O quarto namoro de um gay – Parte final


Quando é que se está preparado para uma relação?

Uma semana depois da incrível viagem para Ponta Negra, de muita natureza, romantismo e a intensidade de uma nova paixão, estava eu e meu novo namorado no Bar da Dida, bebericando uma cerveja e batendo um papo.

Algo em mim mantinha um desconforto por alguns motivos: guardava ainda uma carga pesada de um casamento recente que me motivava a não construir um relacionamento e não me sentia totalmente certo dessa possibilidade. A relação com meu novo namorado tinha começado de maneira confusa, rápida, e não sabia ao certo de quanto ele mantinha de paixão pelo nosso ex em comum (e provavelmente nem ele mesmo sabia).

No bar, começo a expor um pouco dessas reflexões, de me sentir bem por estar com ele, mas com alguns ruídos dentro de mim que me deixavam incerto sobre levar adiante aquele namoro que acabava de começar.

Pagamos nossas contas e entramos no meu carro, estacionado logo em frente ao bar. Já tinha dado partida no motor e, de súbito, ele desliga, puxa o freio de mão e me “ataca” lá mesmo, num furor que foi impossível não retribuir. Contra todos os bons costumes e pudores, transamos lá mesmo, em frente do Bar da Dida! rs

Fiquei atordoado e sem pensar, levamos a frente essa história.

Tivemos um episódio inusitado na relação, que não acontece com todos os casais que estão iniciando um namoro: ele tinha experiências sexuais desde muito novo, talvez com 14 ou 15 anos de idade (não me lembro bem) já tinha realizado uma primeira transa com um homem e, em um dos namoros do passado, chegou a incluir um terceiro elemento para um menage a trois que, aliás, foi uma gota d’água que acabou tornado-o amigo do terceiro elemento e se distanciando definitivamente do antigo namorado. Nessa toada “criativa” de relações, houve a sugestão de irmos juntos ao Autorama. Foi estranho cair naquele tipo de assunto e, numa mistura de excitação e insegurança, paramos por lá.

A situação de voyerismo realmente foi excitante. Enquanto nos masturbávamos dentro do carro, um cara de cada lado, pelas janelas, nos observavam sedentos, movimentando suas mãos sob suas calças. A intensidade foi extrema, excitante e ao mesmo tempo nervosa. Acabei tendo uma ejaculação precoce! (rs).

Fomos embora, cada um pegou seu carro e confesso que o resultado da experiência, apesar do momento ter sido de uma intensidade indescritível, foi de muita estranheza, mal estar e desconforto: o que era eu e meu namorado no meio daquela putaria em pleno início de namoro?!

Fiquei bastante brochado com aquilo e confuso.

Trocamos umas mensagens pelo celular e pelo visto, ele também tinha ficado bastante desconfortável. Falou de ciúmes. E, no fim, não sei porque nos desafiamos daquele jeito.

O namoro manteve uma harmonia por todo tempo que durou. Quando começamos, nenhum integrante de sua família sabia de sua realidade sexual. Foi num dia que ele estava com sua mãe que ela lhe pergunta: “Por acaso o seu amigo é seu namorado?”. E ele simplesmente responde: “Sim” – e nunca mais falam do assunto.

Meses depois sua irmã já estava sabendo e a receptividade de mãe e irmã vieram com uma serenidade importante. Não quiseram conversar, não tocamos no assunto, mas mantínhamos um contato presencial quase todos os finais de semana com muita naturalidade e carinho.

Por questões de atritos naturais com o pai, ele preferiu não contar e creio que até hoje não tenha declarado assumidamente. Por algum motivo, de afinidades que não se explicam, criei uma relação muito boa com seu pai que foi recíproca. Conversávamos bastante, fazíamos festas juntos e adquiríamos um bom convívio.

Foi uma relação boa, embora parcial. Digo parcial porque quando todos sabem que não sou amigo, mas sim namorado, as relações ganham sempre um outro sentido, o sentido real.

Próximo ao fim da relação acredito que continuávamos apaixonados um pelo outro. Acontece que ele tinha organizado uma viagem de 12 meses para a Austrália que estava certa e, para mim, seria muito complicado continuar uma relação a distância daquele jeito. Próximo da viagem pedi pelo término e com muitas dores fizemos.

Mantivemos contato por MSN e sei que, nem um mês depois do término ele estava com outra pessoa! E pior, por algum motivo obscuro abandonou totalmente a ideia da viagem, que estava certa. Com passaporte em mãos engavetou tudo.

Foi bastante crítico saber que ele não ia mais viajar e, além disso, já estava enrolado com uma outra pessoa. Sem querer, ou querendo, ele fazia questão de que chegasse a mim, mesmo com uma certa discrição, a informação de que ele estava com outro, como por exemplo, marcar de sentar num boteco com um amigo meu sem avisar que levaria a nova pessoa (rs).

Posso dizer que essas “apunhaladas” que levei, dentre outras que não lembro mais, foram umas das maiores decepções da minha vida. Pode-se até esperar algo do tipo de um amigo. Mas de uma pessoa que você dividiu intimidades por mais de um ano? Não se espera algo do gênero!

Mas também, essa realidade inimaginável e intragável, de atitudes infantis, de talvez orgulho ou frustração, me impulsionou para uma das fases mais importantes da minha vida (se não mais importante, certamente inesquecível), uma fase onde iria desvendar e revelar minhas fantasias mais íntimas, onde iria materializar meu verdadeiro “Lado B”, meu lado escuro da lua. Deu-se assim “Do céu para o inferno. Depois para o céu de novo“. Período que posso dizer que me virei do avesso para depois me reencontrar maior.

2 comentários Adicione o seu

  1. Peter disse:

    WOW! Que história! Esse é o tipo de “dinamismo” que se, por um lado eu invejo, por outro eu me assusto, rsrsrs!

    Mas esse final, de fato, foi a gota d’água! Planeja a viagem, acaba o namoro, ele rapidamente engata outro, e cancela a viagem?! Como assim?! E se você não tivesse terminado? Ele teria viajado mesmo? Acho que você se livrou de um “tormento” isso sim, rs!

    Abraços!!
    PS: Você só faz sexo no carro, é?! Hahaha! É tipo S10 pra cima, né? rs

    1. minhavidagay disse:

      Kkkk… digamos que carro fica bom com calor humano rs. Difícil saber se ele viajaria. Mas eu era, inclusive, um suporte psicológico para sua viagem…

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