16a Parada LGBT em São Paulo serve para quê?

Parada Gay, Parada LGBT. Fui em três, uma quando estava casado e juntamos uma turma de gays, lésbicas e héteros e seguimos um dos trios, a segunda foi coisa rápida quando eu e meu ex-primeiro namorado Lutier resolvemos entrar no meio da multidão e quase fomos “afogados” pela onda de pessoas e a terceira foi em 2009, quando tirei essa foto e pude assistir a Parada em paz, do prédio do meu amigo Fab-Four na Consolação. Foi a melhor, certamente, quando pude ver a multidão, a massa, as 2 milhões de pessoas ou mais que os organizadores do movimento gostam de contabilizar.

Fotos que tirei na Parada Gay em SP em 2009

Final do grande evento

Final da Parada Gay em SP - 2009

Quantidade, número de pessoas e quanto mais, melhor. Esses são os objetivos da Parada Gay em São Paulo. Quem andar hoje pela região da Paulista vai notar gringos de todos os cantos do mundo. Os gays estarão mais a vontade. Temor para as lojas e restaurantes da região que se preocupam com os gays que ficam mais a vontade e costumam abusar nos banheiros. Pegação no banheiro do Shopping Center 3 já é normal em dias “normais”. Em dias de véspera da parada gay a coisa fica mais tensa ou mais deliciosa, dependendo do ponto de vista.

Dia da parada gay é dia de festa, de fantasias, cores e curiosidade. De quarta a domingo, as baladas faturam horrores, as saunas e também e os michês vão na onda. São Paulo fica gay três vezes mais e já estive na Lôca numa quarta-feira de Parada, quando fiquei pela primeira vez com meu terceiro namorado. Não dava para andar, não dava para sair do lugar! Duas horas para pagar.

Bom, muito bom mesmo para quem está no fervo ou na curiosidade de adentrar nas festas e na vida gay sem deixar rastro ou registro. São tantas pessoas, tantas pegadas que você é só mais um ou meio. O sexo que já é fácil, fica escancarado para quem procura.

O grito pela diversidade tem bons princípios. Mas na prática e na fluência dos diversos níveis culturais do brasileiro, em meio a essa festa popular, o pessoal exagera um pouco. Não quero dar uma de moralista, de certinho ou de puritano. Não posso dar porque já tive meus demônios gritando como vocês mesmo podem ver nos meus relatos de vida gay. Mas não há como negar que o dia da Parada LGBT e os dias que a antecedem são regados de excesso: cores, etnias, culturas, sexo, pegação, sujeira nas ruas, lucros nas festas, saunas lotadas, bebidas, drogas, roubos, atentados e muita, muita bagunça.

Fui em três desse evento e socialmente já fiz a minha parte. Caminhei como um pseudo militante, mais bêbado e preocupado com o ciúme do meu ex-marido do que qualquer coisa, me afogei no mar de pessoas e, por fim, vi a coisa do alto, como espectador.

Parada é quantidade, é massa com muitas vozes e muitos desejos.

Humildemente, exerço minha “militância” de maneira muito mais efetiva, focada e contínua aqui no Blog MVG sem precisar gritar ou colorir. Porque aqui troco informações frequentemente com leitores, é o day by day, reavalio e reescrevo minhas experiências, faço um balanço e apresento realidades sob o meu ponto de vista de vivências reais, da minha prática de vida e das coisas que virão pela frente sem fazer alarde.

Parada LGBT em São Paulo é um dia de sonhos, plumas e diversão para os gays. No final de domingo, todo mundo tira a fantasia e curte a ressaca moral pelo que fez ou deixou de fazer.

Quem é gay deve pelo menos ir uma vez para conhecer. Mas ir para achar que existe uma militância? Talvez para 1.000 pessoas. Os demais milhões estão atrás de um “rabo de calça, saia, plumas e derivados”. Ver e ser visto. E não é que não pode. Pode tudo isso. Mas não me venham falar de inclusão social.

Estou fugindo para a praia que exerço a minha inclusão para os tios e primos do meu namorado!

2 comentários Adicione o seu

  1. Peter disse:

    Nunca fui numa parada, então vai meu pitaco como telespectador. Em dias atuais, parada pra mim é apenas uma grande festa, algo como um carnaval de pequeno porte direcionado ao público gay. E só. Quem sai ganhando é a cidade (pelos turistas, consumos, etc.) e quem gosta de diversão com uma pitada de safadeza, rsrs. Foi-se o tempo onde o foco principal era mostrar que somos pessoas lutando pela igualdade. E acredito que essa seja a mesma opinião de muita gente, principalmente do lado hetero.

    Não vou dizer que por isso, nunca irei a uma parada. Vale a pena, ou pra firmar minha opinião, ou pra mudá-la por completo. Quem sabe?

    Abraços e boa praia!

  2. Olá, MVG! Sempre vi a parada como mais um carnaval no calendário brasileiro. Carnaval principalmente do ponto de vista do “tudo liberado”, assim como no “tradicional”. Concordo com sua visão de que a questão de militância está longe de ser vista pela sociedade, pois de que adianta uma faixa na frente escrito “respeito” enquanto todos os milhões atrás demonstram justamente uma vida de puro sexo, sem laços e longe de representarem uma família? Acredito que realmente o caráter político deveria ser desmembrado da parada, pois, do jeito que está, vejo só mais justificativas embasadas para o preconceito.
    P.S.: É o companheiro mais novo quem está comentando, rs.
    Abraços!!!

Deixe uma resposta