Saindo do casulo, novas reflexões sobre a vida gay

Até que enfim, depois de um pouco mais de um mês sem uma boa ideia ou uma inspiração veio à tona alguns novos pensamentos para compartilhar aqui no MVG!

Estou saindo do meu “casulo pessoal”, invisível aos leitores do Blog, mas que tem me cercado ultimamente. Antes de mais nada importante dizer que esse “casulo” não vem no sentido de prisão, mas de conservação, quietude e foco em objetivos de vida. A alma anda bastante quieta e pautada no trabalho ultimamente e meus hobbies, como o MVG que dependem de inspiração, estão com uma importância menor no momento.

Mas assim é bom, por isso é um Blog. Não tem o comprometimento de ser full time, programado, profissionalizado. Pelo menos não é esse o meu interesse no momento. O que me consola também é que são mais de 150 posts para serem lidos e relidos pelos leitores. Praticamente um livro! :)

Andei reparando numa tendência comum entre as pessoas. Muitas daquelas que estão solteiras reclamam constantemente da ausência de um par, que o “mercado” anda difícil e que “fulano não presta”. Já aqueles que formam um casal reclamam das crises e diferenças na relação. Os gays enrustidos tendem a protestar pela dificuldade que é “sair do armário”, do preconceito, da perdição e dos medos. Os que estão assumidos estão se cansando dos modelos e hábitos do meio, dos vícios, dos excessos e das manias.

Perceberam que o ser humano, independentemente da sexualidade, está sempre insatisfeito com o estado em que se encontra?

Por um lado, esse estado é positivo pois tende a nos tirar de um modelo de conforto, afinal, insatisfação com as coisas costumam nos movimentar. Por outro, entramos num processo estranhamente humano de projetar os problemas no ambiente. Por exemplo: o gay solteiro justifica seu estado na falta de comprometimento das pessoas. O gay casado ou namorando reclama das atitudes ou falta de atitudes do parceiro. O gay enrustido projeta as dificuldades na influência da religiosidade, na sociedade e no preconceito. E o gay assumido não aguenta ver as mesmas 50 pessoas que frequentam a Praça Benedito Calixto, a The Society, a The Week, o Shopping Center 3 e a D-Edge. No final, parece que a “culpa” sempre está em alguém ou em determinada influência externa. Será?

Nessa minha fase de quietude, tenho percebido esse padrão ou mania de apontar os problemas nas coisas, como se essas “coisas” tivessem a obrigação de nos perceber e se moldar a nós perfeitamente para calar com nossas angústias e insatisfações. E esse modelo é geral, independe de classes ou nível cultural. Essa ideia de esperar que a “coisa” atenda a gente é egóica e até mesmo mimada.

Difícil, bastante difícil perceber que na grande maioria das vezes as insatisfações estão dentro da gente e não no outro. Achar que o externo pode se moldar totalmente aos nossos desejos é aceitar uma necessidade pelo comodismo.

Mamãe já me disse: “Perceber que a gente precisa mudar as vezes é difícil, muito difícil”. Essa sábia afirmação se aplica muitíssimas vezes em nosso dia a dia. Parece estar tão grudado, conectado e colado ao ser humano que fica difícil de perceber.

O quanto as nossas dificuldades são realmente dificuldades? O quanto damos peso a elas.

Dizer que somos todos gays, alegres, bem resolvidos, felizes, belos, sadios e encantadores pode ser válido na página um. Na página dois em diante, que é aquele momento de solidão com a cabeça no travesseiro, a coisa fica bem diferente.

Será que não está na hora da maioria se ligar e começar a efetivamente mudar as coisas por dentro? Intimidade não tem que ser lugar para guardar somente problemas, sofrimentos e questões!

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