Gay aqui, ali e em qualquer lugar


Antes de mais nada acho importante trazer algumas desculpas para os leitores. Sei que o Blog MVG está repleto de assuntos para a comunidade gay assumida, enrustida, indefinida e seus derivados, o que dá pano pra manga para leitura. Mas não posto com assiduidade nas últimas semanas! O motivo: trabalho. Segundo semestre vem chegando e com isso um monte de responsabilidades. Ao contrário de muitos que entram de férias em Junho/Julho e não vivem ainda a rotina da vida adulta, pelo lado de cá o bicho pega de vez em quando! Além do tempo, a cabeça fica tão ligada nesses compromissos profissionais que falta inspiração para escrever.

Considerações respeitosas feitas na introdução, recomeço com uma indicação de um filme sobre a vida de um gay respeitável, enrustido em sua época e criador das bases que contextualizam o FBI até os dias de hoje.

Filme sobre a vida de gays e além – J. Edgar

Filme Gay - J. Edgar

Quando baixei o filme pelo iTunes não imaginava que tratava-se da história de um homem gay, enrustido, e que por sua conduta e obstinação profissional, transformou os serviços investigativos dos EUA que preserva seus valores até hoje. O filme é denso, um pouco complexo no começo já que nos contextualiza numa época bem distante da realidade atual, é necessário entender um pouco da sociedade e política dos EUA por volta de 1920, e trata da homossexualidade de maneira bastante discreta a princípio. A medida que a história vai se desdobrando, encontramos um homem extremamente dependente de seu parceiro e do amor diário entre o casal que por décadas foi base psicológica para sua integridade. J. Edgar influenciou diretamente a história dos Estados Unidos e muito de seu equilíbrio se deve ao parceiro.

Naquela época pensar em ser gay era proibido. Sua mãe teve uma contribuição direta para que o filho reprimisse ao extremo sua sexualidade o que o tornou incompleto, parcial e “ator” durante a vida toda. Sua discrição o protegia, assim como protegia seu parceiro inseparável pela longa jornada profissional como personalidades principais do FBI.

Pelo contexto é um filme que não tem nada de gay. Nada daquilo do popular, esteriótipo ou multicolorido. Por sinal, o filme é bastante cinza se assim posso dizer. Fala de política, da necessidade compulsiva de um homem em transformar os moldes do FBI, de casos policiais não concluídos e de uma boa atuação de Leonardo Di Caprio que mais uma vez incorpora uma personalidade gay.

Se o assunto é ir muito além de nossa sexualidade, como cito tanto em posts por aqui, J. Edgar mostra – salvo sua auto repressão – como é possível ir e ser muito além da sexualidade. Fala do amor entre dois homens que nasceu desde o primeiro encontro, que pouco se pronunciou e muito se praticou no cotidiano de vida de John Edgar Hoover e seu companheiro Clyde Tolson por mais de 40 anos.

“Atrás de um grande homem é possível existir outro grande homem”. Eis uma verdade que ainda pouco se pratica.

Ser gay significa ter relacionamentos voláteis? J. Edgar diz o contrário desde 1920.

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