Beija gay, beijo gay, beija eu, me beija


Muito se fala do primeiro beijo gay na tevê brasileira (não considerando muito o beijo que aconteceu no programa “Beija Sapo” da MTV, uma emissora fechada a um público) e espera-se algo bem evidente nas principais emissoras como a Globo ou SBT que têm uma maior audiência e impactará de maneira muito mais abrangente. E a que tudo indica, vai acontecer mesmo num programa do SBT no final do mês de junho.

Contesto um pouco a massificação do tema, da super exposição e a exploração do marketing. Mas não posso negar que o “beijo gay” transmitido por uma emissora, seja numa novela, num programa de auditório ou no mais exposto estilo BBB tem uma conotação de que “estamos aí e viemos para ficar para sempre”, nesse processo evolutivo de sociedade, de igualdade e de naturalidade de ser como somos.

Ato como esse não será a primeira vez que estimulará muitos gays a ficarem um pouco mais relaxados por ser o que são, a assumirem ou escancararem suas realidades!

Emissoras voltadas à massa, como o SBT, Globo e Record acabam validando conceitos quando os expõe e não deixam de ser reflexo de sociedade. Não deixam de influenciar quem quer ser influenciado.

O beijo gay na teve brasileira vem acumulando uma energia como num Big Bang. Quando acontecer, pode gerar uma explosão de valores dispersos e segue uma das máximas que diz assim: “gays são parte da sociedade, são reais e agora que estão na tevê estão inclusos”. Mídia tem esse poder de inclusão ou exclusão, mas também tem o temor de chacoalhar com a moral e costumes de grupos mais tradicionais que vão desde as famílias, grupos religiosos e políticos que também fazem parte de sua audiência.

O choque dessa permissão é natural e as contrariedades também. Mas de fato quem é que pode impedir o óbvio?

Um dia depois da gravação do capítulo do “Sexo no Sofá” comentei a minha mãe que apareceria num programa falando de sexualidade e homossexualidade. Há 10 anos ela me entende como gay e vive essa realidade plenamente. Só não mais plena pelo fato de meu pai ter suas respeitosas restrições. E ela foi categórica: “você é adulto, o mundo está mudado e acho uma besteira a sociedade ficar enfatizando ainda essas questões. Veja só o que saiu no jornal de hoje: ‘Lanterna Verde se assume gay’. As coisas mudaram e se você pode ser um interlocutor, que passe seriedade, confiança e respeito, porque você evitaria esse tipo de oportunidade?”.

A questão é essa queridos leitores: o Brasil vende um país da alegria, da diversidade e das cores para o mundo. Mas quem vive em terra brasilis sabe que o preconceito racial, sexual e de classes é bastante predominante em nossas entrelinhas sociais, totalmente legíveis para nós brasileiros que temos um senso crítico maior.

Não vejo com bons olhos os excessos em torno do tema “beijo gay na tevê” porque esses exageros acabam esteriotipando o próprio ato. Mas também percebo que esse acontecimento que está para “explodir” a qualquer momento não deixa de ser uma linha de chegada nova, nessa corrida que temos praticado há muitos anos. Vai ajudar os gays a se sentirem mais a vontade, mesmo que inicialmente de forma caótica, sem senso ou desordenada. Mas aí isso é o assunto para a educação do país como comento em outros posts.

Beijo gay, explosão, calmaria e inclusão. Essa possivelmente será a ordem das tensões e relaxamentos perante a sociedade.

Tempo ao tempo que o “beijo gay” vai nos trazer mais privilégios do que prejuízos.

5 comentários Adicione o seu

  1. Marcos disse:

    MVG, onde está esse capítulo do ‘Sexo no Sofá’?

  2. Dark disse:

    Está p/ chegar o dia em que seremos tratados com naturalidade! Vai demorar muito ainda, sejamos realistas, mas bem que eu queria estar vivo para ver esse dia em que a sociedade mude radicalmente. Não que ela vá mudar da água pro vinho em apenas uma noite, mas quem sabe daqui a alguns 85 anos? Se eu chegar aos 100, já estará bom. Mesmo que isso não seja concretizado, não importa. Só desejo ver. Mesmo que seja lá do céu.

  3. minhavidagay disse:

    Estive conversando hoje com a minha terapeuta, que tem seus 40 e poucos anos. Ela sente que a sociedade já se esclareceu muito de quando ela era adolescente. Não sei se 85 anos, Dark! (rs). Mas em mais 20 anos, quando você tiver uns 30 e poucos vai poder exercer sua “cidadania gay” com muito mais tranquilidade porque o lado de fora estará mais consciente e o lado de dentro mais confiante! Acredite nessa combinação que tudo tende a melhorar! ;)

    PS: Você entrou na Comunidade do Face?

    1. Dark disse:

      Sim, estou com uma foto de perfil com uma personagem de cabelo rosa e embaixo, escrito “Darkbringer.” Ela vem de um jogo chamado Grand Chase e esse é o nome da 2ª classe dela. É a origem do meu apelido aqui no MVG, mas resolvi mudar p/ Dark p/ simplificar. Pretendo fazer novas amizades, quem sabe? :)

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