Gays que não gostam do meio GLS (ou que cansam)

Que existem gays que não saem do meio GLS todo mundo sabe. Aqueles que se deixarem de ir nas baladas e frequentar os locais carimbados como A Lôca, D-Edge, The Week, Lyons, Pizzaria Piola do Jardins, Athenas Bar, Praça Benedito Calixto aos sábados entre outras que o mercado do entretenimento GLS cria todo ano, além do Shopping Center 3, Shopping Frei Caneca, Avenida Paulista e Rua Augusta, ficam com uma sensação de que não ter o que fazer.

Mas o que imagino e nem todo mundo pára para pensar é que existe uma parcela de gays que não frequenta o meio ou já se cansou desse padrão. Frequentar o meio gay vira rotina, fácil, fácil. Alguns vão concordar com essa afirmação, outros não.

Obviamente, os gays enrustidos, salvos aqueles que não aguentam a sua libido ou curiosidade e dão uma fugidinha para o meio de vez em quando, num estilo solo, fazem parte de uma parcela que conhecem bem pouco. Esses, de fato, deveriam conhecer em caráter de expansão pessoal ou desbloqueio, romper com tabus, preconceitos e paradigmas. Alguns desses vão gostar, vão viciar e vão continuar alimentando o mercado do entretenimento GLS todos os anos. Outros, amedrontados ou cheio de inseguranças, darão espaço aos demônios e passarão um tempo sem ir, fermentando a experiência que “impregnou” na alma. Não gostar do meio, nesse caso, é desculpa.

Tem os gays que não vivem em capitais, e na oportunidade, se afundam durante alguns dias (ou noites), saem e voltam para suas cidades preservando um perfil mais discreto. É porque perversão e discrição podem caminhar juntas!

A outra parcela é dos gays que já conheceu o meio, é assumida, mas não se identificou. Prefere viver um rotina solteira ou de casal sem apegos aos prazeres ou hábitos do meio GLS. São gays que priorizam viagens entre amigos, que incluem de maneira mais íntima homens e mulheres heterossexuais, têm proximidade com seus familiares e não se sentem confortáveis com as referências, muitas vezes, tão esteriotipadas e marcadas do meio GLS.

Por fim, existem os gays que já viveram bastante do meio e precisam de um tempo. É certamente o meu caso (rs). Para quem já foi do céu ao inferno, preferi voltar para o céu de novo. Tenho focado em coisas úteis para a vida, como o trabalho. Alguns me questionam se essa vida ritmada não me afasta do convívio social. Penso que não pelos seguintes motivos:

1 – Lido com a minha equipe todos os dias. Somos profissionais, mas somos íntimos também. São relações com no mínimo seis anos;

2 – Meu papel na empresa no dia a dia é estar em clientes. Conheço dezenas de pessoas todas as semanas;

3 – Meu namoro, a rotina com familiares e amigos próximos tem me abastecido suficientemente para não precisar conhecer gente nova.

Ano passado fiz uma viagem de 15 dias para a Patagônia com meu namorado. Nos finais de semana se não estamos em um churrasco na casa de um amigo, estamos conhecendo um restaurante novo ou visitando algum parente. Nas hipóteses mais tranquilas, estamos na frente da tevê vendo filmes, seriados ou jogando videogame.

(Nesse processo, cabe amizades gays? Certamente cabe. Mas nem todos gays lidam com facilidade a realidade de casais gays bem resolvidos. A inveja é real, é humana e a cobiça também. Em outras palavras, quando se está namorando, é importante deixar por perto pessoas bem resolvidas, que não vão olhar o namoro com inveja, nem terão cobiça por você ou por seu namorado. A tal da “inveja branca” até vai, mas até quando é “branca” não se sabe).

Acontece que para alguns gays, para exercer a plena homossexualidade, fica uma necessidade de comparecer, de estar presente no meio, criar coleguismos e manifestar suas totalidades. Parece que exercer o “ser gay” precisa “ser do meio”. Muito provavelmente porque esse gay se condicionou a uma vida reprimida.

Para outros gays, o meio GLS tem cheiro de medo e preconceito. Soa como perversão, sexo e pecado. É também reprimido, cheio de valores e educação que se contradizem ao meio. Muitos desses quando rompem com os bloqueios viram fãs de camarote, de subir no queijo e beijar muito! rs

Outros gays investem um tempo na “perversão, sexo e pecado”, no entretenimento, na música e nas possibilidades e percebem que para ser gay não precisa ter do meio a todo momento.

E de fato, leitores do MVG, não precisamos ter disso a todo momento. Já fui uma pessoa rendida ao meio, como se fosse algo maior do que eu mesmo, como se o “não estar lá” me deixasse incompleto. Puro exercício de auto-afirmação, de trocas de egos, olhares e fluidos! rs.

Hoje já é possível ser gay muito além; a sociedade nos oferece melhores condições realmente.

E se tem uma verdade é que a diversidade e as fases de uma vida refletem também no meio gay. A gente até pode achar que é livre vivendo o meio gay. Mas não totalmente.

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