Preconceito. Por que as vezes se justifica?


Ontem de madrugada voltei de viagem da casa de praia dos pais do meu namorado. Peguei um sol bacana e consegui jogar uma cor na pele (rs)!

Nessa onda de “soltar um pouco meu nó” para me sociabilizar de novo depois de 10 meses de imersão no trabalho, na casa nova e no namoro, nunca foi tão fluído e natural me relacionar com pais, primos e tios do meu digníssimo. Estou realmente relaxado, não pelos outros, mas por mim mesmo. Há pouco tempo, saia de viagem mas ficava com a cabeça em questões de responsabilidades.

Acordamos bem tarde hoje, curados de uma ressaca contínua desde qinta-feira e fomos almoçar num Shopping aqui perto de casa.

Enquanto estávamos na fila de um fast food qualquer, uma dupla de travestis (ou transgêneros) se aproximam. Noto o gênero pelas vozes e não pelas fisionomias. As técnicas médicas e cirúrgicas fazem hoje milagres!

As duas raparigas resolvem acomodar-se na mesa ao nosso lado. Acostumado com a aparência as vezes exagerada, no estilo periguete-mulher, estar do lado de travestis não seria problema nenhum. Até a hora que as duas começam a conversar…

…uma delas muito discreta e de baixo tom. A outra, cheio de gestos espaçosos e voz alta começa com um menu de assuntos, praticamente nessa ordem:

– Foto do marido pelado no celular;

– Tal fulana ali é lésbica;

– A outra é amapoa;

– Menino que passa é gostoso e o faria;

– Marido, de novo, é rico e não se misturaria em situação X ou Y;

– Outro menino passa e ela faz uma nova cotação;

– E foi esses os temas, nada mais além disso.

Curioso que naqueles excessos de extroversão, em nenhum momento eu e meu namorado ouvimos algo relacionado a nós. Os julgamentos eram sobre as pessoas das mesas mais distantes ou daqueles que passavam rapidamente por perto. E os dois, realmente gays ou que tivessem algum tipo de proximidade com elas passaram desapercebidos à “antena atenta” de uma das raparigas. E olha que estávamos do lado dos travestis. Naquele tom alto de voz seria impossível não ouvir.

Elas comeram antes e saíram de cena. De imediato meu namorado lança: “é difícil as vezes não ter preconceito. Por isso algumas pessoas sofrem”.

Mais um caso rápido e vivenciado que é exemplo que educação e sexualidade são coisas distintas. Mas normalmente pessoas que vivem muito a sexualidade costumam ser mal educadas e sofrem preconceito!

Confesso que até almoçamos mais rápido que o normal para poder encerrar com aquela situação. Existiu sim um incômodo, não pela imagem transgênera, mas pelos modos ou falta de.

Como já citei em outro post, o preconceito que se gera por causa desses hábitos não é diferente do playboy bêbado e espaçoso na balada ou do torcedor fanático do Corinthians que explode bomba na janela do vizinho.

Educação, gente, é coisa que falta!

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