Relato de um possível ou impossível gay: o caso de Vitor


Quando a sexualidade de um indivíduo se define?

A ciência ainda não explicou com clareza, mas muitos estudiosos identificam que a formação da sexualidade acontece muito cedo, antes mesmo de uma criança expressar propriamente a sua sexualidade.

Estamos em serão adiantando trabalhos hoje aqui na minha empresa, fato é que não tenho conseguido ser muito pró-ativo com os posts nem muito inspirado. O trabalho em quantidade tem consumido minha energia!

Mas enquanto jantávamos, minha sócia retoma o assunto do filho de 3 anos de sua prima. Ela já havia mencionado sobre o menino umas duas ou três vezes, a respeito de sua delicadeza, de ser mutíssimo carinhoso e apegado e diferente do comportamento geral de outros meninos da mesma idade.

Com três anos realmente não há o que expressar ainda quando o assunto é sexualidade, não há hormônios nem química do desejo. Mas será que para uma criança assim, os valores de sexualidade, de homem e mulher, de masculino e feminino já não estão se formando? No meu ponto de vista sim. Sei desde meus sete ou oito anos que o corpo de um menino me atraia.

Minha sócia lançou no jantar que sua desconfiança está cada vez maior. “Vitor” com apenas três anos faz declarações do tipo: “eu gosto de homens e prefiro mais velhos”. “Gosto de usar batom e não gosto de comer muito porque engorda”. Primeiramente que essas afirmações apontam para uma criança altamente sensível as referências externas. Como será possível alguém de apenas três anos entender a ideia de gostar de pessoas mais velhas ou predileção por batom?

Imediatamente minha sócia fala das influências. Mas um minuto: influências ou uma extrema sensibilidade para captar as referências externas e já ter um senso de definição do que gosta por mais que ainda não tenha o acesso?

Já ouvi alguns relatos de transexuais que tiveram essa aura precoce na infância. Obviamente que uma criança de três anos é ainda assexuada mas as vezes uma criança dessa idade é muito hábil em captar os valores humanos e sociais e ir além: ser capaz de definir e expressar opiniões. Quantas vezes não nos pegamos surpresos com crianças muito novas observando e formulando opiniões sobre assuntos que nos parece muito além de sua realidade infantil?

No caso de Vitor, que gosta de pentear os cabelos das primas mais velhas, é vaidoso por não gostar de sujar suas roupas nas brincadeiras das outras crianças, não come muito porque engorda e mexe em batons, vestidos e brincos da mãe escondido, as chances de se formar como homossexual quando despertar para a sexualidade não é remota. Ao mesmo tempo, sua sensibilidade em perceber o mundo e tecer opiniões próprias sobre assuntos aparentemente restritos ao universo adulto gera uma estranheza para os mais velhos mas, no meu sincero ponto de vista é uma benção.

Falei para a minha sócia – que está grávida e mais receptiva as questões da sexualidade de crianças – que o Vitor merece uma atenção especial desde já. Não uma preocupação antecipada, mas uma observação atenta de seus pais e familiares que estão por perto.

É necessário enxergar suas reações com a máxima naturalidade possível, não tratar com diferenciação e entender que o diferente é também normal. Complexo, não? O Vitor parece diferente porque se destaca dos amigos em reações e percepções de mundo. É mais comunicativo do que a média da idade e não se deixa levar pelos encantos que a maioria das crianças estão descobrindo com três anos. Ao mesmo tempo, o fato de ter gostos e percepções fora dos padrões não quer dizer que é uma criança estranha ou anormal. Portanto, lidar com naturalidade e amor é dever. Delicado, intuitivo, inteligente, ou “diferente” o Vitor vai crescer e se cercar de responsabilidades e deveres de um adulto mais cedo ou mais tarde como qualquer outro. A falta de naturalidade dos pais perante a maneira do Vitor ser pode ser de alta influência na formação.

Numa necessidade quase estabanada da minha sócia entender melhor o menino fui objetivo: “O Vitor pode despertar para a homossexualidade e parar assim. Pode buscar por referências transgêneras e se identificar. E ainda pode se encontrar como transexual no final. Mas também pode se revelar heterossexual e tudo isso que você percebe hoje não passe de histórias da infância do Vitor. O que a gente sabe de fato é que no presente ele tem apenas três anos! O importante, para com todos os filhos, é observar e não sofrer por antecipação. Outra atitude que pode ser saudável é buscar informação com médicos ou psicólogos. Numa situação dessas, com uma criança tem três anos, são os pais que precisam de algum conselho profissional se estão sofrendo”.

Claro que com as minhas referências, percepções dos relatos dos usuários do MVG e intuição eu tenho uma opinião. Mas seria um tanto radical e imaturo tentar entender os por quês do Vitor ser assim ou assado e tentar justificar numa suposta homossexualidade!

De qualquer forma ficaria extremamente orgulhoso de um filho assim tão hábil por perceber o mundo, definir opiniões próprias e apresentá-las verbalmente com mais habilidade que muito adulto! Só que ao invés dos adultos valorizarem essas reações preferem achar estranho. Com quem devemos nos preocupar realmente? Com o Vitor ou com seus pais?

7 comentários Adicione o seu

  1. Primeiramente eu torço muito para que os pais do Vitor tenham a mente equilibrada para lidar com esta situação e que não deixem o filho se perder no desequilíbrio.
    Eu me identifiquei bastante com os comportamentos do Vitor: calçava as sandálias de salto da minha mãe, experimentava os vestidos e os batons da irmã e às vezes chorava dizendo que queria ter nascido menina porque as roupas eram mais bonitas (e meus pais ainda eram tão leigos em qualquer tipo de assunto que nem sabiam o que era homossexualidade, rs). No meu caso, acredito que foi apenas uma fase devido à rejeição que sofri por ter nascido menino. A minha fase “drag” acabou depois dos seis anos de idade, mas a atração por homens permaneceu para o todo e sempre, rs.
    Existe uma teoria científica que diz o seguinte: a homossexualidade é determinada por volta dos quatro anos de idade, quando a quantidade de testosterona numa parte específica do cérebro é estabilizada em níveis abaixo dos valores padrões. E foi essa teoria que eu adotei para me explicar cientificamente.
    Então, que Deus abençoe o Vitor, o meu sobrinho de quatorze anos, o meu outro sobrinho de dez, os dois netos da minha madrinha, o filho da minha prima, os dois priminhos do meu amigo, etc e etc.

  2. bobagem! a crianca nesta idade imita o adulto mais próximo do momento. Está cedo demais e ele não imagina essas coisas. Uma crianca imita um adulto em tudo, pois ainda não possui o discernimento, então encara como natural as atitudes do pai, da mãe ou de outras pessoas. Minha sobrinha mesmo, ela ouviu a avó materna dela falar de mulheres vagabundas, e agora chama todo mundo que passa de vagabunda, sem saber o que significa.

  3. fernando disse:

    Gente preciso d ajuda tenho 16 anos e nao sou assumido e namoro a 4 meses com um rapaz d 19 anos escondido ele me ama e quer assumir o namoro mais meus pais nao aceitariam nunca. E agora eu amo ele e temo meus pais sera q eu sigo meu amor e e fujo con ele p/ sao paulo moramos no para.

    1. João Vitor disse:

      Caramba, eu tbm sou do pará , eu tbm tou tentando contato com o mvg, mas acho q ele tah de ferias, fugir caramba.

      1. João Vitor disse:

        Tenho 15, vc estuda aonde tbm tou precisando de um conselho.

  4. Rafael disse:

    Sou passivo ñ assumido e me apaixonei por uma outra pessoa também passiva e ele me adora e eu a ele, tem como se viver sendo que os dois são PASSIVOS?

    1. minhavidagay disse:

      Não devemos nos rotular desse jeito! O afeto, o tesão e a vontade de viver uma relação a dois devem fugir dessa divisão ativo ou passivo!

      Como homens gays podemos dar prazer aos nossos parceiros de diversas maneiras! Seja criativo! :)

      Abraço!

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