Lutier, de primeiro namorado gay a amigo


O “Lutier”, como alguns já leram no post “Vida gay – Meu primeiro namoro“, foi meu primeiro namorado gay, ou melhor, meu primeiro namorado de tudo que envolve uma relação.

Hoje somos mais tempo amigos (9 anos) do que namorados (1 ano e 11 meses) o que nos revela mais como amigos gays acima de qualquer suspeita.

Quando o conheci, ainda bastante jovem com seus 18 anos, não tinha referências de estilos adultos, gostos e o universo gay, assim como para mim, era ainda algo bastante desconhecido.

Começou sua faculdade de arquitetura e foi lá, já quando não mais namorávamos, que foi descobrindo o mundo de uma maneira mais ampla, muito maior do que os olhos de um adolescente poderiam enxergar.

Lutier foi ganhando seu estilo, foi ficando peludo (rs) e muito do que ele me recriminava de roupas e afins passou a usar, só que com mais cores e mais listas, coisas de quem virou designer (rs).

Como amigos, passamos por diversas fases juntos, principalmente nos meus momentos de solteiro. Todos meus ex’s o conheceram como amigo e Lutier também fez parte da grande ONG de 2009, muito comunicativo e mais próximo de afinidades de Tablito, Ding e “Fab Four” que merecerá um post brevemente.

Meu amigo, muitas vezes virava referência para mim, do seu conhecimento no meio GLS, sua naturalidade em conquistar meninos e na história bacana que evoluia com a sua família: sua mãe que abominou a verdade de sua sexualidade há 11 anos atrás, hoje trata com bastante naturalidade e até defende quando é preciso.

Lutier hoje está casado com “Walter” num relacionamento que deve estar passando dos três anos. E curioso foi a relação “entre nós”, do tempo que meu amigo curtia a vida de solteiro intensamente ao momento que iniciou seu namoro que viraria anos depois um casamento.

Acontece que entre meu casamento e meu quarto namoro, estivemos bastante próximos. Seu “rápido” ex seria meu namorado e não foram poucas as vezes que aconteceram almoços e encontros de família: acabei criando um bom laço com os pais de sua cunhada e a própria e, família festiva, fazia muitos churrascos nos quais éramos sempre convidados.

Nesse período, Lutier tinha conhecido Walter em meio a essa vida cheia de “marmitas”, casos e romancetes aqui e ali. Lutier ia para a balada sozinho e saia sempre acompanhado, a não ser que não quisesse esse modelo.

Foi numa dessas noites que decidimos tomar uma cerveja no Gourmet e ele revelou em mais detalhes suas histórias com Walter, suas inseguranças e a possibilidade dele entrar de novo em algo mais sério (nesse caso, a relação mais séria que havia tido até então fora comigo muito anos antes).

Uma amiga, namorado de um grande amigo, que frequentava minha casa na época e que tinha alguns aspectos de espiritualidade e mediunidade teve uma visão e comentou: “acho importante você liberar seu amigo Lutier”. Eu indaguei: “como assim liberar?!”. E ela completa: “sempre tive um sentimento que vocês mantiveram uma história muito importante e ele, para poder seguir a vida com esse novo rapaz, de certa forma, precisa do seu consentimento”.

Fiquei encafifado com aquela informação, embora no momento que ela lançou, parecia ter bastante sentido.

Foi nesse encontro de balcão de bar no Gourmet que o Lutier começa a falar então de sua história e depois de ouvir suas angústias, suas dúvidas em iniciar de novo um relacionamento mais sério, de não saber se era o melhor a se fazer, eu lanço palavras com a mesma naturalidade mediúnica de minha amiga: “Lutier, das pessoas que eu me relacionei até agora, e você sabe que não foram pequenas histórias, você é a pessoa mais preparada para fazer uma outra feliz”.

E realmente aquela afirmação que veio como um “tiro” de dentro de mim fazia muito sentido.

No mesmo instante percebi que seus olhos ganhavam um outro brilho e, dessas coisas que a gente sente mas não se explica nem se entende, parece que senti realmente que aquele “consentimento” nos libertava de algum tipo de elo que havia se estabelecido desde nosso primeiro encontro sob o MASP.

Dias depois, o meu amigo começava seu namoro.

Um sentimento de bem querer, que também não se explica com palavras, se manifestou naquela noite. Como se naquele instante do meu “vai com fé que você merece” o tempo parasse e somente eu e ele estivéssemos no Gourmet.

Amor incondicional. Talvez, amigos leitores, aquela energia que reverberou entre nós tenha sido uma expressão autêntica do amor incondicional, que não o queria como um objeto subjulgado a um elo entre nós, dependente para iniciar algo mais sério, mas que o queria feliz e livre, naquela onda que dizem que “a minha felicidade é a sua felicidade”.

Da mesma forma que Ding e Tablito tinham um “fiozinho” que os mantinha com algum tipo de vínculo especial depois do fim do namoro, eu e Lutier estávamos rompendo um elo naquele instante que, inconscientemente, mantinha nossas “almas” conectadas.

Todo esse texto é uma manifestação simplificada de algo muito delicado, espiritual e maior. Além disso, esse meu post tem representatividade para mim porque Lutier até hoje não tem ideia que aquela conversa, da minha parte, tinha um propósito de uma possível libertação, influenciada por conselhos de uma amiga espiritualizada.

Acabei praticando um ato sob algo que passei a acreditar. Antes disso, a ideia de espiritualidade, de elos entre as pessoas já haviam se manifestado de outras maneiras, eu consciente apenas como espectador.

Naquela noite foi eu e Lutier que fomos personagens de coisas que, muitas vezes, vão além do que pode se explicar, num manifesto que eu diria que foi puramente de amor.

Se o ato teve uma influência ou não, talvez nem seja possível saber. Mas o mais importante, como bem valida o meu modelo “Forrest Gump” de ser (rs), é que eu acreditei e acredito.

“Mais vale o que você acredita do que as pessoas dizem ser verdade”.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s