Por que gay e promiscuidade são assuntos tão relacionados?


Revi recentemente o filme “Gangues de Nova Iorque”, que narra a realidade social dos americanos em NY em 1856. Naquela época já existiam travestis.

Se não me falha a memória, em um dos fósseis humanos pré-históricos encontrado congelado, detectaram vestígios de esperma na região anal.

E nem tão longe, nem tão recentemente, os romanos tinham o hábito de se “divertir” entre eles em suas longas viagens. Quem assistiu “Alexandre, O Grande”, pode confirmar.

Primeiro ponto é que a homossexualidade é algo que existe, creio eu, desde que a humanidade tem consciência de si. Em determinadas épocas, pelo menos no registro da cultura ocidental que tenho conhecimento, os relacionamentos homoafetivos eram tratados socialmente com naturalidade.

Foi por meio do Cristianismo, quando o politeísmo (diversos deuses, filhos de Zeus) passou para o monoteísmo (Jesus, filho de Deus) que a sociedade começou a enxergar a homossexualidade com vistas grossas. Dessa cultura veio toda essa carga de repressão às pessoas que se atraiam ou tinham algum tipo de envolvimento afetivo pelo mesmo sexo.

Porém os gays nunca deixaram de existir. Fatalmente, no passado (e em milhares de casos ainda hoje), muitos forçaram-se a seguir os caminhos da heterossexualidade, gerando filhos ou seguindo o caminho da solteirice plena para se afugentar do repúdio social.

Os gays, que sempre sentiram atração pelo outro do mesmo sexo viviam as escondidas, na calada da noite e se encontravam em lugares específicos e “ocultos” para poderem exercer suas totalidades. Eis porque esse lado meio “sombrio” da homossexualidade surgiu, no meu ponto de vista.

Com essa repressão que se formou há milênios havia obviamente muitos desejos potencializados. Sexo durante a juventude e a adolescência é algo forte, muito forte, para a maioria dos seres humanos, principalmente aos homens. Esse desejo não mudou desde que o homem acordou para a sua consciência.

Então, sempre que podiam, os gays do passado saiam de seus lares, da rotina social estampada como correta, se escondiam nos corredores da noite e encontravam seus outros iguais para deixar vir à tona os desejos mais latentes.

A sociedade foi se modernizando, a ciência, o conhecimento e uma visão mais ampla de mundo se aproxima hoje de cada indivíduo com extrema agilidade e facilidade. Com essa clareza, a homossexualidade ganha luz e fundamentalmente nos países do primeiro mundo, que sempre têm uma tendência a sairem na frente em quase tudo. Enquanto lá começam a discutir conceitos relacionados a filhos que estão crescendo em lares gays, aqui vivemos ainda um pouco da repressão social das antigas, não muito diferente do que acontecia na década de 70 nos EUA, como é brilhantemente retratado no filme “Milk”. Se não notamos a repressão nas ruas como no filme, embora haja muito disso como relatado nos casos de ataques a gays na região da Paulista, sentimos dentro da gente a “prisão” ou em nossos próprios lares.

No país do futebol, das “morenas gostosas” e da cerveja, parece que gay não tem espaço.

Mas hoje tem ou tem cada vez mais.

Obviamente a promiscuidade rola solta em casa como saunas, no Autorama e até mesmo dentro dos dark-rooms das baladas, na mesma proporção que existem casas com garotas de programa na Augusta e casas de suingue. No fim, com a informação chegando as nossas telas, sabemos que promiscuidade não é mais algo relacionado a gays, mas muito provavelmente a alguns grupos de seres humanos.

Porém, no caso dos gays e no meu ponto de vista a promiscuidade que existe não está relacionada somente a uma tendência de alguns grupos mas a uma repressão evidente e histórica que se dissipa lentamente, muito mais lentamente que o processo e alfabetização de um filho. Tem coisas, e muitas coisas, que levam centenas de anos para a sociedade se readaptar.

Não foi da noite para o dia que Zeus e seus poderosos filhos abriram totalmente espaço para Deus e Jesus Cristo, embora essa seja a imagem que fica. Não vai ser da noite para o dia que os gays perderão alguns estigmas relacionados ao esteriótipos que foram incutidos por milênios. E um dos estigmas é ainda a promiscuidade.

Para você ter certeza dessa afirmação, quantas vezes não temeu ou não teme conhecer o meio GLS por desgostar da possível promiscuidade? Se fez sentido, você tem preconceito da sua “classe” e ainda é conduzido por essa história toda, narrada acima.

5 comentários Adicione o seu

  1. N.G. disse:

    E como explicar o que rola nas paradas gays?

    1. minhavidagay disse:

      Nas paradas, que é O DIA para a exaltação gay, costuma rolar a mesma coisa. Primeiramente, a mistura de gays, lésbicas, simpatizantes, ladrões, curiosos, drag queens, travestis, transgêneros, crossdressers, bissexuais e heterossexuais provoca essa grande massa amontoada, que já cheira a bagunça.

      Vem gente de todos os cantos do Brasil e do mundo e muitos vêm ainda desse contexto reprimido e vão querer aproveitar a concentração já que é um dia só e como é tanta gente a putaria não tem cara, não se identifica. Mas verdade seja dita: não é a maioria que faz putaria. Podem até insinuar alguma coisa, mas é a minoria que realmente faz.

      Isso tem a ver com cultura e educação também, NG. É uma mistura de classes enorme, amontoados de pessoas. Na bagunça rola focos de promiscuidade sim, mas rola assalto, rola briga, rola empurra-empurra, rola chachaça, alegria, drogas, correria, aperto, movimentação, rola de tudo! É um frenesi. Um dia intenso, com muito barulho, muita sujeira nas ruas, desfiles de corpos e de cores onde a “intensidade geral” está valendo.

      Em outras palavras é até compreensível pensar em promiscuidade aqui e ali no dia da parada. Super contestável pensar que, hoje, a Parada Gay tem uma forte vertente social que foi o que a originou. É mais uma grande festa, no meu sincero ponto de vista.

      Abraços!

  2. minhavidagay disse:

    ERRATA importante!

    Um dos leitores que têm correspondido por e-mail deixou uma errata importante na afirmação que apresento sobre a ruptura quando o Cristianismo passou a prevalecer.

    Trata-se de um usuário gay e muito estudioso da religião católica. Segue sua referência que vale a pena complementar o post:

    “Prezado Blogueiro do MVG,

    Não queria falar de novo sobre religião… mas você fica me provocando… rs

    Não foi com o Cristianismo que a homossexualidade passou a ser discriminada. Seria uma grande injustiça dizer isso.

    A discriminação já existia e existe fortemente no Judaísmo – ver, por exemplo, no Levítico:

    ‘Não te deitarás com um homem, como se fosse mulher: isso é toevah’ (significa “impureza” ou “ofensa ritual”) – Levítico, 18:22

    ‘Se um homem dormir com outro homem, como se fosse mulher, ambos cometerão toevah.’ – Levítico, 20:13

    Jesus Cristo jamais falou algo sobre a homossexualidade (não há nenhum registro nos quatro Evangelhos canônicos).

    Depois dele, quando a Igreja começou a se estruturar, a coisa mudou de figura. Mesmo um pouco antes, nos textos de São Paulo há a visão negativa da homossexualidade, como já havia mencionado antes”.

  3. Rone disse:

    Somos homens, temos testosterona e produzimos milhares de espermatozóides todos os dias. é instinto. Os heteros masculinos só não são piores que nós porque as mulheres são reprimidas para transar com quem quiserem (sim, mulheres são muito safadas e pensam em sexo tão quanto nós). Mas os tempos estão mudando. Já presenciei cada sacanagem a luz do dia entre heteros (cada gato, tenho inveja delas) que fiquei chocado. E o brasileiro não é mais homofóbico que os americanos e até mesmo que os holandeses, estes precurssores da liberdade sexual (um grande mito); pessoas que moram lá já me contaram a verdade. O fato é que muito pouco os gays namoram em público, abraçam-se, dizem que tem um parceiro fixo (muitos não tem mesmo). Isso cria uma visão de que gay só trepa.

  4. William disse:

    Eu acho que o Xis da questão da promiscuidade gay é combinação do instinto sexual masculino elevado e liberdade sexual gay. Tenho diversos amigos héteros que se respeitam e respeitam seus cônjuges. Mas, são raros os meus amigos que se respeitam e respeitam seus parceiros no tocante a traição sexual. A mulher hétero por qualquer motivo que seja, repressão ou valor ou outro, mensura até que ponto vale se aventurar numa relação puramente sexual, pondo seu casamento em risco. Dentre os homens héteros, apesar de ser os que mais traem, ainda conheço muitos que prezam pela sua família e pelo compromisso assumido perante sua esposa.

    Dos gays que eu conheço, apenas algo entorno de 5% pensariam duas vezes antes de se dar ao prazer por um corpo que achou maravilhoso, estando certo que o outro (seu parceiro oficial) não saberá do ocorrido ou que faz igual. Assim, o que diferencia a promiscuidade hétero gay é que o gay a vê como necessidade, prazer e diversão permanente, enquanto o hétero a vê como deslize e/ou fraqueza.

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