Fatos de um namoro gay – Parte 3

Foi interessante perceber como a “sombra” do meu ex-namorado acabava me perseguindo. Obviamente, se damos atenção a essas situações a tal da perseguição se revela como verdadeira. Na situação, fiquei intrigado com tudo e furtivamente conversei com meu ex-namorado por MSN.

Na realidade, ele puxou a conversa e veio me anunciar, seis meses depois de namoro, que tinha terminado. Por ciúmes, atitudes infantis e alguns detalhes que não me recordo. Sugeriu que nos encontrássemos num antigo restaurante no bairro onde moro e assim fomos. Definitivamente, não tinha nada a perder.

Por mais ridículo que seja, ou até mesmo incompreensível, meu ex-namorado, o quarto, não assumiu de maneira nenhuma ter me visto naquele dia sentado no bar com o Macarrone. De imediato, fiquei um pouco inconformado pois foi óbvia a nossa troca de olhar, mas ele devia ter seus motivos para bloquear e querer evitar esse assunto.

A medida que fui reconhecendo meu ex-namorado, fui percebendo o quanto ainda era uma criança! Foi difícil aceitar, demorou um tempo, mas era essa nova figura que estava se materializando.

Estranhamente criticou imperativamente seu ex, pelo ciúmes, pela infantilidade e eu, muito elegante, de maneira nenhuma expus as dores que tinha vivido por saber do cancelamento da viagem e do súbito namoro que surgiu semanas após o nosso término. Também já estava fortalecido, havia se passado mais de sete meses e estava num momento muito importante da vida: novas amizades, uma ótima autonomia, uma sensação de liberdade de poder ir e vir e poder me divertir com meu amigo Beto em qualquer situação, sem maiores comprometimentos que não fosse comigo mesmo. 2009 foi definitivamente um ano do “ego-louco” acima de tudo. E, curiosamente, foi também um ano que fiquei com pouquíssimas pessoas . Fora as putarias na sauna, com garotos de programa e o caso com o Macarrone, me recordo apenas de um ou outro caso que rapidamente viravam coleguismos, sem maiores compromissos. O meu negócio era, se estivesse passando por uma forte libido, atacar alguém ou “alguéns” de maneira mais prática, direto ao ponto, na sauna ou com um michê.

Segundo meu amigo Beto, minha intenção com meu namorado começou logo que eu conheci. Talvez ele tenha razão pois realmente achei o amigo do Macarrone bem legal, com muitas afinidades e uma personalidade que poderia formar par comigo. Não pensei com essa consciência na época, mas revendo hoje, vejo algum sentido nas palavras do meu amigo.

Saímos muitas vezes, eu e o novo amigo. Além da sauna, conhecíamos o Volt, voltávamos para a D-Edge e de alguma maneira o amigo Macarrone estava ficando cada vez mais presente já que a história com seu namorado estava virando drama de novela mexicana, do tipo o cara invadir a república e fazer escândalo, um esmurrar ao outro dentro do carro e quebrar o banco do passageiro, socos no meio da balada, entre outras situações bastante críticas, que não foram as primeiras que ouvi vindas do meio GLS, ou que não tenha vivido durante o meu casamento, mas que para meu futuro namorado eram realidades totalmente novas.

Minha história com o novo amigo foi tomando proporções maiores. Da minha parte, não havia propósito nem caso pensado, mas uma afinidade muito boa fazia querer estar junto dele, até uma hora que me percebi com saudades. Foi novo, de novo, ter aquele tipo de saudades de alguém e veio a minha consciência a possibilidade de estar realmente gostando dele.

Quando me dei conta já estava flertando (rs), como antigamente, quando a gente galanteia uma pessoa que estamos interessados. Trocávamos mensagens, falávamos com alta frequência pelo GTalk e sempre que possível marcávamos de nos ver. Eu realmente galanteei meu futuro namorado e todo aquele “jogo” de conquista estava me fazendo muito bem!

Foi num desses combinados na Bubu, depois de alguns meses de flerte, que eu, ele, meu amigo Beto e outro amigo, o “Charosk”, nos encontramos em meio a uma muvuca absurda, no mezanino da casa.

Charosk já estava com a gente e o meu amigo Beto ainda chegaria. Entramos cedo, aproveitamos a tranquilidade para beber bastante e logo estávamos embriagados no mezanino. A última vez que tinha estado por lá foi com meu “ex-marido”, na época que o havia conhecido e aquele mezanino era 1/4 menor!

Não durou muito para uma vontade que estava latente dentro da gente acontecer: bastou ele conversar ao meu ouvido, encostando seu rosto no meu e BOOM! Nos pegamos fortemente na balada. Charosk já havia premunido a situação (rs) e meu amigo Beto que apareceu, desapareceu depois a balada inteira!

Entre beijos e amassos, furtam o celular do meu futuro namorado. Eu, deveras bêbado, ligo para o celular e alguém do outro lado atende. Falo um monte, peço para devolver e o outro lado não responde. Sei apenas que o bandido estava na mesma pista que a gente pelo barulho que dava para ouvir ao fone.

Voltamos a nos atracar e, em seguida, roubam o meu celular! rs

Passávamos a ganhar um novo status entre a gente e perdíamos no mesmo momento dois objetos materiais. A vida é assim, por um lado a gente ganha, por outro a gente perde. (rs) Mas não imaginávamos que poderia ser tão simultâneo daquele jeito! (rs)

De qualquer forma, foi motivo suficiente para nunca voltar para a Bubu desde então!

A partir desse dia, um tipo de freio inconsciente me dominou. As coisas que me davam prazer e graça passaram a perder a força e, na medida do possível, combinávamos de nos encontrar sempre, ainda num fluxo de indecisão sobre o que estava rolando entre nós.

Naquela época ainda ele tinha acabado de iniciar sua vida gay e, dias antes, tinha o levado na 269! (rs). Muitas informações ao mesmo tempo para a mente do meu futuro namorado, fora o fato de ainda não ter assumido para ninguém. Era mais um romance que iniciava com alguém que sentia uma maior segurança para se revelar a família a partir da relação que estávamos começando.

Bem ou mal, certo ou errado, namoro fornece um tipo de estrutura psicológica para a coisa do “sair do armário” andar.

Assim, um trabalho de “catequese familiar” começaria, só que os resultados seriam diferentes. Primeiro que a família do meu namorado é extremamente unida, de se encontrar pelo menos uma vez por mês e, não são 5 ou 6 tios e primos.

Ao todo os familiares do meu namorado são mais de cinquenta! =O

[O relato continua no próximo post!]

4 comentários Adicione o seu

  1. Henrique disse:

    Deixei de escrever parte de um projeto de pesquisa pra ler isso aqui! rsrs.. não, não estou te culpando.. quero te parabenizar, mais uma vez, pelo blog! muito bom mesmo.. pra gente que mora no interior do interior e só tem a internet como portal mágico para o mundo real é uma boa opção de leitura. lembre-se que “tú és [completamente] responsável” pelos leitores que tens conquistado! não deixe de postar! muito obrigado

    1. minhavidagay disse:

      Oi Henrique!
      É uma grande responsabilidade e me sinto muito feliz e satisfeito por poder colaborar com os leitores do MVG. Assim como você que mora no “cantinho dos cantinhos” como aqueles que moram no centrão de tudo, busco minhas referências, referências das pessoas que tenho contato, para poder esclarecer, tirar tabus, e desmistificar muita coisa de nós, gays.

      Claro que não há verdades absolutas, mas são referências que podem fazer todo sentido, um pouco de sentido ou nenhum sentido. De qualquer forma, o MVG serve para quem se identificar.

      Obrigado pelos méritos! :)

      Abraço!

  2. Darkbringer disse:

    Haha, bem hilária a parte em que roubam os 2 celulares! Muita cara de pau!

  3. “Entre beijos e amassos, furtam o celular do meu futuro namorado. Eu, deveras bêbado, ligo para o celular e alguém do outro lado atende. Falo um monte, peço para devolver e o outro lado não responde. Sei apenas que o bandido estava na mesma pista que a gente pelo barulho que dava para ouvir ao fone.

    Voltamos a nos atracar e, em seguida, roubam o meu celular! rs”

    Pelo jeito, era pra dar certo você dois juntos!

    Abraços do CR!!

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