Amigos gays – Quando uma obsessão nos consome

O Kota, que narro no post “Relato gay: a emoção da primeira paixão” ainda alimenta esse mesmo caso. O post dedicado a sua paixão foi lançado em 24/02, mais de dois meses se passaram e o status permanece o mesmo: migalhas.

Kota é um dos amigos gays que, pela natureza do seu trabalho (e por sua natureza), fiquei a vontade de compartilhar o Blog MVG. Sinto que a sua consciência de imparcialidade não definiria o trabalho que desenvolvo por aqui me “encaixotando”, dizendo que sou assim ou assado e por isso o MVG tem essa ou aquela forma.

Mas voltando ao meu jovem amigo, que tive a oportunidade de conhecer por meio do meu namorado, pude ficar a par de novos capítulos dessa paixão que vem alimentando por um rapaz extremamente indefinido e que vai lançando quirelas de intenções ao Kota sem realizar absolutamente nada.

Meu amigo é gay antes do menino e apesar de ter se definido como tal há bem pouco tempo, já beijou outros do mesmo sexo, já se envolveu e já cultivou algumas histórias no meio gay.

Por outro lado, o indivíduo desejado acabou um relacionamento heterossexual recente, alimentou as expectativas de Kota apresentando suas probabilidades, já está em um novo namoro heterossexual que diz ter iniciado para esquecer a outra e, mesmo assim, continua partindo pequenas migalhas lançadas ao ar que vão alimentando as fantasias de Kota.

Paixão platônica não é pois o interesse do meu amigo está verbalizado.

O que seria isso então?

Eu diria que é uma estranha obsessão, mais comum do que se imagina, regada a fantasias e idealizados estéticos, num jogo injusto para quem vê mas viciante para quem joga. E, nesse caso, os dois jogam e não isento o meu amigo pela autenticidade de seus sentimentos. Ele, acima de tudo, tem consciência.

Meu amigo Kota, com os 24 anos, está vivendo um tipo de “paixão negra” que é correspondida a medida das vaidades do rapaz. Vaidades que enrustem desejos homossexuais que talvez ou muito provavelmente nem se realizem com Kota, mas meu amigo acredita que sim e tem um grupo de palavras que formam frases lógicas numa tentativa de afirmar a si mesmo: “quando o menino resolver experimentar será comigo!”. Quem é que vai garantir depois desse contexto todo?!

É um tipo de vício, uma amarração que não se extrai fruto nenhum, “não caga nem sai da moita”, não tira nem põe, não está nem desse lado nem do outro lado do muro. É um tipo de relacionamento que se consome mas não se reabastece. O sentimento de no final ter sido tudo em vão tem um cheiro mais forte.

É o tipo de coisa que é difícil enxergar quando se está vivendo porque paixão cega e nem sempre o outro faz jus a esse sentimento.

É um tipo de relacionamento que nos desumaniza. Nos desumaniza e nos descaracteriza a ponto de ver Kota, que nunca foi disso, ficar enaltecendo seus feitos profissionais nas redes sociais, num exercício inglório de grifar suas virtudes sendo que, quem realmente conhece o amigo, sabe que ele é muito bom sem precisar dizer. Inclusive a discrição o dignificava mais ainda, compunha o indivíduo profissional prematuramente talentoso que nunca precisou hastear bandeira! Mas no caso, o Kota grita para o menino! No final, é uma exposição cega e desnecessária.

Nesse período de vulnerabilidade emocional é como um pavão que chacoalha a calda para um objeto de desejo definido, mas o objeto está de costas e, muito provavelmente, nem está codificando a mensagem que é exclusivamente para ele. De vez em quando ele vira para o pavão, lança mais quirelas e antes que o bicho sacie sua fome, volta-se novamente contra.

É um tipo de relacionamento de submissão. O Kota já reforçou seus sentimentos, seu inconformismo pelo novo namoro “heterossexual” e continua a teorizar pensamentos que só ele entende que justificam o menino não encarar de frente. É a paixão como uma droga que precisa alimentar o vício.

Ambos são totalmente responsáveis pela situação e o que quero dizer com isso é que não coloco meu amigo só como o “obsessivo”, nem coloco o rapaz como o “psicopata”. A relação em si tange algo doentio. Doença de uma paixão que acontece muito por aí.

Talvez seja o tipo de caso que não se cura como uma gripe que é preciso ter para adquirir anticorpos. Só que se a gente não mede as consequências de uma doença mal curada, as sequelas, a maneira que passamos a enxergar as pessoas pode assumir o viés desse tipo de relação, o que não é bom pois tende a ter um gosto amargo.

Não é difícil ouvir de pessoas que viveram esse tipo de vivência algo como “relacionamento é uma merda”.

Como amigo, posso no máximo dar conselhos a quem é amigo, o Kota. Posso apresentar esse relato gay para os usuários que, em alguma medida podem se identificar com essas linhas.

Caminhos obscuros para nos tornar adultos. Talvez os dois se mereçam.

2 comentários Adicione o seu

  1. The Beadle disse:

    “Paixão negra” pense numa expressão verdadeira. Experimentei um negócio desses e posso dizer de viva voz que estraçalha o sujeito e a recuperação é lenta pois o objeto da paixão apesar de não querer nada em termos definitivos com o sujeito fica não sei se inconscientemente (ou não) naquela de quando vê o fogo diminuindo vai lá e atiça as brasas, como que numa necessidade de sentir aquele calor, aquelas palavras…

    1. minhavidagay disse:

      Oi The Beadle,
      tudo bem?

      Poderia explicar melhor? Não entendi muito bem a “paixão negra” com o texto…

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