Fatos de um namoro gay – Parte 2


Um inferno que queima mas não machuca, mundo ovo!

Seis meses se passaram em 2009 e vivia profundamente minhas experiências “lado B”, das putarias, excessos e promiscuidade. Solteiro, desempedido, corajoso e com o dinheiro no bolso, andava bancando bem minhas desventuras.

O Sonique foi palco para muitos encontros, principalmente as boas noites de “Café com Vodka” aos domingos. Nessa época, meu amigo “Beto” era minha companhia certa para estar na rua, a ponto das pessoas afirmarem que éramos namorados. E de certa forma até éramos: inseparáveis, fazíamos tudo juntos, de cair na D-Edge, jantar com um casal de amigas numa cantina no Bexiga, teatro, cinema, até viagens a dois e tudo mais. A única coisa que não nos classificava como um casal era que não existia um toque físico. Mas os toques emocionais nos preenchiam e ele pode até contestar. Mas eu afirmo (rs).

O Beto obviamente odiou o Macarrone nas épocas que estávamos saindo. Tinha muitos adjetivos para ele, sempre negativos (rs). Mas isso não era motivo para entrarmos em crise já que meu sentimento pelo Macarrone não era profundo. Do contrário, possivelmente nos afastaríamos.

Foi numa das noites no Sonique que, logo na porta de entrada eu e o Beto nos deparamos com o Macarrone e o “Bolonhezi”. O mundo gay é muito pequeno mesmo: o Bolonhezi foi o melhor amigo de um ex-paquera do Beto. Que por sinal o Beto odiava por ser uma “pedra no sapato” na relação com seu ex-paquera. Daqueles amigos inseparáveis que precisava estar junto em todos os cantos assombrando (rs). (É por essas e outras que digo que amizade gay as vezes é um tanto complicada quando se está namorando!).

Para mim, como não tinha rusgas com o Macarrone e sempre tive a educação por parte do Bolonhezi quando nos cruzávamos nas baladas, natural foi trocar uma conversa com eles e ver que estavam namorando! Para meu amigo Beto, e eu lidando com muito bom humor, era o motivo DEFINITIVO para odiar o Nike (rs).

Esse reencontro foi providencial para saber que o amigo do Macarrone estava se assumindo também gay. Na época que ficava com o Macarrone havia rumores que seu amigo pudesse ser gay. Chegaram até a ficar em alguns momentos, mas Macarrone sempre o repudiava depois.

Como na minha ONG sempre havia espaço para mais um, sugeri ao Macarrone que nos aproximássemos, eu e seu amigo, para ele conhecer a minha turma e ter com quem sair.

Eis que meu futuro namorado também agregou e, por sorte, meu amigo Beto simpatizou! (rs).

O caso com meu namorado começou de maneira totalmente despretensiosa e acho que quanto mais despretensioso eu sou, mais as coisas acontecem (rs). O apresentei a toda turma e passávamos a ter mais um integrante nas tardes de domingo no Bar da Dida, meu QG. O amigo do Macarrone realmente estava começando. Teve sua primeira transa quando foi com um outro amigo que lhe apresentei para a  Flex e lá conheceu um menino.

Eu era um líder da ONG que dava bastante autonomia para os integrantes (rs) e não lembro bem porque não fui na Flex na ocasião. Provavelmente porque a Flex não era das minhas baladas prediletas, ou porque meu amigo Beto me puxou para outra balada (rs).

Por algum motivo, me sentia bastante responsável pelo meu futuro namorado, sem imaginar o que estaria por vir. Na minha fase infernal, cheguei a ir quatro noites seguidas na famosa sauna 269 e sugeri a ele que um dia fôssemos juntos para ele entender como funcionava uma sauna. E foi aí que, como bons amigos que estávamos nos tornando, o levei a 269.

Ele aproveitou num canto, eu de outro e assim passava a revelar a ele parte do meu olhar naquela época, da abrangência que é o mundo gay para além dos olhos dos leigos ou das situações mais comuns.

Para o Macarrone, era tudo ótimo porque ele fazia questão de dizer que assim, pelo menos, o amigo saia do seu pé um pouco. Fui percebendo outras características da personalidade do Macarrone, que fatalmente virará um post inteiro nos próximos capítulos (rs).

Era então um grupo grande de amigos. Existia companhia certa todos os dias se fosse necessário. Não raro eram as semanas que desde terça-feira já estava na rua para curtir a azaração (rs). Meu amigo Beto que o diga: ele sempre foi extremamente fervido mas naquele período não estava conseguindo me acompanhar.

Sonique, D-Edge, A Lôca, Bar da Dida, Gourmet, Praça Benedito Calixto, Clube Glória e as vezes The Week. Esses eram os lugares que não seria difícil de me encontrar.

Teve uma noite que o Macarrone estava agoniado, em crise com o namorado e convidou seu amigo (meu futuro namorado) a ir até a Lôca. Ele topou e lá acabou ficando justamente com alguém que já tinha sido namorado do meu ex.

Esse é um ponto bastante crítico, para o bem e para o mal, para quem respira o meio GLS de São Paulo depois de alguns meses: o mundo fica do tamanho de um ovo.

[Continua no próximo post]

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s