Amizades gays em tempos diferentes

Tive um primeiro contato com o amigo “Fab Four” há uns 10 anos atrás. Fomos eu e o Beto até uma balada lixão no centro de São Paulo e o Fab Four iria ao nosso encontro, por meio de contato com o Beto.

Na situação o Fab Four seria mais um que caia no encanto da beleza do Beto.

Nos divertimos bastante, ambos subiam no “queijo” para a exibição de dança e aquela situação não era encorajadora para mim naquele tempo (rs).

Foi um primeiro contato e não mais nos veríamos até 2009. Estava no “Bar do Zé”, ao lado da Lôca e entraria na balada junto com a ONG. Na situação estava o Lutier e o Ding. Enquanto trocávamos ideias no bar, o Fab Four passa pelo boteco e eu o reconheço de imediato. Porém, aquele estilo de playboy, camisa social, calça social e sapato do primeiro encontro não mais representava meu futuro amigo que se encontrava naquela hora num estilo mais desencanado, mais alternativo, de bermuda, tênis sujo e camiseta velha.

Nos reconhecemos e trocamos ideias, contamos um pouco dos contextos de nossas vidas e o convido para agregar a turma. Estávamos então nós quatro na fila da Lôca, pronto para iniciar nossa amizade.

As afinidades vieram rapidamente. Trocamos Orkut na época, telefones e seu apê passaria a ser um ponto de encontro constante, para conversas sempre boas, momentos de um baseado, uma intimidade natural se formaria e viagens para Ponta Negra e para seu sítio.

Adquiri um carinho especial pelo amigo cujo intelecto e inteligência são duas características admiráveis por mim.

Foi de seu apartamento na Rua da Consolação que conheci dois amigos que sublocavam os quartos, uma argetina e o “Non”, inglês que já narrei em outro post. Foi de seu apartamento que assisti pela última vez uma Parada LGBTXYZ. Reunimos pessoas e foi naquela situação que fui “desafiado”: um de seus amigos fazia todo um perfil que me interessaria e Fab Four havia me avisado. Naquela situação já estava começando meu namoro, ouvia um primeiro “Eu te amo” de meu namorado e sofreria um “risco” de me atrair por uma outra pessoa.

Realmente, seu amigo que chegou com mais dois tinha todo o perfil de meu interesse. Mas fui FORTE! (rs). Resisti a tentação, priorizando a história boa que estava começando. Na situação, meu namorado estava viajando com a família para fora do país e, assim, eu estava “livre, leve e solto”. Mas nem tanto assim…

Teve um interesse mútuo, de me conhecer melhor. Mas a conversa terminaria por lá mesmo, sem “sequelas” e apenas uma amizade a mais no perfil do Facebook.

A medida que o Fab Four era inteligente e com um nível e percepção de mundo muito semelhante ao meu, como algumas pessoas que tem o intelecto elevado, meu amigo tinha alguns toc’s interessantes (rs). Lembro com carinho e bom humor de um caso que estava tendo com um rapaz. Estavam quase vivendo juntos, mas além das diferenças mais óbvias de valores e educação, meu amigo relatou uma implicância sobre a “história de panetone” (rs).

Narrava ele que na época próxima ao natal tinha comprado um panetone de chocolate e seu namorado tinha feito um corte no panetone “roubando” a maioria das gotas de chocolate. Aquela situação o deixava inconformado, de como um adulto cortava o doce de tal jeito a ponto de deixar só a parte sem graça e ruim (rs).

Fab Four foi também motivo de muito ciúmes do meu amigo Beto. Originalmente eles eram amigos e, de repente, eu estava mais próximo da vibe da amizade de Fab Four a medida que a possessividade de Beto me incomodava. Teve uma noite que combinei um domingo de Sonique com o Beto, mas estive na casa de Fab Four antes para um esquenta ou algo do tipo. Beto chegou na frente da balada e devo ter me atrasado uns 30 minutos, mas o deixei avisado.

Quando cheguei, Beto, ariano como eu, sem timidez de estar na fila da entrada da balada me deu um sermão gigante, em alto e bom som! (rs). Por um lado, amaciou um pouco meu ego. Por outro, a comparação da minha amizade com o Fab Four com a dele me reforçava a impressão de alguns aspectos infantis do amigo Beto. Ele não se conformava de fazê-lo esperar 30 minutos enquanto me “divertia” na casa de Fab Four (rs).

Amizades gays, amizades gays. Ciúmes daqui, ciúmes de lá e não posso negar que o Fab ficou um pouco em crise por notar que meu namoro acabava nos afastando.

Nós gays, as vezes, ficamos apegados a modelos de amizades e relacionamentos. Modéstia a parte sou um bom amigo, que aconselha, oferece o ombro para as crises dos amigos e, assim como no MVG, levo as pessoas que conheço esse tom equilibrado e sadio, mesmo também tendo meus problemas pessoais e minhas crises.

Amizade e um tipo de psicologia, juntos, acabam sendo uma boa combinação para muitos gays que, na maioria das vezes, podem se sentir carentes ou desamparados pela dificuldade, inclusive de possuir amizades íntegras como busco oferecer.

Mas a vida é assim. Ser humano precisa de ser humano, gente precisa de gente. Temos necessidades, buscamos carinho e palavras reconfortantes.

Saudades do meu amigo Fab Four. Com ele o sentido de amizade vai além da homossexualidade.

Deixe uma resposta