De repente, paquera na rua


estacionamento_shopping

Vira e mexe a gente fala das dificuldades por ser gay. Acho que um post comentando um pouco das facilidades ou das normalidades seria um balanço.

Lembro de algum conhecido que cruzou com outro cara no supermercado e desse primeiro encontro aparentemente improvável no universo homossexual saiu um namoro.

O Blog Minha Vida Gay também funciona para mostrar que as vezes a gente acha que a vida gay é tão restrita a sites e aos guetos GLS, mas esquece que existem outras maneiras de conhecer gays, com um pouco de sorte da ocasião ou oportunidade.

Comigo aconteceu apenas uma vez uma paquera bem diferente do óbvio e acho importante registrar a referência para que no mínimo não caia no esquecimento.

Sai do cinema do Shopping Frei Caneca com meu amigo Beto e o ano foi o famoso 2009, época que relato em diversos posts as aventuras e desventuras sexuais no meio gay, solteiro e desempedido (Joguem na busca do blog “2009” quem tiver interessado em saber mais!)

Quando estava pagando o ticket do estacionamento, noto um cara atrás de mim me fitando. Avalio só com o canto do olho, percebo o braço tatuado mas não encaro. Foi uma impressão rápida, enquanto eu e meu amigo combinávamos um jantar depois do cinema no Restaurante Sushimasa na Haddock Lobo.

Ok, o ambiente e o cenário eram totalmente propícios. Mas a maneira como a coisa aconteceu foi bastante inesperada.

Me direcionei ao meu carro e o Beto ao seu. Nisso, percebo o rapaz também indo ao seu carro até perder de vista. Dou partida no motor e percebo um Classe A passando. O carro ainda estava longe e daria tempo de ultrapassar antes que saísse da vaga. Mas por algum motivo ele freou e esperou eu sair.

Dei uma buzinada pela gentileza, fui correspondido e segui meu caminho.

No primeiro farol fora do Shopping, aguardo o sinal vermelho e distraído ouço um barulho, daqueles que a gente faz com a boca do tipo “Psiu”. Os vidros do meu carro estavam fechados, olho para um lado, olho para o outro e noto o rapaz no Classe A de vidro aberto me olhando. Menino bonito, cabelos chacheados, as mesmas tatuagens no braço do rapaz da fila para pagar o estacionamento e um olhar penetrante, olhos grandes.

Continuo meu caminho até o restaurante e percebo que o Classe A faz o mesmo trajeto atrás de mim. Não penso em besteira, do tipo “vou ser assaltado” porque o semblante do menino não me gerou nenhuma desconfiança.

Ando mais alguns quarterões e definitivamente o menino me seguia.

Já nos Jardins, em um cruzamento quase na Haddock Lobo, o Classe A emparelha com meu carro num farol vermelho. Abro o vidro e ele faz as saudações: “tudo bem? Não está a fim de me conhecer melhor?”.

Meio confuso com a situação inesperada, não tive tempo de cair na tentação e logo lembrei do Beto me esperando para jantar: “Então, estou indo até tal restaurante jantar com um amigo. Mas se você quiser podemos trocar telefones. Topa?”.

Ele: “Passa o seu”.

Em seguida ele disca no meu e fala seu nome: “Renato”.

Fuzilamos rapidamente um ao outro pelos olhares, o farol abriu e seguimos em nossas direções.

Fui ao encontro do Beto, que reclamou um pouco da minha lentidão (chatinho como só ele – rs) e logo contei a situação. Ficou boqueaberto! (Quem acompanha meus posts sabe o quanto o Beto foi ouvidos para as minhas desventuras – rs).

Dias depois liguei para o Renato uma vez e a linha caiu. Pensei: “Puxa vida, ele queria somente sexo mesmo!”

Mais alguns dias passaram, ele me liga, eu atendo, mas ninguém fala do outro lado da linha.

Não insisti mais no assunto, naquela fase onde curtição, diversão e putaria não faltavam (rs). De qualquer forma, na minha sede de experiências antropológicas ficou esse caso guardado em minha memória que, hoje, compartilho aqui no MVG, apenas para sugerir aos leitores que, sim, ao contrário do que imaginamos, situações inesperadas entre dois gays podem acontecer fora das condições “quadradas” de nossa realidade.

Adorei a paquera, fez bem para o ego e posso até dizer que ficou um pequeno arrependimento de não ter trocado o jantar pela pegação (rs).

Um alemãozinho teria caído bem na ocasião mas preferi ser ponta firme com a amizade! =P

8 comentários Adicione o seu

  1. Ekial disse:

    Adorei o causo que você contou! Virou até inspiração para uma crônica gay, rs.

    Poxa, amigo que é amigo iria entender quando você tivesse explicado. Um SMS ali para seu amigo no restaurante resolveria tudo, não?! :)

  2. minhavidagay disse:

    Ahahaha… conhecendo o “Beto” ele ficaria irado! rs

  3. Peter disse:

    Já eu, por mais que veja um caso ali ou aqui sobre “paqueras no mundo hetero”, ainda sou descrente. Pra mim, sempre tem um fator, um indício, pra se começar uma conversa entre desconhecidos… uma roupa, um acessório, um “jeito”, uma beleza… Falam do tal “gaydar”, mas o meu não funciona, assim como nunca tive esse tipo de abordagem. Só me resta admirar os contemplados, rsrsrs!

    Abraços!

    1. minhavidagay disse:

      Quanto tempo, Peter!
      Fez falta com seus comentários.
      Realmente a situação não é tão comum, mas acontece e acho que tem a ver com o descompromisso que se tem. Se a gente pensa muito nisso e fica sem querer num estado de alerta parece mais difícil. Quando você não imagina acaba acontecendo.

      Pode ser maior viagem, mas o estado de descompromisso favorece esse tipo de coisa.

      Nāo suma!

      Abraço!

  4. Na minha opinião, flertar é uma das coisas mais gostosas da vida (mesmo que seja apenas para iniciar uma simples amizade, rs).

    1. minhavidagay disse:

      Rs… faz tempo que não leio/ouço o termo flerte, além de mim! Realmente, flertar é bom, paquerar, agradar, fazer surpresas. Tudo muito legal isso! :P

  5. Jeffrey Silva disse:

    Não gosto muito de flertar – sou muito distraido e nem sei como se começa um flerte, mas que é sempre bom perceber que você chega num lugar, e tem alguém olhando, ou até mesmo saber depois que ‘um amigo da sua irmã/amiga/conhecida’ elogiou você e disse que queria te conhecer é sempre bom… Uma massagem gostosa no ego… ^^

    1. minhavidagay disse:

      Concordo Jeffrey! Essas coisas são boas para massagear o ego. ;)

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