Para um namoro gay dar certo é importante se ligar! – Parte 1


Creio que uma das especialidades do Blog Minha Vida Gay é o assunto “relacionamento gay” cujas dicas muitas vezes se aplicam para as pessoas no geral, independentemente da sexualidade. Não me sinto o indivíduo mais “expert do mundo” no assunto, mas confesso ter acumulado a experiência de namoros e um casamento bem sucedido, mesmo com os términos nesses 12 anos como gay assumido. O que da validade para uma relação? O fato de durar eternamente ou as experiências que adquirimos enquanto nos colocamos fiéis a uma pessoa? Creio que a segunda tenha maior validade no momento que entendemos que adquirir intimidades com um parceiro ou parceira é uma conquista. É quando chegamos em um nível mais profundo de conhecer e reconhecer uma outra pessoa (e vice-versa) que as experiências de um relacionamento se dignificam. E esse processo, bem ou mal, tem prazo mínimo para valer.

Não acredito que em 6 meses é possível reconhecer uma pessoa e, na maioria das vezes, levamos anos para esse “reconhecimento de terreno” que é mutável, que é de descobertas e está constantemente se transformando. Imagine então que em meses é possível conhecer alguém? Não dá tempo. Todos nós estamos constantemente nos transformando e conseguir acompanhar as mudanças do companheiro (e suas mudanças), que afetam diretamente a relação é um dos segredos dentre tantos outros em um relacionamento afetivo, que é dificílimo de enumerar.

Quando a gravidade de “dois planetas” entram em sintonia, é o momento que temos para poder desfrutar das transformações químicas, físicas, mudanças mentais e comportamentais que um relacionamento nos proporciona. No final, se relacionar só nos traz bagagem e maturidade.

Amizade entre o casal

Esses dias assisti no YouTube um vídeo do psicoterapeuta Flávio Gikovate comentando sobre a importância da amizade num relacionamento afetivo. O terapeuta demonina como “+amor” aquelas relações cujas pessoas alcançaram um nível mais autêntico de amizade no relacionamento, superando os apegos e intensidades do amor que, na maioria das vezes, são as causas das crises em um relacionamento, dividindo espaço com o erotismo e a atração que são fundamentais para um casal. Assim, amizade e tesão, dividindo o mesmo espaço não garante a eternidade para o casal mas enquanto casais, colabora com o crescimento de cada indivíduo e enriquece a relação com experiências.

Concordo com essas afirmações, no momento que faço referência as minhas experiências de relacionamentos. Aquelas que não construíram um laço firme de amizade, como meu casamento, acabou gerando mais experiências pelas crises do que pelo bem estar de estar junto. E a ideia real de um relacionamento bem sucedido é que as crises, que são inevitáveis e fazem parte do processo de se relacionar, termine em acordos, convergências e concordâncias. Nesse ponto, a amizade em um relacionamento afetivo tem papel definitivo e exige esforço. Sem a amizade a chance de guardarmos mágoas, rancores e frustrações é muito maior.

Com o acúmulo desses sentimentos negativos, e acúmulo está diretamente relacionado a não resolver as questões individuais perante ao casal, a tendência é a relação se fragmentar. É quando vem aquela sensação de que a relação se perdeu ou de que “eu me perdi no namoro”.

No universo gay masculino, homem com homem, tem uma tendência a não querer discutir a relação. A famosa D.R. mais comum entre casais gays femininos é bastante evitado entre casais masculinos. Nós, homens, esquecemos que inclusive as D.R.s são também o exercício da amizade no relacionamento. D.R. para homens vira um termo pejorativo que na realidade nada mais é que conversa ou diálogo sobre os pontos que nos geram inseguranças ou dúvidas. Homem não tem dúvida? Não tem insegurança? Claro que tem. Mas nem sempre sabemos o que fazer com essas coisas.

Imagine almejar um namoro gay sem diálogo? Sem diálogo não há a exposição. Sem exposição não há a abertura da intimidade. Sem intimidade não existe relação. Existem outras maneiras mais “codificadas” de expor nossas intimidades ou desvios para “curar” nossas inseguranças. Mas, quando as inseguranças se manifestam em códigos, atitudes “estranhas” ou por sutilezas acabam dificultando o envolvimento, acabam dificultando o receptor de codificar. Em outras palavras, gays homens precisam ser mais práticos, abertos e por incrível que pareça – apesar de homens – ir direto ao ponto. Gay homem precisa, no geral, aprender a conversar com o parceiro, na mesma medida ou naturalidade que se coloca para a melhor amiga ou amigo quando quer compartilhar frustrações. Está aí mais um exemplo da influência do fator “amizade” em um relacionamento gay: sabemos conversar e trocar intimidade com o amigo, mas muitas vezes falhamos em trocar intimidades com o parceiro.

[No próximo post vou lançar devaneios sobre a diversificação, fator importante e que influencia diretamente os laços de um relacionamento]

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