Fatos de um namoro gay – Parte 1

Muita gente nesse mundo, coincidências e sorte

Há poucos anos atrás me dei conta de um grupo diverso de amigos gays que colhi aqui e ali, pela Internet, pelos bares e amigos de amigos que foram agregando num tipo de ONG. ONG porque realmente não havia nenhum aspecto governamental, nem fins lucrativos, nem outros fins que não fossem a amizade e o companheirismo. ONG porque no grupo tinham amigos de 20 poucos anos e outros de 40 e poucos que costumavam se reunir, por exemplo, no meu QG preferido.

Nos meu “ano infernal”, dentre todas amizades e paqueras que fiz nesse período, conheci o “Macarrone” na D-Edge e foi a minha primeira balada depois do fim do quarto namoro. Da mesma maneira que fui despretensioso no Bar da Dida com meu amigo-primeiro-namorado há alguns anos antes, fui na festa de aniversário de um dos amigos mais velhos. Mais de 80 pessoas reunidas, muitas da comunidade GL e muitos heterossexuais também faziam uma grande festa e, nesse bolo, reencontrei o “Dong”, que tinha conhecido apenas uma vez num jantar e na época estava namorando.

Na ocasião, também não estava mais em sua relação que passava de 6 anos e que tinha deixado um monte de feridas.

A festa, a comida e as bebidas estavam muito boas. Mas uma vontade imensa de sair para dançar tomou conta de mim naquela noite e, próximo a um grupo de amigos exclamei: “E aí, pessoal, quem topa uma D-Edge?”. Eis que o Dong ouve meu comentário e se manifesta com a mesma vontade.

Partimos para a balada.

A D-edge, de sexta-feira costumava ser totalmente gay. Bom momento para extravasar ouvindo um house pesado que rolava na balada.

Chegamos lá e começamos com o ritual: bebidas, pista, passeios pelo balcão e pista de novo. Já era tarde da noite, ou madrugada e o meu amigo Dong estava há um tempo conversando com um antigo conhecido que foi um sonho platônico e que insistia em realizar. Eu não sei porque isso acontece ou se sempre acontece, mas logo que termino uma relação e saio parece que existe um magnetismo para atrair pessoas.

E foi assim, na D-edge, que me vi paquerado por um grupo de pessoas em momentos diferentes. Olhares óbvios de vontade, bom para o ego e para a auto-estima.

Na balada, o Macarrone se aproxima de mim e começa a dançar ao meu lado. Para variar estava bem bêbado e não tirava os olhos da “carne” que aqui vos fala (rs). Nem precisamos conversar muito. Logo que ele começou com o velho truque de passar a mão no meu braço já ficamos.

Nos vimos duas ou três vezes depois da noite na D-Edge. Inclusive, numa das vezes e num local improvável, estávamos sentados num bar numa das travessas da Augusta. Batemos um bom papo e ele parecia ainda atordoado por um ex-paquera que havia mexido bastante. E eu narrava um pouco da história do meu quarto namorado, da crise interna que foi saber que ele não mais viajaria e que já estava de caso com outra pessoa.

Eis que nesse ambiente improvável, vem caminhando pela rua esse meu ex e alguns metros atrás seu novo paquera. Eu estava junto com o Macarrone numa das mesas da rua e parece que virou câmera lenta: meu ex me olhou, trocamos olhares, ele me viu acompanhado, imediatamente abaixou a cabeça e saiu em sua caminhada.

Foi bastante curiosa a sensação. Não tive recaídas, nem um sentimento de arrependimento, ou desilusão ou qualquer coisa do tipo. Vou dizer que fez um bem danado para meu ego ver que meu ex me encontrou muito bem acompanhado. O Macarrone é daquele tipo de beleza que só passa a noite sozinho se quiser, do estilo europeu, de olhos verdes, pele branca, cabelos castanhos claros e corpo todo certo.

Só que meu caso com o Macarrone ficou no plano do caso mesmo. De fato não me sentia atraído por ele – confesso que essas belezas que brasileiros adoram me cansam –  e o menino estava bastante confuso. Pagear alguém de novo pelo fato de estar meio envolvido por uma relação antiga não se repetiria. Por mais que ter alguém com a sua beleza ao meu lado desse um bom ajuste no ego, tenho uma máxima: beleza não sustenta um relacionamento.

Aos poucos fomos perdendo contato, até um dia que ele teve uma crise louca que nem lembro bem o que foi. Ele estava comigo no carro e  veio brigar ou cobrar coisas de mim que nem faziam sentido. Dei meia volta, deixei-o em sua casa e ficamos seis meses sem mais falar.

No período curto que estive com ele, que talvez foram dois meses entre indas e vindas, pude conhecer apenas em um dia um de seus amigos da república, amigo que inimaginavelmente tornaria-se meu namorado, da relação que vivo hoje que, se posso dizer, é uma das mais amadurecidas e esclarecidas, de compreensão, de trocas de igual para igual e de muito crescimento juntos. Uma relação de doações recíprocas.

[Continua no próximo post]

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