Gays: diferentes e iguais

Ontem postei o documentário sobre gays “Não gosto dos meninos”, que retrata de maneira simples e clara as diferenças que existem entre os gays, fisionomias, maneiras de se expressar, estilos, comportamentos, vivências, repertório e referências. E ao mesmo tempo, tão iguais a todos, com suas responsabilidades, desejos, anseios e vontades. E para quem eles se comunicam? Para seus iguais, nós gays, e para a sociedade, numa apresentação pouco hostil ou purpurinada da nossa realidade.

Em seguida lancei na tela da tevê “O Sorriso de Monalisa” depois que assisti um tempo atrás. Durante o filme, que retrata a vida numa escola tradicional dos EUA, uma professora heterodoxa, diferente dos padrões e que busca transmitir novos valores para suas alunas, fui amarrando algumas ideias.

O filme retrata a realidade mas mulheres por volta de 1953. Naquela época a sociedade ensinava a crescerem para serem as mais perfeitas donas de casa subjulgadas ao marido. Isso fica bastante evidenciado em atuações muito boas com atrizes que muitos conhecem. Julia Roberts é a professora heterodoxa que traz de suas referências e estilo de vida, conceitos que revelam à suas alunas um modo diferente de comportamento, da autonomia, de pensar, da possibilidade da profissionalização, dentre outras características que entram em choque com os modelos tradicionais de ensino daquela época.

Referência para gays

“O Sorriso de Monalisa” é diretamente proporcional à “Sociedade dos Poetas Mortos”, liderado por Robin Williams e retrata o espelho, do homem que deseja liberar sentimentos e sensações que não condiziam com os modelos patriarcais e rígidos daquela época.

Referências para gays

O Sorriso de Monalisa e Sociedade dos Poetas Mortos retratam mulheres e homens num tipo de busca de novas referências e modelos que não os impostos pela sociedade. Modelos de comportamento que definiam homens e mulheres sem nenhum maior propósito senão a tradição do que seria direito para a “boa” representação desses gêneros.

Desejos de rupturas ao que é imposto é exatamente o que vivemos hoje e assim foi, se não é, para mulheres e homens heterossexuais que desafiam os padrões sociais. Mulheres heterossexuais podem ser líderes de empresas, assim como homens heterossexuais podem ser estilistas, assim como homens gays podem ser advogados e mulheres lésbicas podem ser dona de casa. A miopia da sociedade é justamente essa: tentar enquadrar sexualidade a padrões, como se seguir profissões mais tradicionais implicassem diretamente em heterossexualidade, ou atuar com moda e dança fosse assunto para mulheres e gays.

E nós, inseridos na sociedade, acabamos deixando nos levar por esses modelos.

A “briga” está exatamente aí: os modelos sempre se transformam. Existem perfis dos mais diferentes tipos que nos dão liberdade para sermos o que gostamos de ser sem julgamentos vinculados a sexualidade, padrões profissionais ou qualquer outro tipo de padrão que nos limita.

Escolhas e aspirações são fundamentais para a realização pessoal. O mundo está cada vez mais assim, da naturalidade das escolhas, de não precisar seguir regras universais porque de fato, a ciência, a sociologia, a antropologia e a medicina provam cada vez mais que não existem escolhas universais.

Vivemos essa “luta” diariamente para mostrar que se o mundo coloca uma regra muito rígida que nos desqualifica, nos desmoraliza, ou nos reprime, o mundo está errado.

Assim, fica a dica desses dois filmes para gays, que não tem nada de gay, mas tem muito a ver com a relação humana, vínculos e atuações em sociedade.

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