A vida gay brasileira de cada dia


Fato: a vida gay está inserida numa sociedade e as questões sobre sociedade, embora as vezes nos leve a filosofias demais e prática de menos, ajuda a refletir sobre os por quês das coisas serem como são hoje e, acreditem, pouca coisa mudou desde a época de Roma.

Enquanto meu namorado trabalha, numa fase de muitos projetos, infurnado na frente do meu micro, tirei meu final de semana para contemplar o tempo bom da sala de casa, preparar uma comida no capricho e, “se pá” dar um banho na minha cachorra que anda fedida! (rs).

Nesse período de descanso e tranquilidade de final de semana, estou assistindo o seriado “Roma” da HBO, excelente produção que narra o período de ascensão e declínio de Julio César, sob o ponto de vista das personagens Lucius Vorenus e Titus Pullo.

Sobre a sexualidade naquela época, tema bastante comum no MVG, não existia uma divisão tão evidente entre heterossexuais e homossexuais. Não era tão claro e definido o conceito de ser gay pois, as diversas castas entendiam a sexualidade de uma maneira menos exclusivista. Claro que a nobreza da época preferia que seus filhos homens buscassem por mulheres para que pudesse perpetuar a linhagem. Mas essa era a preocupação em evidência (poder) e não a discriminação em si aos homossexuais.

Em outras palavras, sexo entre homens, entre mulheres e entre homem e mulher, eram possíveis e sem uma retalhação do preconceito.

A sociedade ainda era politeísta, ou seja, acreditavam em diversos deuses e esses, também, reflexo “superior” dos homens, transavam entre si sem grandes pudores. Baco que o diga!

Mas é impressionante notar como a sociedade romana, de Julio César, Pompeu e Marco Antonio, representa até hoje o espelho e a base do que é a sociedade moderna.

Naquela época as pessoas pixavam as ruas como hoje. O pênis era um ícone para momentos de poder, como também para expressão pejorativa, desagrado ou “zuação”.

Conchavos políticos, relações de interesse e a simbologia da riqueza, das conquistas territoriais e do dinheiro eram muito parecidos como é ainda hoje. E, fundalmentalmente, a ideia de uma sociedade dominante sobre a outra por interesses, se assemelha muitíssimo aos EUA sob os países do oriente nos tempos atuais. Na época, a supremacia da Roma sobre o Egito se justificava pela importação de alimentos. Hoje, na relação EUA e oriente, a influência se dá pelo petróleo.

A sociedade ocidental, seus hábitos, valores e costumes, que são predominante nos lares dos brasileiros, americanos e europeus foi formada por essa cultura romana, de domínio de territórios, culto ao “ouro” e “absorção” de culturas por meio da guerra.

Desde aquela época, poucos tinham muito e muitos viviam na mais simplória miséria, das doenças, da falta de comida, da sujeira e da ignorância.

Mais uma vez penso que esse planeta foi formado em escala global por poucos líderes para muitos rebanhos. Líderes que nem sempre fizeram bom uso de seu poder e outros que magistralmente perpetuam sua aura até hoje.

Quando cultuamos grandes homens como Jesus Cristo, Julio César, Gandhi ou Steve Jobs, ao mesmo tempo que os idolatramos por serem referências de vida e trabalho, aceitamos também diretamente a nossa condição de rebanho. Parecemos impotentes ou condicionados as marés sem a possibilidade de um despertar maior que também nos fariam líderes.

Acredito que esteja na essência humana ou no nível espiritual desse planeta, do homem ser mais dominado do que estar no comando. Seriam todos esses grandes líderes enviados a terra para essencialmente justificar a nossa condição ou nível de evolução?

Filosofia!

De Roma a nossa vida gay de cada dia

De qualquer forma, no contexto de nosso estado gay brasileiro nos colocamos condicionados ao que essa sociedade impõe como regra há muito tempo. Assumimos mais um papel passivo ou de vítima das circunstâncias familiares, de classes sociais, religiosas e sexuais do que atores que, independentemente da sexualidade, valores familiares, classe ou religião, somos capazes de nos tornar.

Brasileiro, em essência, parece viver de baixa auto estima crônica. Qualquer pequeno ganho é motivo de exteriorizar sem medidas, contar para os vizinhos, explorar nas redes sociais ou escancarar nos bares até o último gole. O que diria então essa possibilidade de virar um “grande homem”? Ninguém pensa, parece ser uma possibilidade tão remota e inatingível que nos conformamos ao estado em que nos encontramos.

Mal acostumamos a nossa condição e parece existir uma força maior que nos impede de mudar, transformar ou transcender. E esse poder sempre parece estar fora da gente, na figura de pais, colegas de trabalho ou amigos. Esquecemos de olhar para a nossa força interior que é independente, poderosa e única.

Tememos o enfrentamento pois peitar é dificultoso. Uma sociedade composta por indivíduos com baixa auto estima não briga, não expõe, não influencia porque qualquer possibilidade de negação ou rejeição é demais para aquele que já se sente tão inferiorizado ou fraco.

Esquecemos de um ponto importante para as nossas vidas: quando estamos com a estima no devido lugar, e nos sentimos resolvidos e em paz com o que somos, não é um ato externo de negação, rejeição ou frustração que abala nosso ego. Pelo contrário, quando estamos bem, as reações externas das pessoas que nos importa não são motivos suficientes para nos reduzir ou para nos encher de um aparente orgulho: absorvemos sem nos submeter aos excessos do arrependimento e aceitamos sem a manifestação do orgulho.

Aprendemos também a dar valor para o tempo quando se é necessário.

Assim, de Roma de Julio César ao mundo de hoje mais moderno, contemporâneo, tecnológico e teoricamente de mais acessos, continuamos a nos acomodar em nossa condição, passamos necessidades e vontades, mas normalmente não buscamos encontrar dentro de nós o poder da superação que nos levaria a atingir sonhos e objetivos, superação essa que certamente todos os grandes líderes aprendem a cultivar em largos hectares durante a vida. Preferimos idolatrar eternamente esses líderes a encontrá-los dentro de nós.

Como brasileiros e gays precisaríamos, no mínimo, aprender a ser líder de nós mesmos, alcançar a nossa autonomia e poder exercer a nossa plenitude conscientes que somos capazes e independentes da aprovação ou reprovação alheia. “Preconceito sexual” e “esteriótipo homossexual” seriam conceitos que perderiam a força.

Tudo isso exige muito esforço. Mas esforço é para aqueles que estão com a auto estima no lugar, para aqueles que depositam mais fé inside do que nas condições, regras e medos do que vem de fora. Esforço, persistência e perseverança são características de líderes. No mais é aceitar a eterna condição de uma cabeça no oceano de rebanho, condição que inclusive define os “males” de nossa sexualidade.

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