Efeito positivo de um blog gay para além das telas

Ontem tive uma notícia bem interessante de um dos leitores do Blog Minha Vida Gay. Tenho trocado e-mails com o “P” do post “Relato de um gay que namora uma menina” que evoluiu bastante a sua história. A sequência da vida de “P”, já assumida para pais e ex-namorada é um belo salto para seus novos desafios, assunto que posso narrar em mais detalhes depois, sem expor excessivamente o leitor.

A boa notícia é que P e “Sammy”, um outro leitor do Blog que ultimamente não tem comentando nada por aqui, trocaram e-mails e iniciaram uma amizade presencial, real, fora das telas do MVG. Ambos estão em sintonias semelhantes, do aceitar a própria homossexualidade recentemente, de revelar para pessoas próximas como pais e amigos e de começar a conhecer as esquinas e ruas da vida gay de São Paulo.

Não me recordo da idade de ambos e, nesse caso, se estiverem a vontade podem revelar por aqui como um comentário. Mas esse fato é menos importante. O que acho interessante, válido e recompensador é que P e Sammy são dois leitores que encontraram por aqui algumas dicas, referências e toques de consciência para dar alguns novos passos na vida, começando a romper com os próprios preconceitos, tabus e estigmas sociais.

Obviamente que o Blog não é bálsamo para resolver a vida de nenhum gay, que isso fique bem claro! O Blog é uma meio para referências, relatos de minhas próprias vivências e reflexões sobre a vida gay. O MVG é meu “diário pessoal” do ponto de vista da minha homossexualidade e das experiências no meio GLS que tive; e é um projeto que visa dar um olhar mais abrangente aos leitores. Não tem certo nem errado como sempre reforço.

E que fique claro também que cada leitor do MVG sabe mais do que qualquer um o contexto de vida que vive, os hábitos familiares e os próprios “monstros” que são do tamanho que são ou que são menores do que se imagina. Como digo as vezes, “cada um carrega uma pedra do tamanho que consegue suportar”.

De qualquer forma, ter a consciência dessa situação real, de “gays recém assumidos para pessoas importantes como os pais ou amigos” e que estão se permitindo conhecer o meio GLS um poquinho mais, para além das linhas do Blog, é mais uma representação possível de superação.

Dois meninos, bastante jovens e com uma vida toda para esbanjar, estão seguindo numa amizade e conhecendo um pouco mais o “lado de fora de nossas cabeças”. E não há como negar que isso é um grande passo, que exige cautela, respeito, superação e bastante coragem.

Segue aqui o registro de mais um exemplo positivo de uma história que ainda tem muitas páginas para serem escritas. É uma referência real de possibilidades. Segue quem se sentir a vontade.

Quem não quiser ainda, quem tiver medo ou sentir que o monstro ainda é bastante grande, não existe obrigatoriedade nenhuma. Aliás, pouca coisa é obrigatória na vida, a não ser aquela que a gente se condiciona por espontânea vontade ou por pressão de nossas inseguranças. O Blog MVG é livre, é referência para quem lê e quem não entender ainda desses processos é fácil: basta clicar no “x” da aba do navegador e, se o computador for utilizado por toda família, não esqueça de deletar o histórico! ;)

Ótima semana a todos e logo, logo tem mais post do MVG! :D

10 comentários Adicione o seu

  1. Luis disse:

    Olá MVG!

    Não sou um novo leitor em seu blog, porém nunca havia comentado algum post! rsrs
    A questão é que esse post chamou minha atenção por dois jovens terem se conhecido, e se tornarem amigos! Essa fase de descoberta deles é bem parecida com a minha, não sei o que é considerado “jovem” hoje em dia, mas tenho 19 anos. Vou deixar um breve resumo da minha trajetória até agora, espero ser breve.
    Bom, especificamente sobre a minha sexualidade, eu sempre soube desde os meus 6-7 anos de idade, sempre foi algo que eu sabia e tentava reprimir. Enfim, esse ano entrei para a Universidade, e decidi parar de esconder quem eu verdadeiramente sou, estava pouco me lixando para o que fossem pensar de mim. Fiquei com um rapaz começo do ano, mas foi apenas um beijo, porém era o primeiro rapaz. Depois de um tempo, conheci um outro rapaz, mais velho do que eu, e para a minha surpresa fiquei com ele, nada muito extenso, porém foi, digamos que especial para mim. Me assumi esse ano também, fui aconselhado a me assumir quando estivesse namorando, mas eu sempre pensei que se fosse para me assumir, seria solteiro, para não dar problemas com quem estivesse comigo. A aceitação da família foi bem razoável, nada de dramas do tipo “ser expulso de casa”, por sorte é claro, porque quando eu me assumi, tinha um grande receio da rejeição, para minha surpresa fui razoavelmente aceito pelos meus pais e irmãos, embora tivesse toda aquela discussão de “mas você nunca teve jeito para isso, você sempre jogou vídeo-game…”. Meus amigos sabem também da minha sexualidade, aliás foram os primeiros a saberem, inclusive uma “ex-ficante” minha.
    Bom, a questão é que as descobertas são de extrema importância para qualquer pessoa, ainda mais quando a mesma decide ser quem ela realmente é, eu mesmo estou me descobrindo ainda e conhecendo mais do nosso “mundo”! rsrs
    Atualmente estou solteiro, na verdade nunca namorei, só fiquei. E para ser sincero, ao contrário do que a sociedade pensa e rotula os gays, eu não sou nada atirado ou promiscuo. Já faz um bom tempo que não fico com ninguém, até porque eu prefiro coisas sérias do que ficar “ficando” por ai. É claro que não estou parado, eu procuro conhecer mais gays, fazer amizades, e quem sabe, namorar! O importante realmente é fazer aquilo que temos vontade, claro, sem prejudicar a si nem a ninguém.
    Enfim, devo parabenizá-lo pelo blog, é super interessante e muito informativo!
    Desculpe se não fui breve, mas foi nesse post que decidi fazer meu primeiro “comentário” rs…
    Novamente, parabéns! :)

    1. minhavidagay disse:

      Oi Luis!
      Obrigado pelo seu breve relato.

      19 anos? Claro que é jovem (rs).

      Muito interessante a sua história que reforça ainda mais o sentido maior para o Blog MVG.
      Quem sabe você não troca umas ideias com o “P” e com o “Sammy” para também começar uma amizade?

      Abraço,
      MVG

    2. Sammy disse:

      Nossa, Luis. Você com 19 anos não tem certeza se é jovem? rs. Mas te entendo. Daqui a uns anos tenho certeza que também vou achar engraçado quando eu tinha 25 anos e me achava velho…

      Na verdade, é tudo relativo: “Jovem demais pra quê? Velho demais pra quê?” e ainda “De acordo com quem?”. Em relação a se assumir mesmo cada um tem seu tempo e, nesse caso, não existe cedo ou tarde, jovem ou velho. É a hora certa e pronto. Eu mesmo já me peguei pensando se devia ter me assumido antes. Inclusive quando um homem na faculdade estava superapaixonado por mim, mas eu preferi mentir pra ele sobre minha sexualidade e me afastar por medo do que as pessoas iam pensar. Apesar disso, agora vejo que, se fosse antes, eu não teria a maturidade e a tranquilidade que tenho hoje para lidar com esse assunto. Não que eu seja maduro ou esteja totalmente bem resolvido. Ainda muito longe disso. Mas quando chega a hora a gente simplesmente sabe que é a hora de começar, em primeiro lugar, a se aceitar e depois começar a se abrir com algumas pessoas.

      E nesse processo de descoberta, a pior coisa deve ser passar por todas essas angústias sem ter com quem dividir. Por isso, só tenho que agradecer ao “P” por estar sendo esse grande amigo e ao MVG não só por compartilhar tantas histórias, mas por levar a reflexões na construção do nossa identidade.

      Abraços.

      1. minhavidagay disse:

        Olha aí, Luis, eis o Sammy do post. Que tal entrar em contato com ele para ver se não se junta a “turma”? Olha eu querendo montar uma extensão do MVG pra vida real, hehehehe.

        Abraço,
        MVG

      2. Luis disse:

        Olá Sammy!

        Bom Sammy, confesso que apesar de ter 19 anos e isso parecer jovem, tive uma grande e estranha sensação de que eu estava velho quando me assumi, mas no sentido de que se soubesse da reação dos meus pais, eu contaria antes. Claro que não agradeceram por ter um filho gay, ou comemoraram, mas eu deixei bem claro a minha sexualidade, fiz questão de que soubessem tudo sobre, inclusive abrindo espaço para que tirem qualquer dúvida comigo mesmo, para não ficarem “especulando” ou criando falsas teorias e tal… Essa base de confiança, pelo menos no meu caso, foi essencial, até hoje acho que isso foi o mais importante.

        Porém concordo com você quando diz que cada um tem seu tempo, inclusive para a auto aceitação, que acho ser o processo mais importante.

        Sim, ter alguém para dividir, é sem dúvidas bem mais “fácil” no sentido de que também pode encontrar um apoio nessa partilha de experiências. No meu caso, eu tive um apoio enorme dos meus amigos, pouquíssimos, mas que foram essenciais para uma motivação maior, me senti aliviado de estarem junto comigo, passando pelo que fosse, alegria ou tristeza.

        Abraços (=

      3. Luis disse:

        Aaii Sammy que confusão, respondi seu comentário no comentário do MVG!

        Bom, está logo abaixo… rsrs

  2. Sammy disse:

    Daqui a pouco vamos ter o Grupo de Apoio do MVG pra desabafarmos em encontros semanais no Bar da Dida, né? rs
    Se alguém quiser me mandar um e-mail, fique à vontade. Não que eu sirva pra dar conselho de nada, mas é só clicar no meu nome e ver o endereço ;)

  3. Paulo disse:

    Vou me apresentar também e aproveito para reforçar o convite para juntar-se a nós. Luis você não tem noção dos e-mails monstruosos que eu já troquei com o moderador do MVG, não se preocupe com o tamanho do seu “comentário”.
    Eu também tive a mesma sorte com relação aos meus pais, muita sorte com a minha mãe, apesar de ainda não ter me assumido para meus irmãos, até por que eu preciso colocar algumas coisas da minha vida no lugar antes de uma segunda rodada de emoções fortes, vim de uma maratona de quase dois meses, quero umas férias antes de continuar. Questiono apenas, caro Luis, se a reação dos nosso pais significa realmente um golpe de sorte ou se não significa uma conjuntura de fatores diversos para tal reação. Digo isso por que eu senti muito medo de falar com meus pais, fui inclusive aconselhado a não fazer isso por algumas pessoas, mas no fundo alguma coisa me dizia que não seria tão ruim quanto eu pensava, a voz estava certa. Eu não me sinto no direito de afirmar tal questão por que sinto que ela está contaminada com o bom resultado que tive, mas acho que podemos analisar a nossa relação com os nossos pais, a relação dos nossos pais com outras pessoas, a relação dos nosso pais com nossos irmãos, analisar a opinião deles com relação a diversos assuntos, entre outras coisas, e ter a intuição de que a coisa pode ser mais branda do que imaginamos, apenas acho primordial uma certa preparação para a conversa, principalmente uma preparação interna.
    Sammy você foi muito sutil para falar a sua idade, vou apenas dizer que nasci em 1987, ora me acho novo ora me acho velho, vai saber, a questão será quando trocar as dúvidas por certezas.

  4. Luis disse:

    Olá Paulo!

    É como eu comentei acima e ainda fiz toda uma confusão, achando que comentei em uma coisa, comentei em outra, mas mesmo assim estava certo, enfim, quando eu resolvi me assumir, fui aconselhado para que me assumisse quando fosse independente ou estivesse namorando já. Achei melhor não, não poderia esperar tanto tempo com a segurança da independência, nem estava disposto a ter um namorado e encarar a situação juntamente com ele. Embora eu houvesse o apoio dos meus amigos, ainda assim é uma decisão individual e que acho que não mudaria para melhor nem para pior com a independência ou um namorado, tinha que ser aquela hora, com essa idade, solteiro, ou seja, eu estava preparado.

    Não sei se tivemos sorte, só sei que embora a situação de se assumir tenha sido razoavelmente tranquila, sei também das angústias que meus pais poderiam passar e estão passando, e acho quase impossível de não passarem, afinal são nossos pais, e como a maioria dos pais, eles tem suas projeções para os filhos, querem que sejamos felizes, que não passemos por situações constrangedoras ou tristes… Lembro-me da minha mãe me dizendo que me aceitava como eu sou, mas que morria de medo do que a sociedade poderia fazer comigo, essa era e ainda é a maior preocupação tanto dela e do meu pai, quanto dos meus irmãos.

    Portanto, acho que apesar do choque que eles tiveram, souberam me aceitar do jeito deles. Ficaram mais tranquilos quando eu depositei total liberdade para que perguntem o que fosse necessário e importante para eles, afinal possuem também suas dúvidas e anseios.

    MVG, Sammy e Paulo,
    Para finalizar este comentário (espero que eu não faça confusão, é normal eu acabar fazendo às vezes), fico tanto a disposição de vocês para trocarmos assuntos, quanto também achei super legal a sugestão do MVG! rs

    Abraços! (=

    1. Queridos, não esquecendo que nesse fim de semana rola em Morro de São Paulo, Bahia o primeiro Festival LGBT – LOVE PARADISE. Maiores informações na fan page https://www.facebook.com/festaloveparadise ou em http://www.loveparadise.com.br. Vai ser baphônico!!!!!

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