabe você não encontra alguém interessante por aqui?

      Abs!

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